O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia nomear o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ministro da Fazenda caso seja reeleito, para tentar atrair eleitores de centro no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A informação é da agência Reuters e foi reproduzida pela Folha de S.Paulo e pela CNN Brasil.
Duas pessoas com conhecimento do assunto, que falaram sob anonimato, afirmaram que a proposta ainda está em discussão. O Palácio do Planalto não respondeu ao pedido de comentário.
Como funcionaria o arranjo
Alckmin continuaria na vice-presidência e também assumiria a Fazenda no próximo ano. A ideia é consolidar a autoridade dele sobre a política econômica.
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Segundo as fontes da Reuters, o arranjo daria força a Alckmin porque ele seria visto como alguém que não poderia ser demitido do posto. Em 2022, Lula também chegou a considerar o então vice eleito para a pasta, mas, depois de vencer a eleição, escolheu o petista Fernando Haddad.
Por que a proposta surge agora
O primeiro turno foi no domingo (4), e Lula terminou atrás de Flávio Bolsonaro. Os números de votos válidos, citados pelo Estadão:

- Flávio Bolsonaro: 47,03%
- Lula: 45,16%
O resultado contrariou a maior parte das pesquisas, que indicavam uma vantagem apertada para o presidente. Somado à eleição de um Congresso majoritariamente de direita, ele provocou forte alta da Bolsa nesta segunda-feira (5). Segundo a Reuters, investidores apostaram que um governo Flávio teria mais chance de aprovar uma consolidação fiscal rápida, com respaldo no Legislativo.
O peso da dívida pública
Desde o início do atual mandato de Lula, a dívida bruta do país subiu mais de 10 pontos percentuais do PIB (Produto Interno Bruto) e chegou a 82,9%. A Folha e a Reuters descrevem esse número como um dos principais pontos vulneráveis do presidente, mesmo com inflação abaixo da média histórica, desemprego em mínimas e avanço dos salários reais.
De acordo com as fontes, Alckmin na Fazenda poderia atrair eleitores preocupados com a credibilidade fiscal que relutam em apoiar Flávio, mas estão frustrados com o que consideram uma guinada populista do governo.
Há divisão dentro da campanha?
Sim. Segundo um integrante do governo ouvido pelo Estadão, uma ala da campanha defende a indicação para atrair o centro, mas a estratégia não é unânime.
Interlocutores ouvidos pelo jornal afirmam que a ideia nem teria sido apresentada à ala econômica da campanha. Nesse grupo, a avaliação é que o problema não está na economia e que Alckmin agregaria pouco a Lula neste estágio, porque a presença dele em um eventual próximo governo já estaria precificada.

O Estadão também lembra que a presença de Alckmin em agendas no interior de São Paulo não se converteu em votos. Lula teve 10,5 milhões de votos no primeiro turno de 2022 e 9,5 milhões neste domingo, um milhão a menos.
Quem é Alckmin
Ex-tucano, Alckmin governou São Paulo quatro vezes e disputou a Presidência contra Lula em 2006. Ganhou destaque no atual governo nas negociações com os Estados Unidos após as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. Ele acumulou a vice-presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) até o prazo de desincompatibilização para as eleições de 2026. A Folha o descreve como atual ministro da pasta; CNN Brasil e Estadão informam que ele deixou o cargo.
É visto como moderado e com trânsito entre empresários, embora críticos afirmem que sua influência foi ofuscada por políticas consideradas inclinadas à esquerda.
Em pronunciamento no domingo, segundo O Globo, Lula citou Alckmin oito vezes. Uma das falas: “Ninguém neste país tem autoridade moral para falar de política fiscal e seriedade fiscal para mim e para o Alckmin”. O próprio Alckmin afirmou que o segundo turno “é uma nova eleição” e disse que vai conversar com eleitores de todos os outros candidatos.
De acordo com O Globo, a campanha pretende dar mais protagonismo ao vice na etapa final da disputa, inclusive com mais aparições dele no horário eleitoral na televisão.



