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Eleições 2026

TSE libera transporte de eleitores indígenas no 2º turno sem aval prévio de cada viagem

Nunes Marques voltou atrás no sábado após pedido da PGR; governo federal diz que transporte gratuito cobre comunidades tradicionais no domingo (25).

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Resumo rápido

  • Nunes Marques retirou no sábado (24) a exigência de aprovação judicial para cada operação de transporte de eleitores indígenas
  • Pedidos de transporte gratuito são feitos em solicitetransporte.serpro.gov.br, e a análise começa mesmo sem todos os dados
  • Sem transporte direto, o governo pode ressarcir despesas, desde que haja autorização prévia e comprovação dos gastos

O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), voltou atrás e permitiu que órgãos federais transportem eleitores indígenas neste domingo (25) sem que cada viagem precise de aprovação individual de um juiz eleitoral. A nova decisão foi publicada no sábado (24).

Na sexta-feira (23), o próprio ministro havia determinado que cada operação fosse aprovada antes pela Justiça Eleitoral. A decisão pedia ainda a identificação dos veículos ou embarcações, dos condutores, das rotas, das paradas e dos horários.

O que muda para quem vai votar

Pela nova decisão, ficam liberadas as operações de transporte feitas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e por outros órgãos federais em áreas remotas. Barcos das próprias comunidades também entram, com combustível custeado ou ressarcido pelo plano do governo.

Leia também: PGR pede ao STF que derrube exigência de juiz para transporte de indígenas no 2º turno · Eleitor pode consultar local de votação do 2º turno no site do TSE e no e-Título

A mudança veio depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendesse parte da decisão de sexta. O procurador-geral, Paulo Gonet, argumentou que a exigência, feita tão perto da votação, criava dificuldades operacionais e poderia inviabilizar a logística. Segundo a PGR, parte dos deslocamentos, sobretudo os fluviais, precisava começar já no sábado.

Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, durante o início da apuração dos votos das eleições de 2026
Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, durante o início da apuração dos votos das eleições de 2026 (foto de arquivo, 04/10/2026) Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Na noite de sábado, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, acatou o pedido da PGR, segundo o InfoMoney.

Por que a PGR foi ao Supremo

No primeiro turno, em 4 de outubro, a abstenção entre eleitores indígenas foi de 26%, contra média nacional de 20%, de acordo com a PGR.

O pedido da PGR cita o caso do Vale do Javari, no Amazonas. Em 20 de outubro, a Justiça Eleitoral de Atalaia do Norte negou um pedido de transporte fluvial para eleitores de 43 aldeias. Segundo o tribunal, o pedido foi apresentado fora do prazo e sem cumprir etapas burocráticas, como a instalação da Comissão Especial de Transporte. O TRE-AM também citou falta de previsão orçamentária específica e inviabilidade logística.

Dois dias depois, uma reunião com representantes da Justiça Eleitoral, do Ministério Público Eleitoral, da prefeitura e de uma organização indígena definiu uma alternativa: combustível fornecido por diferentes instituições e uso das embarcações das próprias famílias.

Na decisão de sexta, o ministro entendeu que comunicar itinerários, horários e pontos de embarque não seria suficiente para tratar os veículos como serviço da Justiça Eleitoral, segundo o G1.

Urna eletrônica brasileira modelo UE2020
Urna eletrônica brasileira modelo UE2020 (imagem ilustrativa) Foto: TSE – Tribunal Superior Eleitoral, via Wikimedia Commons (CC0)

Como pedir o transporte gratuito

O governo federal informou, em comunicado divulgado no sábado, que o plano cumpre decisão da 5ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Pará, com abrangência nacional. Segundo o comunicado, a Justiça Federal aprovou o plano e o TSE o validou.

O atendimento vale para indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e assentados da reforma agrária com dificuldade de chegar aos locais de votação. Comunidades e organizações da sociedade civil devem fazer o pedido com urgência no endereço solicitetransporte.serpro.gov.br. O formulário pede:

  • nome da comunidade e do município;
  • trajeto;
  • número estimado de eleitores;
  • necessidades de apoio.

Segundo o comunicado, a falta de alguma dessas informações não impede o início da análise. O transporte pode ser terrestre ou fluvial, conforme a necessidade de cada comunidade e a disponibilidade de recursos. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também dará apoio logístico.

E se o transporte direto não for possível

Quando o governo não conseguir levar o eleitor diretamente, poderá ressarcir despesas. Para isso, é preciso pedir e obter autorização antes, e comprovar os gastos depois. Não foram divulgados o custo total da operação nem o número de comunidades que serão atendidas.

O atendimento depende da articulação entre órgãos federais, Justiça Eleitoral e prefeituras. A votação vai das 8h às 17h, no horário de Brasília, e quem estiver na fila às 17h ainda pode votar.

Fontes consultadas

Exame — Governo garante transporte gratuito para indígenas votarem no 2º turno G1 — PGR pede ao STF para derrubar exigência de autorização prévia para transporte de indígenas no 2º turno InfoMoney — TSE reconsidera decisão e retira restrições de transporte de indígenas para votação Jovem Pan — TSE reconsidera decisão e retira restrições de transporte de indígenas para votação no 2º turno

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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