Ao menos 109 migrantes morreram e mais de 116 seguem desaparecidos depois que uma embarcação virou na costa do Djibuti, no Chifre da África. O balanço foi divulgado neste domingo (11) pela OIM (Organização Internacional para as Migrações), que contabiliza 15 crianças entre os mortos.
O barco seguia do Djibuti para o Iêmen. Segundo relatos de sobreviventes, ele virou perto de Guhere, ao norte de Obock, na madrugada de sexta-feira (9).
Quantas pessoas estavam no barco?
Os relatos divergem sobre o total de passageiros. A CNN Brasil, com base em comunicado da OIM, fala em 305 pessoas a bordo. O Estadão, que atribui a informação à ONU e cita comunicado da OIM, aponta 350. Nenhuma das reportagens explica a diferença.
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Dos 109 corpos recuperados, 52 são de homens, 42 de mulheres e 15 de crianças, sendo nove meninas e seis meninos. Mais de 80 pessoas sobreviveram, e todas são etíopes.
Como está o atendimento aos sobreviventes?
As autoridades do Djibuti mantêm as operações de busca e resgate. Equipes locais cuidam da assistência médica aos sobreviventes e organizam os sepultamentos.
No Centro de Resposta a Migrantes de Obock, a OIM acompanha 64 sobreviventes. Eles recebem cuidados médicos e psicossociais, abrigo temporário e comida, e a organização ajuda a reatar o contato com familiares.
“Esta é uma perda devastadora de vidas.”
A frase é de Alexandre Coissac, chefe da missão da OIM no Djibuti. Ele afirmou que os pensamentos da organização estão com os sobreviventes e com as famílias que perderam parentes ou seguem sem notícias.
Por que tantos migrantes fazem essa rota?
Segundo a OIM, dezenas de milhares de pessoas vindas do Chifre da África cruzam o Djibuti a cada ano e atravessam o estreito de Bab el-Mandeb rumo ao Iêmen. Muitas querem chegar aos países do Golfo, onde esperam encontrar segurança e trabalho.
Pobreza, insegurança e os efeitos das mudanças climáticas pesam na decisão, mesmo com a violência no Iêmen. A Matriz de Rastreamento de Deslocamento da OIM registrou, desde 10 de setembro, mais de 20 mil entradas no Djibuti vindas da Etiópia.
De acordo com a OIM, quem chega ao Iêmen enfrenta risco de violência, detenções arbitrárias, exploração e tráfico de pessoas.
O que os números da Rota Oriental mostram?
O Projeto Migrantes Desaparecidos da OIM contabilizou mais de 900 mortos ou desaparecidos nessa rota em 2025. No mesmo período, o número de travessias subiu 18%. Outro naufrágio, em março de 2026, deixou nove mortos e 45 desaparecidos.
O Estadão lembra que o Djibuti fica de frente para o Iêmen, no estreito de Bab el-Mandeb, passagem de boa parte do comércio entre Ásia e Europa. Segundo o jornal, a rota ganhou ainda mais peso para as exportações de petróleo saudita depois que o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz.
No início de setembro, a OIM já havia alertado que mais de 2 mil pessoas fugiram do Iêmen para o Djibuti em poucos dias, por causa de combates entre forças governamentais e rebeldes houthis.
O que a OIM pede agora?
A OIM afirma que as necessidades cresceram e que faltam recursos. Por isso, pediu a doadores e parceiros mais apoio ao Djibuti, incluindo busca e resgate e ajuda emergencial. A entidade também defende a ampliação de rotas migratórias seguras.
As operações de busca e resgate seguem em andamento, segundo a OIM.



