Os espanhóis vão às urnas em 29 de novembro de 2026, nove meses antes do fim da legislatura. O Boletín Oficial del Estado (BOE) publicou nesta terça-feira (6) o Real Decreto 806/2026, assinado pelo rei Felipe VI a pedido do primeiro-ministro Pedro Sánchez, que dissolve o Congresso dos Deputados e o Senado eleitos em 23 de julho de 2023 e convoca novas eleições para as duas Casas.
O anúncio foi feito por Sánchez na segunda-feira (5), em declaração oficial, depois de uma derrota no Parlamento na área que hoje mais mobiliza o país: o preço da moradia.
Por que Sánchez antecipou a eleição?
Na sexta-feira (2), o Congresso derrubou dois decretos de emergência do governo sobre habitação. Um tratava da proteção contra despejos; o outro, da estabilidade dos contratos de aluguel. Segundo a imprensa espanhola, o pacote previa, entre outras medidas, prorrogar por dois anos os contratos que vencem antes de 2028.
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Votaram contra o Partido Popular (PP), o Vox e o Junts, partido independentista catalão que até então vinha sendo um apoio importante para a coalizão de Sánchez. O Junts argumentou que as regras reduziriam a oferta de imóveis para alugar e acabariam empurrando os preços para cima.
Com a derrota, Sánchez disse que precisa de uma maioria “muito mais ampla” para governar. Ele também admitiu que “ainda restam muitas injustiças a corrigir”.

Quem é Maricarmen, a idosa que virou símbolo da crise
Os decretos ficaram conhecidos na Espanha como “decreto Maricarmen”. O apelido vem de uma moradora de 87 anos do bairro do Retiro, em Madri, despejada no fim de setembro do apartamento onde vivia havia 70 anos. O imóvel pertence a um fundo de investimento, que exigia dela um aluguel de 1.650 euros, segundo o jornal catalão Ara.
O caso provocou manifestações em Madri nos dias 26 e 27 de setembro, com ato na Puerta del Sol e acampamento na praça, e concentrações de apoio em outras cidades, como Burgos, León, Córdoba e Almería.
Como fica o calendário eleitoral?
O decreto publicado no BOE fixa as datas principais:
- 6 de outubro: Congresso e Senado ficam dissolvidos;
- 13 de novembro (0h): começa a campanha eleitoral, que dura 15 dias;
- 27 de novembro (24h): fim da campanha;
- 29 de novembro (domingo): dia da votação;
- 23 de dezembro, às 10h: sessões de instalação das novas Cortes.
Serão eleitos os 350 deputados do Congresso, distribuídos por 52 circunscrições. As maiores bancadas são as de Madri (38 cadeiras) e Barcelona (32). No Senado, cada província elege quatro senadores, com regras próprias para as ilhas e para Ceuta e Melilla.

Até a posse dos novos parlamentares, funciona a Diputación Permanente, órgão reduzido do Congresso. Segundo o SBT News, o governo pretende tentar aprovar ali as medidas de moradia, onde teria maioria apertada de um voto.
O que dizem as pesquisas?
O cenário não é favorável aos socialistas. Levantamentos de setembro citados pelo jornal português Observador davam ao PP entre 31% e 34% das intenções de voto, contra 25% a 27% do PSOE, partido de Sánchez. Segundo o SBT News, as pesquisas apontam como desfecho mais provável um governo do PP com apoio do Vox.
Sánchez está no poder há oito anos, sempre apoiado em coalizões frágeis. Desde 2023, o governo não conseguiu aprovar um Orçamento no Parlamento e aprovou poucas leis.
O que disseram os adversários
- Alberto Núñez Feijóo (PP): comemorou a convocação. “Finalmente poderá ir embora quem nunca deveria ter chegado tão longe”, afirmou. O líder conservador promete quase dobrar a construção de moradias, para 200 mil unidades por ano.
- Santiago Abascal (Vox): disse que o resultado é imprevisível.
- Sumar (aliado de esquerda do governo): declarou estar pronto para a disputa.
Sánchez, por sua vez, defende o desempenho da economia, que diz ser a que mais cresce e mais gera empregos na União Europeia, e apresentou a eleição como uma escolha entre a “onda de extrema direita” e uma maioria progressista.
Próximos passos
Os partidos têm agora pouco mais de um mês para fechar listas e alianças antes do início oficial da campanha, em 13 de novembro. A apuração sai na noite de 29 de novembro, e o novo Parlamento se reúne em 23 de dezembro para começar a escolha do próximo chefe de governo.



