Os israelenses votam nesta terça-feira (27) para escolher os 120 deputados do Knesset, o Parlamento do país. A última rodada de pesquisas mostra que o bloco do premiê Benjamin Netanyahu pode perder terreno e não deve chegar à maioria. A disputa é a primeira desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023.
Segundo o Comitê Central Eleitoral, 7,3 milhões de eleitores estão registrados para votar em cerca de 12 mil seções. O voto não é obrigatório, vale para maiores de 18 anos e é feito em cédula de papel.
Como funciona a eleição em Israel?
Os eleitores escolhem os deputados do Knesset, e são eles que elegem o primeiro-ministro. Só ocupa cadeiras o partido que obtiver ao menos 3,25% dos votos, a chamada cláusula de barreira.
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Nenhuma legenda conseguiu, até hoje, os 61 assentos que dão maioria absoluta. Por isso, os governos israelenses costumam nascer de coalizões, muitas vezes instáveis. O presidente Isaac Herzog exerce funções principalmente cerimoniais.
Esta será a primeira vez desde 1988 que uma legislatura chega ao fim do mandato sem ter sido dissolvida antes do prazo.
O que mostram as pesquisas?
Segundo a pesquisa do Channel 13, o bloco de direita e religioso de Netanyahu cairia dos atuais 64 assentos para 50. Para uma “vitória absoluta”, ele precisa de ao menos 61.

Os levantamentos também sugerem que Eisenkot não deve alcançar a maioria. De acordo com a CNN Brasil, ele provavelmente precisaria do apoio de partidos árabes para tirar Netanyahu do poder. O partido dele, o Yashar, aparece à frente do Likud nas pesquisas, mas a fragmentação política não garante a nenhum dos dois a formação de governo.
Quem são os dois principais candidatos?
Netanyahu, nascido em 1949, está no poder em diferentes períodos desde 1996. O Likud governa o país desde 2009, com uma breve interrupção entre junho de 2021 e dezembro de 2022. Ele responde a processos por corrupção e, segundo pesquisas citadas pela CNN Brasil, é amplamente responsabilizado pelas falhas de segurança ligadas a 7 de outubro. Sua coalizão inclui o Sionismo Religioso, de Bezalel Smotrich, ministro das Finanças, e o Poder Judaico, de Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional.
Eisenkot serviu 41 anos nas Forças de Defesa de Israel e foi chefe do Estado-Maior entre 2015 e 2019. Fundou o Yashar em 2025. Entrou para o gabinete de guerra de Netanyahu como observador e saiu oito meses depois do ataque, com críticas à liderança do premiê. Ele perdeu um filho e dois sobrinhos em combate em Gaza.
Eisenkot se opõe à criação de um Estado palestino, defende que a ala militar do Hamas seja destruída ou desmantelada e quer impedir que o Irã obtenha capacidade nuclear militar, pela força ou por acordo. Também é favorável aos assentamentos na Cisjordânia, desde que sejam “legais”, disse ele ao Canal 7 de Israel.
Os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, que tiraram Netanyahu do poder em 2021, e o ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman também aparecem como possíveis rivais.
O que vem depois da votação?
Se as pesquisas se confirmarem, nem Netanyahu nem Eisenkot terão sozinhos os 61 assentos necessários. A formação do governo dependerá de negociações entre os partidos eleitos para reunir essa maioria no Knesset.



