O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou US$ 15 bilhões em apoio a produtores agrícolas. Mais da metade desse valor deve compensar o gasto com diesel, e entre as medidas também está a compensação dos custos de fertilizantes, segundo o Estadão.
O pacote tem um pano de fundo político, de acordo com o jornal. Os republicanos veem ameaçado o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato, e as cadeiras em estados agrícolas, tradicionalmente do partido, estão em risco. Trump fez visitas oficiais ao Iowa e ao Kansas nas últimas semanas.
Para onde vai o dinheiro
Segundo o Estadão, o governo anunciou os seguintes itens:
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- ao menos US$ 5 bilhões em empréstimos garantidos para pecuaristas e pescadores;
- US$ 1,8 bilhão para proprietários de terras que participaram de programas de conservação;
- US$ 573 milhões para projetos de fabricação de fertilizantes;
- US$ 86,6 milhões em subsídios a projetos inovadores de produtores de culturas especiais;
- US$ 57 milhões para expandir frigoríficos.
Há ainda outros US$ 13,8 bilhões planejados para cobrir os prejuízos da safra do ano passado de milho, soja, trigo e arroz. A reportagem não informa de onde sairão os recursos nem quando os pagamentos começam.
Por que o campo pediu ajuda
Fertilizantes e combustível mais caros reduziram a margem de lucro dos agricultores americanos, e o ano foi especialmente difícil para o setor. Na sexta-feira (30), o diesel custava em média US$ 6,32 por galão, 70% a mais que um ano antes.
A política econômica do próprio Trump também pesou, segundo a reportagem. O “tarifaço” do ano passado encareceu os equipamentos agrícolas, e a guerra comercial com a China resultou em um quase boicote aos produtos agrícolas dos EUA.
Gregg Ibendahl, especialista em gestão agrícola da Universidade Estadual do Kansas, considera o valor “mais do que suficiente” para cobrir o diesel e diz que ele pode aliviar o custo dos fertilizantes. Para ele, o dinheiro pode salvar o lucro deste ano, mas não resolve os problemas do setor. “É difícil ir ao seu credor na próxima primavera e dizer: ‘Bem, as coisas estão indo muito bem este ano, mas tudo isso se deve a esses pagamentos extras do governo’”, disse.
Qual é o peso eleitoral
Alexandra Middlewood, professora de ciências políticas da Universidade Estadual de Wichita, disse ter ouvido reações mistas. Os agricultores ficaram aliviados por manter os negócios, mas veem os programas como socorros pontuais.
Michael Smith, professor de ciências políticas da Emporia State University, afirmou que muitos eleitores rurais gostam de Trump, mas que algumas políticas prejudicaram o setor. Ele citou as deportações de imigrantes, que ameaçaram a mão de obra no campo, e os cortes na ajuda externa e nos vales-alimentação do programa SNAP.
“O próprio Trump não está na cédula eleitoral este ano. Suas políticas é que estão.”
A frase é de Smith, segundo o Estadão. Para o jornal, os eleitores rurais, incluindo agricultores e quem depende da economia do campo, são um grupo eleitoral essencial para Trump.



