O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou nesta segunda-feira (19) um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, em Santa Catarina. A unidade foi interditada e a movimentação de aves ficou suspensa. No mesmo dia, as ações da MBRF caíram na Bolsa.
Segundo o ministério, “o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações”. A doença é viral e altamente contagiosa, mas, de acordo com entidades do setor, o caso é de sanidade animal, e não de segurança alimentar.
Como o foco foi identificado?
O caso surgiu durante uma investigação epidemiológica do serviço veterinário oficial de Santa Catarina. A confirmação saiu depois de análise do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, que a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhece como referência internacional no diagnóstico da doença.
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A Revista Oeste informou que a confirmação ocorreu no domingo (18), no oeste catarinense, e que a propriedade abriga cerca de 6 mil aves.
Nenhum animal apresentou sintomas, segundo o ministério, mas exames detectaram o vírus. Em outras palavras, houve detecção do vírus, e não da doença nas aves confinadas.
O que acontece com as aves e a granja?
De acordo com a Revista Oeste, o protocolo prevê o abate sanitário das aves, seguido de limpeza e desinfecção das instalações. A vigilância cobre cerca de 133 propriedades em Nova Itaberaba e em três cidades vizinhas, segundo a Folha.
Ainda conforme a Revista Oeste, o período de incubação é estimado em 21 dias, e o monitoramento pode chegar a 42 dias.
Quem consome carne de aves corre risco?
Para o governo e o setor, não. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Catarinense de Avicultura (Acav) e o Sindicarne-SC divulgaram nota conjunta. Para as entidades, trata-se de uma “questão de sanidade animal, restrita ao âmbito da produção”.
O Globo informou que a doença é grave para as aves, mas raramente atinge humanos. Quando atinge, provoca apenas uma conjuntivite leve.
Quanto pesa para as exportações?
O Brasil é o maior exportador de frango do mundo. Santa Catarina é o segundo maior fornecedor do país e respondeu por cerca de 23% das exportações brasileiras do produto de janeiro a setembro deste ano.
O Mapa vai notificar a OMSA e os parceiros comerciais. A Bloomberg, citada pela Folha, observa que a dimensão do efeito depende dos compradores, que podem barrar as importações do país inteiro ou apenas de regiões específicas. Se os principais clientes reduzirem as compras, os frigoríficos podem desviar os embarques para outros destinos.
Há precedente. Em julho de 2024, um foco em granja de frangos de Anta Gorda (RS) foi seguido de restrições: a Folha diz que o Brasil teve de suspender embarques para China e União Europeia, e O Globo afirma que os dois cancelaram compras temporariamente. Segundo o Canal Rural, o Mapa autoembargou as exportações para vários países, como preveem os protocolos, e as vendas foram retomadas aos poucos depois que o foco foi encerrado no mesmo mês.
O momento também é delicado. Conforme a Folha, o país trabalhava para retomar as exportações à União Europeia depois de se adequar a novas exigências sobre medicamentos usados na criação de animais.
Por que a MBRF caiu na Bolsa?
Pessoas ouvidas pela Bloomberg, sob anonimato, disseram que o produtor de perus fornece exclusivamente à MBRF e abastece a unidade da empresa em Chapecó (SC), voltada à exportação. A MBRF não comentou e encaminhou as perguntas à ABPA. A identificação do fornecedor não foi confirmada oficialmente.
As quedas variam conforme a fonte. Pela Folha, a MBRF recuou 4,1% em São Paulo e a JBS, 1% em Nova York. O Globo registrou perdas de até 6% para a MBRF e de até 2% para a JBS.
Quando o Brasil pode voltar a ser livre da doença?
O Mapa informou que vai divulgar novas informações conforme avancem as investigações e as medidas de controle. Segundo a Revista Oeste, o reconhecimento do país como livre da doença poderá ser retomado depois de 90 dias, pelas regras sanitárias internacionais.



