A inflação oficial do país subiu 0,82% em setembro, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado nesta sexta-feira (9). Em 12 meses, o IPCA chegou a 4,58%, acima do teto da meta do Banco Central, de 4,5%.
O resultado veio acima do esperado. A mediana das projeções coletadas pela Bloomberg apontava alta de 0,76%, e a pesquisa da Reuters, de 0,73%. Em setembro de 2025, a inflação havia sido de 0,48%. No acumulado de 2026, o IPCA soma 3,95%.
Por que a inflação voltou a subir
Em agosto, o índice tinha recuado 0,32%, puxado pelo bônus de Itaipu, um desconto temporário na conta de luz. Com o fim desse crédito nas faturas, a energia elétrica residencial subiu 7,98% em setembro. Foi o maior impacto individual do mês, de 0,32 ponto percentual.
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A bandeira tarifária amarela continuou em vigor e acrescenta R$ 1,885 à conta a cada 100 kWh consumidos. Houve também reajustes regionais. Em Belém, a tarifa subiu 6,63%; em São Luís, 5,42%; e em Vitória, 6,89%. Em Rio Branco e em Fortaleza, as tarifas caíram 5,20% e 6,65%.
Todos os nove grupos pesquisados tiveram alta. Habitação liderou, com 2,31%. Transportes subiu 0,89%, e Alimentação e bebidas, 0,83%.
O que ficou mais caro no supermercado
A alimentação voltou a subir depois de três meses de queda. Dentro de casa, o grupo avançou 0,96%. Segundo o IBGE, as altas de destaque foram:
- tomate: 37,76%;
- batata-inglesa: 24,07%;
- cebola: 10,14%;
- arroz: 4,56%;
- carnes: 0,63%.
Ficaram mais baratos o frango inteiro (-1,96%), o frango em pedaços (-1,41%) e as frutas (-1,12%). A alimentação fora de casa acelerou de 0,36% para 0,48%.

E passagens, combustíveis e os demais grupos?
As passagens aéreas subiram 9,66%. Os combustíveis avançaram 1,41%, com etanol (3,16%), diesel (1,69%) e gasolina (1,21%). Vestuário subiu 0,71%, Comunicação, 0,64%, e Educação, 0,04%.
Em quais cidades a inflação foi maior?
Vitória teve a maior alta entre as regiões pesquisadas, de 1,08%, com energia elétrica 10,85% mais cara e tomate 43,19%. Goiânia (1,07%) e Belo Horizonte (1,05%) vieram em seguida. Em Brasília, o índice subiu 0,89%.
A menor variação foi em Rio Branco, de 0,53%. Lá, as passagens aéreas caíram 14,13% e os ovos de galinha, 7,40%.
O que as projeções dizem sobre os próximos meses
Antes da divulgação, o Itaú previa alta de 0,79% e atribuía a aceleração às tarifas de energia. Para o Bradesco, a pressão viria dos alimentos e de algum avanço nos núcleos de inflação.
O boletim Focus, do Banco Central, divulgado na segunda-feira (5), projeta IPCA de 5,01% em 12 meses até dezembro de 2026, pela mediana do mercado. O intervalo de tolerância da meta vai de 1,5% a 4,5%, com centro em 3%. A meta só é considerada descumprida quando o índice fica fora desse intervalo por seis meses seguidos de divulgação.
Economistas acompanham o El Niño, fenômeno climático que altera a distribuição das chuvas. Segundo a Folha de S.Paulo, ele pode encarecer alimentos e energia caso prejudique as lavouras.
A taxa Selic está em 13,75% desde setembro. Analistas veem espaço para ao menos mais um corte de 0,25 ponto percentual neste ano, o que levaria os juros a 13,5%.
A próxima etapa é a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em 3 e 4 de novembro, que define o patamar da Selic.



