Gustnado é um redemoinho de vento que nasce perto do chão, na frente de rajadas de uma tempestade forte. Foi essa a classificação dada pela Direção Meteorológica do Chile (DMC) ao fenômeno que arrancou parte do telhado do Terminal Rodoviário Sul, em Santiago, na terça-feira, 13 de outubro.
Segundo a DMC, as rajadas podem ter chegado a algo entre 105 e 137 km/h.
O que aconteceu em Santiago
O vento levantou pedaços da cobertura, lançou fragmentos da estrutura pelo ar e derrubou placas nos arredores. Postes ficaram entortados e galhos foram quebrados. Árvores de raízes rasas também caíram, segundo O Globo, que localiza o terminal na comuna de Estación Central. A CNN Brasil chama o local de Terminal Rodoviário da Alameda, ligado à Estación Central.
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A CNN Brasil informa que ninguém ficou ferido, apesar dos prejuízos materiais. Um vídeo compartilhado pela Red Geocientífica do Chile mostra estruturas e objetos leves sendo carregados pelo ar.
No início, a DMC considerou a hipótese de um tornado de categoria EF0, a mais fraca da escala Fujita Melhorada. Uma análise mais detalhada levou à definição de gustnado. A investigação encontrou mudanças bruscas de temperatura e de pressão, além de ventos compatíveis com uma frente de rajadas, e não a circulação típica de um tornado.
Como o gustnado se forma?
O nome junta duas palavras do inglês: “gust”, que significa rajada de vento, e “tornado”.
Tudo começa com ar frio que desce de uma nuvem de tempestade durante uma chuva forte. Ao bater no solo, ele se espalha para os lados e forma uma frente de rajadas. Quando esse ar encontra correntes rentes ao chão e obstáculos como prédios, podem surgir pequenos vórtices, ou seja, massas de ar em rotação.
Esses redemoinhos podem levantar poeira, galhos e outros detritos. Dependendo da força, também danificam construções e colocam em risco quem está por perto.
Qual é a diferença para o tornado?
A origem do giro explica a diferença. No tornado, a rotação está ligada à base da nuvem de tempestade e acompanha a nuvem. No gustnado, ela nasce nas camadas próximas à superfície.
Segundo o InfoMoney, o gustnado costuma ser menos intenso e durar de alguns segundos a poucos minutos, porque a circulação é mais rasa. A CNN Brasil observa, porém, que os pequenos vórtices podem ter velocidades parecidas com as de um tornado.
Já houve casos no Brasil e no mundo?
Em 2011, um gustnado atingiu a Indiana State Fair, em Indianápolis, nos Estados Unidos, e deixou 7 mortos e 58 feridos, de acordo com O Globo e a CNN Brasil. O risco é maior em áreas abertas, com muitos objetos que o vento pode arrastar. O fenômeno é mais comum em tempestades de primavera e de verão.
No Brasil, o InfoMoney lembra dois episódios recentes:
- 17 de janeiro de 2023, Guarapuava (PR): telhas de casas foram arrancadas e a rede elétrica sofreu danos. Uma meteorologista do Simepar identificou o fenômeno.
- 17 de setembro de 2022, Samambaia (DF): imagens mostraram um redemoinho rente ao solo, depois identificado pela Climatempo como gustnado.



