Eva Marie Saint, uma das últimas sobreviventes da era de ouro de Hollywood, morreu nesta terça-feira (6), aos 102 anos, de causas naturais, em sua casa em Los Angeles. A informação foi dada por um porta-voz da família.
Nascida em 1924 em Nova Jersey, numa família quacre, Saint começou a carreira como atriz de rádio e TV. Em 1949, a revista Life dedicou uma reportagem às dificuldades dela para se firmar no meio e escreveu que seu nome poderia um dia ser conhecido em todos os lares. Em 1953, ela atuou na transmissão original e na estreia na Broadway da peça “The Trip to Bountiful”, de Horton Foote.
Como ganhou o Oscar na estreia no cinema
Saint contou ao Santa Barbara Independent que o diretor Elia Kazan a viu em “The Trip to Bountiful” e a chamou para um teste: improvisar uma cena com Marlon Brando. Ela disse ter achado a experiência difícil, mas recebeu o papel de Edie Doyle, interesse amoroso do personagem de Brando em “Sindicato de Ladrões” (On the Waterfront, 1954), drama sobre a ação da máfia em sindicatos.
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Foi sua estreia no cinema. Ela ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 1955.
Os filmes que marcaram sua carreira
Depois do prêmio, Saint passou a receber papéis de protagonista em filmes variados. Atuou ao lado de Bob Hope em “That Certain Feeling”, em “A Hatful of Rain”, de Fred Zinnemann, e em “Raintree County”, com Elizabeth Taylor.
Em 1959, interpretou a agente secreta Eve Kendall ao lado de Cary Grant em “Intriga Internacional” (North by Northwest), de Alfred Hitchcock. Em entrevista à TCM, disse que conseguiu o papel, em parte, por ter ido a um almoço com Hitchcock usando luvas bege e brancas.

Nos anos 1960, ela reduziu o ritmo de trabalho para cuidar dos filhos pequenos, mas seguiu em cena. Entre os filmes da década estão:
- “Exodus” (1960), como a enfermeira americana Kitty Fremont;
- “All Fall Down” (1962), ao lado de Warren Beatty;
- “The Sandpiper” (1965), no papel da mulher de Richard Burton;
- “Grand Prix” (1966), como jornalista que tem um caso com o piloto de corrida vivido por Yves Montand.
Apesar da boa recepção da crítica a “Loving” (1970), os papéis no cinema ficaram escassos nos anos 1970 e 1980. Ela passou a trabalhar mais em filmes para a TV e em participações especiais.
A volta aos cinemas e a carreira na TV
Em 1986, Saint reapareceu na comédia “Nothing in Common”, com Tom Hanks e Jackie Gleason. Em 2005, fez a mãe de Sam Shepard em “Don’t Come Knocking”, de Wim Wenders. No ano seguinte, foi escalada como Martha Kent, mãe adotiva de Superman, em “Superman Returns”.
No filme de 2006, ela voltou a contracenar com Brando. O espólio do ator, morto em 2004, autorizou o uso de imagens de 1978.
Na TV, Saint ganhou o Emmy de melhor atriz coadjuvante pela minissérie “People Like Us”, de 1990. Seu último papel nas telas foi em “Winter’s Tale”, como irmã do personagem de Colin Farrell.
Ela se casou com Jeffrey Hayden em 1951 e teve dois filhos. O casal ficou junto até a morte dele, em 2016.



