A Ri Happy pediu recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. A empresa confirmou o pedido nesta segunda-feira (19). Segundo a rede, as lojas físicas e o e-commerce seguem funcionando normalmente.
Além da própria Ri Happy, o processo inclui Brincar Marcas e Participações, Drh Casa de Festa, New Toys Comércio, Distribuição e Importação, Partout Administração de Franquias e Bens, e PBKids Brinquedos.
Quando o pedido foi protocolado?
Há divergência sobre a data. A Revista Oeste e o NeoFeed informam que o pedido foi protocolado no domingo (18). O InfoMoney situa o protocolo na segunda-feira (19). A confirmação pela companhia saiu nesta segunda.
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Como funciona a recuperação extrajudicial?
Nesse modelo, a empresa negocia um plano de reestruturação com parte dos credores e depois pede à Justiça que o acordo seja homologado. Diferentemente da recuperação judicial tradicional, o mecanismo não exige a participação de todos os credores e costuma ser usado quando já existe entendimento com um grupo relevante deles.
Segundo o g1, citado pelo InfoMoney, credores que somam R$ 308,8 milhões já aderiram ao plano, o equivalente a 42,4% dos créditos abrangidos. A Ri Happy fala em adesão expressiva, mas não informou as condições de pagamento propostas.
O que muda para o cliente?
De acordo com a rede, não haverá interrupção das operações. As equipes seguem focadas na Black Friday e no Natal, datas importantes para o setor de brinquedos.
O plano prevê controle de gastos, gestão de caixa e aproximação com fornecedores, franqueados, administradoras de shopping centers e bancos. Não há detalhes divulgados sobre prazos ou descontos para cada grupo de credores.
Por que a Ri Happy chegou a este ponto?
A BluSun Capital Partners anunciou em 31 de agosto a compra de 100% do grupo, que passou 14 anos sob controle de fundos de private equity, segundo o NeoFeed. O valor não foi divulgado. Héctor Núñez, que comandou a empresa de 2012 a 2020, voltou à presidência no lugar de Thiago Rebello.
A nova gestão revisou custos e mexeu nas equipes corporativas, além de preparar a mudança de sede. A empresa não informou quantos funcionários foram afetados nem quanto espera economizar.
No pedido, a companhia cita juros altos, perda de poder de compra das famílias, endividamento do consumidor, desaceleração do varejo e concorrência de plataformas internacionais de comércio eletrônico. Também menciona efeitos da pandemia e dificuldades em negociações financeiras anteriores.
Esta não é a primeira renegociação
Em 2023, a rede alongou R$ 289 milhões devidos a nove bancos, entre eles Banco do Brasil, Santander e BV, com prazos de até cinco anos. O fundo Carlyle aportou R$ 75 milhões naquela operação.
Ao ser vendida, a companhia somava 293 lojas, entre próprias e franqueadas, segundo a Revista Oeste: 244 com a bandeira Ri Happy e 49 com a PBKids. O NeoFeed fala em 290 lojas e faturamento anual de cerca de R$ 1,2 bilhão.
Em maio, a fabricante de brinquedos Estrela também entrou com pedido de recuperação judicial, na Justiça de Três Pontas (MG), a partir de dívida de R$ 109 milhões. No caso da Ri Happy, o plano ainda precisa ser homologado pela Justiça, e as condições de pagamento não foram divulgadas.



