O pernambucano Rafael Câmara, de 21 anos, deve estrear como titular da Haas na Fórmula 1 no GP de São Paulo, em Interlagos, e correr também o GP de Las Vegas. A informação foi publicada nesta terça-feira (3) pelo GE e pelo Voando Baixo, que dizem ter apurado o caso em primeira mão.
Câmara ocuparia a vaga do francês Esteban Ocon. Segundo o GE, a equipe americana vai rescindir o contrato de Ocon após desentendimentos durante o GP da Cidade do México.
Por que a estreia foi antecipada?
Câmara já havia sido anunciado em outubro como titular da Haas para 2027. De acordo com o GE, a chance de correr ainda em 2026 surgiu com a saída de Ocon e com um conflito de agenda do japonês Ryo Hirakawa, que pilotou o carro no México, terminou em 10º lugar e marcou um ponto.
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Hirakawa, de 32 anos, é titular do carro #8 da Toyota no Mundial de Endurance (WEC). Segundo fontes da montadora, ouvidas pelo GE, ele já está a caminho de Milão e disputa neste fim de semana as 6h de Monza, na Itália, onde pode conquistar o tricampeonato. A trinca formada por ele, Sébastien Buemi e Brendon Hartley tem 17 pontos de vantagem sobre o rival mais próximo.
Ele vai correr só duas etapas?
Sim, segundo o GE. Câmara lidera a Fórmula 2 e não deve correr no Catar nem em Abu Dhabi, etapas que coincidem com as da categoria de base. Hirakawa deve voltar ao carro nas provas finais, se elas forem confirmadas. Também há a possibilidade de a temporada terminar em Imola, o que reduziria o calendário de 2026 para 22 corridas.
Se estrear em Interlagos, Câmara será o sétimo brasileiro a fazer a primeira corrida de F1 no país. Antes dele, isso aconteceu com Luiz Pereira Bueno, Ingo Hoffmann, Alex Dias Ribeiro, Ayrton Senna, Mauricio Gugelmin e Tarso Marques. Ele seria o 34º brasileiro a correr na categoria.
O que dizem Haas e Ferrari?
Em coluna publicada também nesta terça, o UOL descreveu a situação da Haas como totalmente incerta. Segundo o site, a equipe não havia confirmado oficialmente a situação de Ocon até segunda-feira (2), e representantes de Câmara afirmavam não ter recebido contato do time. O UOL apurou que o piloto estava pronto para correr em São Paulo se fosse chamado pelo chefe da Haas, Ayao Komatsu.
O UOL também citou outros caminhos para a equipe: Hirakawa poderia voltar em três etapas finais (Las Vegas, Catar e Abu Dhabi), e o reserva Jack Doohan, que como Câmara nunca pilotou o carro atual da Haas, poderia fazer a etapa brasileira. Isso diverge do que informa o GE, que dá Câmara como titular em São Paulo e em Las Vegas.
Câmara faz parte da academia de jovens pilotos da Ferrari e estava escalado para o primeiro treino livre em Interlagos pela equipe italiana. Ao UOL, o chefe da Ferrari, Fred Vasseur, disse que nunca comentaria o que aconteceu com a Haas. Sobre o brasileiro, afirmou: “Quero apoiar o Rafael. Ele fez um ótimo trabalho este ano na F2”.
Como foi o teste em Portugal?
Em agosto, Câmara andou com o VF-25, carro da temporada passada, no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, nos dias 27 e 28. Ele dividiu a pista com Hirakawa e com o italiano Leonardo Fornaroli, atual campeão da F2. Segundo o GE, o brasileiro ficou cerca de 0s2 à frente de Oliver Bearman, titular da Haas, usado como referência. Também superou Fornaroli em quase 0s4 e Hirakawa em 0s7.
O próprio GE lembra que tempos de teste privado variam com vento e temperatura do asfalto. Na apresentação do piloto, Komatsu disse que Câmara “mostrou mais do que velocidade pura” e se adaptou sem muito tempo para aprender o carro.
O Bradesco, patrocinador do brasileiro, deve anunciar nesta quinta-feira (5) um acordo com a Haas para 2027. Segundo o GE, a parceria pode começar a valer já em Interlagos. O prazo da F1 para confirmar as etapas de Catar e Abu Dhabi termina na segunda-feira seguinte ao GP de São Paulo, de acordo com o UOL.



