O Ministério Público da Bahia (MP-BA) pediu à Justiça a condenação do apresentador Marcelo Castro, do Alô Juca (TV Aratu), a prisão em regime inicialmente fechado. Ele é réu sob acusação de liderar um grupo que teria desviado doações feitas por Pix a pessoas em situação de vulnerabilidade.
O pedido consta das alegações finais do MP, apresentadas antes do julgamento. Se a recomendação for acolhida, a pena poderá chegar a 61 anos, número que resulta da soma dos limites máximos previstos para cada crime.
Qual é a diferença entre o pedido do MP e os 61 anos?
Segundo nota do MP-BA enviada ao R7, as alegações finais foram apresentadas em agosto. O órgão pede a condenação por apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de capitais, com penas fixadas acima do mínimo legal em cada caso.
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Os veículos descrevem o pedido de forma diferente: o Bahia Econômica e a Folha falam em pena máxima, enquanto o R7 informa que o total de 61 anos só vale se forem somados os máximos de cada delito. Na nota, o MP-BA afirma que “a dosimetria das penas caberá ao Poder Judiciário, que ainda não julgou o caso”.
Como funcionaria o esquema, segundo a acusação
De acordo com a acusação, Castro pedia doações nas reportagens, mas informava uma chave Pix diferente da usada pela família ou trocava o código correto durante a exibição. O MP afirma ter identificado 12 casos com o mesmo modo de agir.

O órgão aponta Castro como principal beneficiário dos desvios, com base em uma investigação de três anos. No documento, o MP diz:
“As provas coligidas evidenciam que os valores recebidos em razão da confiança depositada pelos doadores não foram integralmente empregados nas finalidades anunciadas, mas incorporados ao patrimônio dos acusados ou repartidos entre os integrantes do grupo criminoso.”
O MP também sustenta que as operações financeiras serviram para dar aparência de legalidade aos recursos desviados.
Quanto foi arrecadado e quanto teria sido desviado
As investigações indicam que mais de R$ 540 mil foram arrecadados em doações. Segundo o Bahia Econômica, cerca de R$ 410 mil, o equivalente a 75% do total, teriam sido apropriados pelo grupo. O R7 cita cerca de R$ 407 mil.
Os R$ 135,9 mil restantes teriam sido repassados a quem pediu ajuda. O valor total desviado aparece de formas diferentes nas reportagens: mais de R$ 500 mil no Bahia Econômica e mais de R$ 400 mil no R7.
O R7 situa os fatos entre setembro de 2022 e fevereiro de 2023, período em que Castro era repórter do Balanço Geral Bahia, da Record.

Como o caso veio à tona
Em março de 2023, o jogador Anderson Talisca decidiu doar R$ 70 mil depois de assistir a uma reportagem sobre uma criança em tratamento contra o câncer. Um assessor do atleta notou que a chave Pix passada por Castro, que pertencia a um familiar da criança, era diferente da exibida na televisão.
A Record Bahia abriu um procedimento interno e protocolou notícia-crime para que a polícia investigasse. Dias depois, demitiu Castro e Jamerson Oliveira.
Oliveira, hoje editor-chefe de Castro no Alô Juca, é apontado como principal parceiro do apresentador no suposto esquema. O MP pediu a condenação dele e de outras 10 pessoas por organização criminosa, além de R$ 1 milhão em indenização por danos materiais às vítimas.
O que diz a defesa
Procurado pela coluna F5, da Folha de S.Paulo, Castro negou envolvimento com organização criminosa. Por meio da defesa, afirmou que o dinheiro foi repassado às pessoas que pediam ajuda. O R7 informou que não obteve retorno do apresentador.
A defesa de Oliveira é a mesma de Castro e não respondeu aos contatos por WhatsApp. Os acusados são considerados inocentes até eventual condenação, e a Justiça ainda não julgou o caso.



