A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência exonerou a servidora Silvana Gimenes, de 65 anos, do cargo de coordenadora de Desenvolvimento de Programas. A exoneração saiu em 27 de outubro, quatro dias depois de ela criticar, nas redes sociais, a frase de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Lula (PT).
Segundo o g1, o ato foi feito pelo secretário-chefe da Casa Civil, Nerylson Lima, e publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo.
O que Silvana escreveu sobre o debate
No debate da TV Globo, em 23 de outubro, Flávio, então candidato à Presidência, chamou Lula de “nove dedos”. A fala foi considerada uma provocação capacitista e repudiada por várias entidades de pessoas com deficiência. O candidato do PL pediu desculpas a Lula depois.
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Lula perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em 1964, aos 17 anos, em um acidente de trabalho quando era torneiro mecânico em uma metalúrgica da Vila Carioca, na capital paulista.
Na noite do debate, Silvana publicou que, ao ouvir o 22, número de urna do PL, chamar Lula de “nove dedos”, apenas constatou o que costuma dizer: o preconceito, o racismo, o capacitismo e a LGBTfobia “podem estar escondidos, mas vêm sempre à tona”.

Em outra manifestação nas redes, ela afirmou que foi a primeira vez, em 41 anos de trabalho como servidora, que foi exonerada.
Como o governo explica a saída
Em nota, a secretaria informou que o cargo é de livre nomeação e exoneração e que a saída decorreu de “ajustes administrativos” na pasta.
O secretário Marcos da Costa, também por nota, afirmou que a decisão foi de sua “exclusiva responsabilidade” e teve “razões estritamente administrativas”, ligadas à necessidade de reorganizar atribuições e funções na estrutura da secretaria. Ele disse que nenhuma questão pessoal ou manifestação política da servidora motivou a exoneração.
A exoneração ocorreu dois dias depois da eleição presidencial de domingo (25), em que Lula foi reeleito e Flávio Bolsonaro foi derrotado.
Não há, até agora, detalhamento público sobre quais atribuições foram remanejadas nem sobre outros cargos afetados na reorganização da pasta.



