Um ataque cibernético atingiu centenas de supermercados na França na madrugada de segunda-feira (12). Hackers elevaram a temperatura de geladeiras e congeladores, e as lojas precisaram descartar alimentos frescos e congelados. Ainda não está claro quem está por trás da ação.
Segundo a BBC, o prejuízo pode chegar a milhões de euros. A Procuradoria francesa abriu investigação específica sobre crimes cibernéticos.
Quantas lojas foram atingidas?
Não há número fechado. O ministro francês das Finanças, Roland Lescure, falou em cerca de 700 estabelecimentos afetados. Já a soma dos dados divulgados pelas próprias redes indica cerca de 400 lojas, de um total aproximado de 15 mil no país, segundo a BBC.
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Entre as redes que informaram ocorrências:
- Coopérative U: mais de 100 supermercados foram alvo do ataque.
- Intermarché e Netto: 180 lojas foram afetadas, e outras 100 foram desconectadas da internet às pressas para evitar o mesmo problema.
- Carrefour: os sistemas de refrigeração de 80 das suas 6 mil lojas foram comprometidos.
- Monoprix: 5% das mais de 400 lojas foram atingidas, e os produtos sem garantia de integridade saíram de venda.
A E.Leclerc também aparece entre as redes atingidas.
O que aconteceu com as geladeiras?
Os congeladores de supermercado costumam passar por um breve degelo à noite, com pequena alta de temperatura. Nesse caso, os invasores fizeram as unidades esquentarem e permanecerem quentes.
O Intermarché informou, segundo a agência Reuters, que seus equipamentos chegaram a 50°C durante seis horas na madrugada. A Danfoss não confirmou a temperatura que os aparelhos poderiam atingir. A emissora BFMTV exibiu um freezer de sorvetes marcando 26,5°C.
Gerentes que chegaram às lojas pela manhã sentiram ar quente saindo dos congeladores, e houve pequenos focos de incêndio em alguns locais. Segundo o Grupo Mousquetaires, dono do Intermarché e do Netto, alguns balcões de frescos e congelados ainda estavam fora de serviço na tarde de segunda-feira.

Quanto custou o ataque?
Não foi divulgado um balanço nacional. A BFMTV relatou que dois supermercados na Alsácia somaram prejuízo de 270 mil euros (R$ 1,5 milhão). Com base nesse dado, a BBC afirma que o prejuízo no país pode chegar a milhões.
O que dizem a Danfoss e o governo francês?
A Danfoss afirmou que os equipamentos atingidos eram modelos mais antigos, e que o programa de segurança deles não pôde receber a atualização que evitaria um risco já identificado pela empresa. Em comunicado, a companhia disse que aconselha há muito tempo os clientes a manterem os sistemas em dia.
A agência francesa de cibersegurança recomendou que as empresas com esses modelos os desconectem da internet ou restrinjam o acesso a eles, além de instalar atualizações. O Ministério Público de Paris classificou o caso como um ataque em larga escala.
O diretor-executivo da Coopérative U, Dominique Schelcher, considerou a ação inaceitável e pediu investigação. O comissário europeu para a Alimentação, Christophe Hansen, afirmou no X que a segurança alimentar exige mais atenção.
Outros aparelhos conectados também correm risco?
Especialistas ouvidos pela AFP dizem que o problema vai além dos supermercados. Equipamentos industriais que antes ficavam isolados passaram a ser conectados à internet para monitoramento remoto, o que abre brechas, explicou Antoine Hautin, da consultoria Almond. Segundo a reportagem da DW, especialistas alertam que geladeiras, câmeras de segurança e carros conectados também podem sofrer ataques parecidos.
Olivier Daloy, da Zscaler, classifica o caso como um ataque à internet das coisas (IoT), formada por máquinas sem tela nem teclado que podem ser acessadas pela rede. Ele aponta duas hipóteses para a invasão: a exploração de uma falha técnica ou o uso de credenciais roubadas.
Para Daloy, o risco imediato é o desperdício de alimentos. Ele avalia que um segundo risco é um impacto físico, com perigo de incêndio.
A investigação da Procuradoria francesa segue em andamento, e a dimensão total do ataque ainda não foi esclarecida.



