O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central começa nesta terça-feira (3) a penúltima reunião de 2026 e anuncia na quarta (4), depois do fechamento do mercado, o que fará com a Selic, hoje em 13,75% ao ano. Até a véspera do 2º turno, mais um corte de 0,25 ponto era dado como certo. Uma semana de dólar em disparada depois, a aposta que lidera é a de que os juros fiquem parados.
Nas opções de Copom negociadas na B3, a chance de corte passava de 70% antes da eleição. Depois do resultado, a probabilidade de manutenção subiu para 68,8%, segundo a CNN Brasil. Esses contratos medem a aposta dos investidores e não são uma projeção oficial da Bolsa.
Qual é a Selic hoje e como ela chegou a 13,75%
A taxa começou o ano em 15% e caiu em cinco reuniões seguidas, sempre 0,25 ponto por vez:
- 19 de março: 14,75%
- 30 de abril: 14,50%
- 18 de junho: 14,25%
- 6 de agosto: 14,00%
- 17 de setembro: 13,75%
Se o comitê mantiver a taxa na quarta, será a primeira pausa desde o início do ciclo de cortes, em março.
O que os bancos esperam para quarta-feira
As casas de análise se dividiram, de acordo com levantamento da CNN Brasil. A maioria dos grandes bancos passou a prever manutenção:
- Itaú Unibanco: espera que o Copom interrompa os cortes e deixe a Selic em 13,75%.
- BTG Pactual: também prevê manutenção. “Em um ambiente de incerteza dessa magnitude, essa é a postura que faz mais sentido”, escreveu o banco.
- HSBC: vê a taxa parada em 13,75% até março de 2027 e fechando o ano que vem em 12,50%.
- C6 Bank: projeta 13,75% tanto no fim de 2026 quanto no fim de 2027.
Do outro lado, Inter, ASA e Daycoval ainda esperam um último corte de 0,25 ponto, para 13,50%. O Inter prevê pausa em dezembro e só vê os cortes voltando no fim de 2027. O economista-chefe do Daycoval, Rafael Cardoso, disse à CNN Brasil que um corte desse tamanho muda pouco na prática e que o comunicado do BC deve pesar mais que a decisão.

Por que a eleição mudou as apostas
A reeleição do presidente Lula (PT), em 25 de outubro, pegou de surpresa a parte do mercado que apostava em troca de governo e em ajuste das contas públicas. Na semana seguinte, o Ibovespa caiu 18% e o dólar subiu cerca de 9%, fechando a sexta-feira (30) perto de R$ 5,45, a maior cotação do ano. Os juros futuros acompanharam: o DI para janeiro de 2028 chegou a 14,5% ao ano, acima da própria Selic.
Dólar mais caro encarece importados e combustíveis e tende a empurrar a inflação para cima. O boletim Focus de 26 de outubro, coletado antes da reação ao resultado, já mostrava IPCA de 5,19% em 2026, acima do teto da meta, de 4,5%. A mesma pesquisa previa Selic de 13,25% no fim do ano, o que exigiria mais dois cortes. Essa conta ficou para trás nos preços de mercado.
O ponto central é o rumo dos gastos. “É improvável que surjam medidas claras para conter os gastos públicos antes das reuniões do Copom de novembro e dezembro”, afirmou o HSBC. O Inter não descarta que os juros voltem a subir se o governo demorar a apresentar medidas fiscais, e a analista de renda fixa da Empiricus Laís Costa disse ao Seu Dinheiro que o mercado já trabalha com retomada das altas até o segundo trimestre de 2027. A escolha do ministro da Fazenda do novo mandato, ainda não anunciada, é outro sinal acompanhado pelos investidores.
O que muda no seu bolso
- Crédito: com a Selic parada, os juros de financiamentos, cartão e empréstimos deixam de ter o alívio que viria de novos cortes.
- Renda fixa: CDBs e fundos atrelados ao CDI continuam rendendo perto da Selic, antes do imposto. Títulos do Tesouro atrelados à inflação com prazo mais curto, como o IPCA+ 2032, voltaram a pagar perto de 8% ao ano acima do IPCA, segundo a Empiricus.
- Poupança: com a Selic acima de 8,5%, a regra não muda: rende 0,5% ao mês mais a TR, qualquer que seja a decisão de quarta.
Que horas sai a decisão e quando vem a ata
O comunicado é publicado no site do Banco Central na quarta-feira (4), depois do fechamento do mercado, normalmente no começo da noite. A ata, com as explicações detalhadas do comitê, sai na terça-feira seguinte, 10 de novembro. A última reunião do ano está marcada para 8 e 9 de dezembro.
Até lá, o mercado espera o próximo boletim Focus, que deve trazer a primeira leitura das projeções dos economistas depois do 2º turno. Para simular quanto o seu dinheiro rende com a taxa atual, use a calculadora da poupança e do CDB.



