O Sistema Cantareira, principal manancial da Grande São Paulo, marcava 43,6% de capacidade na manhã de segunda-feira (12), com tendência de alta, segundo dados da Sabesp divulgados pela Climatempo. Um ano antes, o nível era de 26,2%. A previsão é de mais chuva até 19 de outubro, mas as restrições operacionais seguem em vigor.
A crise hídrica acabou?
Ainda não, de acordo com as regras atuais. O Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica decidiu manter a operação na Faixa 2 em outubro, em deliberação da Arsesp e da SP Águas. Na prática, a pressão da rede à noite continua reduzida por oito horas, na chamada Gestão de Demanda Noturna (GDN).
A Deliberação Arsesp nº 1.813/2026 só permite relaxar essas medidas quando os dois sistemas de abastecimento chegam à normalidade. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM) já está nessa faixa. O Cantareira passou para a Faixa de Atuação 1, mas ainda não alcançou a normalidade.
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Pelos números citados no comunicado do comitê, a reservação do Cantareira era de 41,12%, abaixo do mínimo de 41,61% projetado para a normalidade. O valor difere dos 43,6% divulgados pela Climatempo com base na Sabesp, e a data da medição de 41,12% não foi informada.
“Estamos cumprindo o previsto na Deliberação, que tem o objetivo de proteger os reservatórios no médio e longo prazo”, disse o diretor-presidente da Arsesp, Diego Domingues.
Quanto está cada reservatório?
Às 9h de 12 de outubro, a Sabesp registrava estes níveis:
- Sistema Integrado: 56,5% (em alta)
- Cantareira: 43,6% (em alta)
- Alto Tietê: 55,3% (em alta)
- Cotia: 95,7% (em alta)
- Rio Grande: 96,8% (em alta)
- Rio Claro: 55,3% (em alta)
- Guarapiranga: 94,4% (em queda)
- São Lourenço: 75,8% (em queda)
O Sistema Integrado reúne sete mananciais interligados. Assim, uma mesma área pode ser abastecida por mais de um sistema, conforme a necessidade.
Os volumes também estão acima das curvas de contingência, as projeções de referência do comitê. O Cantareira está em 41,12%, ante 23,77% projetados. O Sistema Integrado está em 55,27%, contra 33,86%.

A chuva de outubro vai encher as represas?
Setembro foi de chuva muito acima da média. No Cantareira, o acumulado chegou a 282,5 mm, o equivalente a 358,3% da média de 78,8 mm. No SIM, foram 353 mm (397,1% da média), e no Alto Tietê, 247,1 mm (433,1%).
Em outubro, o volume até agora é menor. Nos 12 primeiros dias, o Cantareira acumulou 82,3 mm, cerca de 63% dos 130,1 mm esperados para o mês, segundo a Sabesp. Em todo outubro de 2025, a chuva foi de 112,5 mm.
Para a semana, a Climatempo prevê condições favoráveis à chuva sobre todos os mananciais. Várias áreas da Grande SP e da região entre São Paulo, Sorocaba, Campinas e o Sul de Minas podem receber pouco mais de 100 mm entre 13 e 19 de outubro. As represas do Cantareira, na divisa com o Sul de Minas, também devem ter chuvas frequentes e volumosas.
Com o solo encharcado por setembro, a água nova tende a ser retida com mais eficiência, segundo a Climatempo.
Como a redução de pressão evoluiu
A GDN diminui de forma controlada a pressão da rede de distribuição à noite, quando o consumo é menor. O objetivo é reduzir perdas de água e preservar os volumes armazenados.
- 27 de agosto de 2025: início da GDN, com oito horas
- Setembro de 2025: ampliação para dez horas
- Agosto de 2026: retorno para oito horas, com a melhora das condições
A economia estimada desde o início da medida passa de 209 bilhões de litros de água, volume equivalente ao consumo de 36 milhões de pessoas, segundo o comunicado do comitê.
A diretora-presidente da SP Águas, Camila Viana, afirmou que “é importante que sigamos cautelosos, monitorando a situação e protegendo nossos reservatórios”. Ela citou a antecipação do período chuvoso pelo El Niño e dias de calor intenso. Para outubro, as previsões indicam chuva acima da média nas regiões sul, litorânea e central do estado.
O comitê reavalia as medidas periodicamente. A Faixa 2 só será relaxada quando o Cantareira chegar ao mínimo de 41,61% projetado para a normalidade e o SIM seguir na faixa de normalidade.



