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MPT-RJ apura carta do Zona Sul a funcionários que pede “voto consciente”

Documento assinado pelo presidente da rede não cita candidatos, mas fala em "esgotamento" do país. Sindicato dos Comerciários foi à Justiça; a empresa não se manifestou.

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Resumo rápido

  • MPT-RJ registrou Notícia de Fato para apurar carta do Zona Sul a funcionários, às vésperas da eleição
  • A carta não cita candidatos, mas defende "mudança de postura, de prioridades e de modelo"
  • Sindicato dos Comerciários foi à Justiça; a rede não se manifestou até a publicação

O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) registrou uma Notícia de Fato para apurar a carta que a rede de supermercados Zona Sul enviou aos funcionários às vésperas da eleição. O órgão informou o registro nesta sexta-feira (23), de acordo com a Agência Brasil.

O documento, assinado pelo presidente da empresa, defende o “voto consciente” e uma mudança no país. Segundo as reportagens, ele não cita nominalmente nenhum candidato.

O que diz a carta

A carta foi revelada pelo colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo. Nela, o autor afirma que o Brasil vive um “esgotamento ético”, um “esgotamento moral” e um “esgotamento do modelo”, este último descrito como político, econômico e institucional.

Leia também: Eleição no exterior: quem vota no 2º turno, horários e como justificar · 2,9 milhões de eleitores do ES votam para governador neste domingo (25), das 8h às 17h

O texto cita “responsabilidade fiscal”, “segurança jurídica” e “instituições confiáveis”. Diz que “o País precisa de uma mudança de postura, de prioridades e de modelo” e termina afirmando que “um país não se transforma verdadeiramente sem antes reconhecer que chegou a hora de mudar”.

Supermercado Zona Sul, no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro
Supermercado Zona Sul, no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro (imagem ilustrativa) Foto: Eduardo P, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Quem denunciou

O vereador Rick Azevedo (Psol), eleito deputado federal, denunciou a carta. Ele classificou o documento como assédio eleitoral. “Isso é assédio eleitoral. Cadê o TSE?”, disse o parlamentar.

O Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro também entrou com ação na Justiça contra a rede. Segundo o presidente da entidade, Márcio Ayer, o poder de direção da empresa serve para gerenciar e organizar a atividade econômica, e não para “constranger trabalhadores” nem “impor posicionamentos ideológicos”. O sindicato pede penalidades e medidas corretivas. De acordo com o Diário do Rio, o caso também foi encaminhado ao MPT-RJ.

Em nota, o sindicato afirmou que “patrão nenhum é dono da consciência política de seus funcionários” e citou o fim da escala 6×1 entre os direitos trabalhistas em disputa.

O que diz o Zona Sul

A rede não se manifestou. A Agência Brasil e o Diário do Rio informaram que não conseguiram contato ou retorno da empresa, e o Terra registrou que ela não se pronunciou. O espaço segue aberto para a versão do Zona Sul.

Não há conclusão divulgada sobre a apuração do MPT-RJ, e a empresa não foi responsabilizada até o momento.

Sede do Ministério Público do Trabalho em Juazeiro do Norte (CE)
Sede do Ministério Público do Trabalho em Juazeiro do Norte (CE) (imagem ilustrativa) Foto: Joelkaula, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Caso parecido em Salvador

Na mesma semana, a Rede Mix, de Salvador, também foi alvo de apurações do MPT. Segundo o Terra, a empresa obrigou funcionários a vestir camisa com o número 22, supostamente em comemoração aos 22 anos da marca. O número é o de campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Uma liminar do MPT proibiu a empresa de exigir o uso da camisa, sob multa diária de R$ 50 mil. Na decisão, a procuradora Manuella Gedeon afirmou que a campanha de aniversário foi intensificada perto da eleição, o que deu margem ao entendimento de que a ação buscava influência político-eleitoral.

Nos dois casos, segundo o Terra, o MPT entende que a atitude da empresa pode constranger ou influenciar os funcionários por meio de uma posição política. O sindicato lembra que o voto é secreto e orienta que denúncias sejam feitas por seus canais oficiais ou diretamente ao MPT.

A ação do sindicato segue na Justiça, e o Zona Sul ainda pode apresentar sua versão.

Fontes consultadas

O GLOBO — Supermercados Zona Sul distribui carta aos funcionários em defesa do 'voto consciente' e da 'necessidade de mudar' Terra — MPT investiga supermercado que enviou carta a funcionários sobre 'voto consciente' e que pedia mudança no Brasil Diário do Rio — Sindicato dos Comerciários aciona Zona Sul na Justiça por prática de assédio eleitoral contra funcionários Agência Brasil — MPT apura carta de supermercado a funcionários com teor eleitoral

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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