O Itaú Unibanco assinou um acordo para comprar todas as ações da NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial (IA), por R$ 2,925 bilhões. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (26), em comunicado do banco. O NeoFeed informou o valor como R$ 2,92 bilhões.
O negócio ainda não está concluído. Para sair do papel, precisa cumprir condições previstas em contrato, entre elas o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central (BC). Não há prazo divulgado para essas aprovações.
O que a NeoSpace faz
A empresa foi criada no fim de 2023 e desenvolve modelos fundacionais de IA. Sua aposta é o chamado Large Data Model (LDM). Diferentemente dos grandes modelos de linguagem (LLMs), de empresas americanas como OpenAI e Anthropic, o LDM analisa qualquer tipo de dado e documento, não só textos.
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Na prática, a NeoSpace oferece plataformas para que empresas treinem modelos com os próprios dados, com o objetivo de identificar e antecipar padrões de comportamento de clientes. Segundo o NeoFeed, a startup também atende setores fora do mercado financeiro, como telecomunicações.
Qual era a relação com o banco
O Itaú já havia investido na NeoSpace. Em janeiro de 2025, liderou uma rodada de US$ 18 milhões que avaliou a startup em US$ 100 milhões, informou o NeoFeed. Também participaram Martin Escobari, da General Atlantic, e Micky Malka, da Ribbit Capital.
Os fundadores também têm histórico com o banco. Em 2019, o Itaú pagou mais de R$ 500 milhões pela Zup, empresa de software criada em 2011 por Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gustavo Debs. Os três fundaram a NeoSpace, ao lado de Thiago Teixeira.
Segundo o Itaú, as duas empresas trabalham juntas há quase dois anos. Nesse período, criaram soluções de IA generativa para áreas como crédito, prevenção a fraudes, gestão financeira e atendimento a clientes.
O que muda para o cliente
A tecnologia da NeoSpace deve contribuir para o ia.i, plataforma de IA generativa do Itaú lançada no fim de julho. A ferramenta permite ao cliente interagir com produtos e serviços do banco por texto ou voz. De acordo com o Valor Econômico, há possibilidades de personalização de serviços, orientações financeiras e ofertas de crédito adaptadas ao perfil de cada pessoa.
O banco projeta estender o ia.i a 100% dos clientes pessoa física do superapp até o fim de 2026, segundo o NeoFeed.
A NeoSpace continuará com gestão autônoma. Pierobon segue como CEO, e o acordo prevê a manutenção da equipe e das atividades de pesquisa e desenvolvimento.
Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, afirmou em nota:
“O Brasil já demonstrou sua capacidade de estabelecer referências internacionais em inovação bancária, e temos a oportunidade de elevar esse patamar com inteligência artificial de fronteira”
Pierobon disse, também em nota, que a nova etapa cria condições para aprofundar a pesquisa e o desenvolvimento, com a continuidade da equipe.
O que ainda falta definir
A forma de pagamento não foi informada. O próximo passo é a análise do Cade e do Banco Central, sem data prevista.



