A eleição para o governo do Distrito Federal foi decidida por uma margem mínima e, mesmo assim, não acabou. A governadora Celina Leão (PP) terminou o 1º turno com 825.530 votos, 49,93% dos válidos, e ficou a apenas 168 votos da maioria absoluta que lhe daria a reeleição no domingo (4), segundo os números finais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao mesmo tempo, 26.603 eleitores digitaram 22 na urna para governador, de acordo com dados do TRE-DF publicados pela Gazeta do Povo e pelo Metrópoles. É o número do PL, que não lançou candidato ao Palácio do Buriti e integrou a coligação de Celina. Como não havia ninguém com esse número na disputa, os votos foram registrados como nulos.
Por que Celina não venceu com 49,93%?
Para ganhar no 1º turno, o candidato a governador precisa de mais da metade dos votos válidos, regra da Constituição que deixa de fora brancos e nulos. No DF, os válidos somaram 1.651.394. A metade mais um voto era 825.698, ou seja, 168 a mais do que Celina recebeu.
O percentual de 49,93% é o divulgado pelo TSE, que faz a conta sobre 1.653.237 votos, base que inclui 1.843 votos anulados sub judice. Sobre os 1.651.394 votos válidos, Celina ficou com 49,99%.
Os números finais da disputa ficaram assim:
- Celina Leão (PP): 825.530 votos (49,93%);
- Leandro Grass (PT): 569.930 (34,47%);
- Paula Belmonte (Federação PSDB-Cidadania): 140.765 (8,51%);
- Kiko Caputo (Novo): 72.148 (4,36%);
- Ricardo Cappelli (PSB): 36.828 (2,23%);
- os demais cinco candidatos somaram menos de 0,5%.
Houve ainda 74.774 votos em branco (4,11%) e 89.910 nulos (4,95%). Os 26,6 mil votos no 22 representam cerca de 30% de todos os nulos para governador no DF.
Por que tanta gente digitou 22?
O PL elegeu as duas senadoras do DF, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, que fizeram campanha ao lado de Celina. A hipótese levantada pela própria governadora é de confusão entre o número do partido aliado e o dela.

“O eleitor se confundiu muito de votar no 22 para governador, nosso número é o 11”, disse Celina na segunda-feira (5), em reunião com a coligação Propósito e Ação, segundo o Metrópoles. Ela afirmou que a campanha vai insistir na divulgação do número correto até o 2º turno.
Não é possível saber, pelos dados da urna, qual era a intenção de cada eleitor que digitou 22. O voto é secreto e, para a Justiça Eleitoral, número sem candidato é voto nulo.
Como fica o 2º turno no DF?
Celina e Leandro Grass voltam às urnas no domingo, 25 de outubro, das 8h às 17h. A distância entre os dois no 1º turno foi de 255,6 mil votos. Outros 255,9 mil votos válidos ficaram com os candidatos eliminados, 249,7 mil deles com Paula Belmonte, Kiko Caputo e Ricardo Cappelli, que viram alvo das negociações.
Celina já procurou Kiko Caputo, a quem convidou para um café, de acordo com o Metrópoles. Os apoios dos demais derrotados ainda não foram anunciados.
O horário eleitoral gratuito do 2º turno começa na sexta-feira (9), no rádio e na TV. No 2º turno, os eleitores do DF votam só para governador e presidente; senadores e deputados já foram definidos no domingo.
O que conferir antes de votar
- Número: no 2º turno, a urna pede primeiro o voto para governador e depois para presidente. Confira os números na nossa colinha eleitoral;
- Local: a seção é a mesma do 1º turno. Quem não lembra pode consultar em onde votar;
- Documento: leve documento oficial com foto ou use o e-Título.
Próximos passos
A apuração do 2º turno começa às 17h de 25 de outubro e poderá ser acompanhada na página de apuração ao vivo do Trendou. O vencedor toma posse em 6 de janeiro de 2027.
Correção (06/10, 07:07): o texto foi complementado para explicar que os 49,93% do TSE são calculados sobre 1.653.237 votos; sobre os 1.651.394 válidos, Celina teve 49,99%.
