O brasileiro Felipe Sousa Lazaballet foi eleito deputado estadual na Flórida na terça-feira (3), dia das eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos. Ele concorreu pelo Partido Democrata no Distrito 42, na região metropolitana de Orlando, e venceu a republicana Bonnie Jackson.
Segundo dados oficiais preliminares citados pelo jornal A Tarde, Lazaballet teve 49.752 votos (62,41%). Jackson somou 29.972 (37,59%). A Folha de S.Paulo, por sua vez, informa que ele obteve ao redor de 63% dos votos.
Lazaballet, de 40 anos, nasceu em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo a Folha, ele também é o primeiro imigrante abertamente gay a conquistar uma cadeira no Legislativo do estado. O g1 acrescenta que ele é o primeiro ex-beneficiário do DACA a integrar um Legislativo estadual americano.
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Quem é Felipe Sousa Lazaballet?
Filho de uma empregada doméstica natural do Ceará, ele foi levado aos Estados Unidos em 2001, aos 14 anos, pela irmã mais velha. Entrou com visto de turista, que depois venceu. Em entrevista à Rádio França Internacional (RFI), citada pelo A Tarde, ele afirmou: “Fui indocumentado por 15 anos”.
Por volta dos 16 anos, um orientador escolar disse que, sem documentos, ele não poderia cursar universidade. Ele acabou estudando relações internacionais no Miami Dade College, que na época aceitava alunos nessa situação, segundo a Folha. De acordo com a apresentação em seu site de campanha, citada pela CNN Brasil, ele também tem bacharelado em Administração de Empresas, com especialização em Economia, pela Universidade de St. Thomas.
Em 2010, participou da Trail of Dreams, marcha da Flórida a Washington, de janeiro a maio, pela legalização dos chamados dreamers, imigrantes trazidos ainda crianças. Em 2012, o governo Barack Obama criou o DACA, programa que dava proteção temporária contra deportação e autorização de trabalho. Aos 26 anos, ele se enquadrou nos critérios e recebeu o benefício.
Como ele chegou à Câmara estadual?
Em 2016, voltou à Flórida para trabalhar na Prefeitura de Orlando. Depois do ataque à boate Pulse, em junho daquele ano, que deixou 49 mortos, ajudou sobreviventes e familiares. O g1 informa que ele passou cinco anos na administração do prefeito Buddy Dyer.
Depois, passou a dirigir o Hope CommUnity Center, organização que, segundo o A Tarde, atende cerca de 35 mil imigrantes na Flórida Central. Em 2020, casou-se com Luis Sousa-Lazaballet. Ele já tinha o green card, obtido por petição familiar, e em 2021 se tornou cidadão americano.
Na campanha, a prioridade declarada foi a defesa dos direitos dos imigrantes e da comunidade LGBTQ+. Ele pretende levar essas pautas à Câmara estadual, em Tallahassee, capital da Flórida. Ao g1, disse que vinha sendo atacado pela adversária por ser imigrante e por estar há 10 anos no estado, mas que sente que os eleitores veem sua história de superação de forma positiva.
O que acontece agora?
Nas redes sociais, ele comemorou o resultado: “Minha história é o sonho americano. Cheguei aqui sem documentos, sem nada em meu nome, e agora terei o privilégio incrível de lutar pelos meus amigos e vizinhos como líder eleito”. A data da posse não foi informada.
Segundo A Tarde, ao menos outros seis candidatos de origem brasileira disputaram cadeiras em legislativos estaduais americanos nesta eleição, na Flórida e em Massachusetts. O resultado deles não foi informado.
Segundo a Folha, o DACA tem hoje 436 mil beneficiários nos EUA. Os brasileiros são 2.990, a sétima nacionalidade, atrás dos mexicanos, com 356 mil.



