Foto oficial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (imagem ilustrativa) Foto: Governo do Estado de São Paulo, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Resumo rápido
Datafolha projeta a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo já no 1º turno
Com 17,25% das urnas apuradas, ele tinha 66,6% dos votos; Fernando Haddad (PT), 32,57%
Segurança pública, transporte e saneamento estão entre os desafios do novo mandato, segundo a Folha
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), 51, foi reeleito em São Paulo no primeiro turno, de acordo com projeção do Datafolha divulgada neste domingo (4). O principal adversário dele, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), ficou para trás.
A informação é uma projeção, não o resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O instituto acompanha a apuração divulgada pelo TSE e usa um sistema próprio que agrupa eleitores por mesorregião e tipo de município. Quando há votos suficientes nesses grupos, é possível estimar que um candidato não pode mais ser ultrapassado.
Qual era a margem de vantagem
No momento em que o Datafolha projetou a vitória, 17,25% das urnas haviam sido apuradas. Tarcísio somava 66,6% dos votos, e Haddad, 32,57%.
A última vez que a disputa paulista terminou no primeiro turno foi em 2014. Na ocasião, Geraldo Alckmin, então no PSDB e candidato à reeleição, teve 12,2 milhões de votos, ou 57,31% dos válidos.
Por que Tarcísio venceu, segundo a Folha
A Folha de S.Paulo descreve uma campanha monótona. Segundo o jornal, o governador, bem avaliado, reduziu a exposição para não cometer erros, e Haddad não superou suas limitações num estado de maioria antipetista. Na reta final, 47% da população aprovava a gestão de Tarcísio, de acordo com o Datafolha.
Tarcísio contou com o apoio de todos os partidos da centro-direita. Até sexta-feira (2), segundo dados declarados ao TSE, contratou R$ 25,1 milhões em despesas de campanha, 79% a mais que os R$ 14 milhões de Haddad.
Nos dois debates de que participou, o governador evitou falar de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Segundo a Folha, ele manteve a proximidade com o filho de Jair Bolsonaro no nível mínimo necessário para preservar as alianças com o bolsonarismo.
“A gente procurou fazer uma campanha leve, uma campanha propositiva”
Tarcísio de Freitas participa de leilão de PPP do novo centro administrativo, na B3, em São Paulo (foto de arquivo, 26/02/2026) Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
A frase é de Tarcísio, dita na quinta-feira (1º), em Carapicuíba, na região metropolitana da capital.
A propaganda destacou a retomada de obras paradas, como o trecho norte do Rodoanel e as linhas 17-Ouro e 6-Laranja do metrô, além de entregas de habitação e do programa Tabela SUS Paulista. Nenhuma das obras estava concluída quando a campanha começou, mas etapas parciais bastaram para alimentar as peças publicitárias.
O que Tarcísio promete para o segundo mandato
Trem entre São Paulo e Campinas
Novo centro administrativo em Campos Elíseos, com R$ 6 bilhões em investimentos só na fase de obras, transferência de 22 mil servidores e restauro de 17 imóveis tombados
Túnel Santos-Guarujá
Duas linhas de metrô: uma até Guarulhos, outra até o ABC
Quais são os principais desafios
A Folha aponta como desafio a presença pulverizada do Primeiro Comando da Capital (PCC), da periferia a setores da administração pública. Roubos de celulares e violência contra a mulher também pesam na avaliação da gestão.
Na capital, os boletins de ocorrência registram média diária de 270 furtos e 146 roubos de celulares. No estado, os feminicídios subiram 20% na atual gestão, de 142 para 170 casos, e os registros de maus-tratos contra mulheres mais do que dobraram.
No transporte, o trem entre São Paulo e Campinas precisa superar desapropriações e o compartilhamento de vias com trens de carga. Para Ana Patrizia Lira, da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), expandir a malha também exige fontes estáveis de recursos.
No saneamento, a avaliação dependerá da universalização do tratamento de esgoto até 2029. Analistas urbanos ouvidos pelo jornal alertam que a requalificação do centro da capital deve garantir habitação popular, para não apenas deslocar a população mais pobre.
Segundo a Folha, os aliados mais próximos de Tarcísio evitaram falar sobre a divisão de poder no segundo mandato.