Um macaco-prego que invadia casas de um condomínio de alto padrão em Salvador morreu na segunda-feira (5). O ex-deputado estadual Marcell Moraes (PSDB), tutor do animal, divulgou a morte e disse suspeitar de envenenamento. O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) confirmou o óbito, mas afirma que ainda não dá para saber se houve intoxicação.
O animal se chamava Alcebíades. Segundo o g1, ele aparecia com frequência nas redes sociais do tutor, que concorreu a deputado federal pela Bahia neste ano e não foi eleito.
O que aconteceu com o macaco?
O animal entrou em casas do condomínio Alphaville 2, quebrou um box de vidro e chegou a um quarto onde havia um bebê de cinco dias. Algumas pessoas ficaram feridas, segundo o g1. O R7 informou que três pessoas se feriram durante a captura.
Moradores chamaram a Coppa, a companhia de policiamento ambiental da Polícia Militar. O resgate levou cerca de três horas e meia. Segundo a corporação, o macaco foi contido e imobilizado com cuidados para preservar a integridade dele e a segurança de policiais e moradores.
Depois, Alcebíades foi levado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), onde os profissionais disseram que ele chegou debilitado.
Há relatos de que o macaco também ingeriu bebida alcoólica, álcool 70% e uma cartela de medicamentos. Uma das moradoras disse que as invasões eram frequentes.
O que diz o Inema?
Em nota ao g1, o Inema afirmou que não foi possível determinar se o animal de fato ingeriu essas substâncias. Segundo o órgão, o macaco foi admitido no Cetas desacordado, com o nível de consciência reduzido e pouca resposta a estímulos.

O exame clínico observou lesões traumáticas na face, que causaram hipertermia (temperatura corporal muito elevada) e aumentaram a frequência cardíaca. Entre as hipóteses, a equipe considerou a exposição a agente tóxico. O instituto ressalta, porém, que os sinais são inespecíficos e, isoladamente, não permitem confirmar intoxicação nem apontar qual agente teria causado o quadro.
O animal recebeu atendimento veterinário e foi monitorado, mas morreu às 18h42 de segunda-feira. O Inema também vai apurar as circunstâncias dos cuidados com o animal e verificar se houve negligência por parte do tutor.
O que diz o ex-deputado?
Ao anunciar a morte, Marcell Moraes disse suspeitar de envenenamento e cobrou uma investigação. Segundo ele, a apuração deve abranger o período entre o contato com os moradores e a passagem do animal pelo Cetas e pelo Inema. Ele afirmou que pretende buscar a responsabilização de possíveis envolvidos.
O g1 informou que não obteve retorno do contato com a assessoria até a última atualização da reportagem. A assessoria de comunicação do político disse que ele não vai se pronunciar sobre o assunto. Um perfil do animal, com mais de 10 mil seguidores, foi desativado.
Marcell não ocupa cargo político desde 2020, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou seu mandato e determinou inelegibilidade por oito anos, contados a partir das eleições de 2018. O motivo apontado foi abuso do poder econômico e propaganda eleitoral antecipada após atendimentos veterinários gratuitos (vacinação e castração) em vários municípios baianos.
O que ainda não se sabe?
O R7 lembrou que o Ibama proíbe novas aquisições de animais silvestres como pets desde 2025, mas liminares permitem que os animais adquiridos antes da proibição continuem com os tutores. Não há informação sobre como Alcebíades foi adquirido.
Não há confirmação de envenenamento, nem informação sobre quem, se alguém, poderá ser responsabilizado. O corpo do animal será encaminhado a exame necroscópico para esclarecer a causa da morte, e a data de divulgação do resultado não foi informada.



