O Grupo SHC, do empresário Sergio Habib, pediu recuperação judicial na terça-feira (6) para renegociar R$ 239,5 milhões em dívidas. O pedido inclui 44 empresas ligadas à operação da JAC Motors no Brasil. A revista Exame antecipou a informação.
Não é a primeira vez. Em novembro de 2018, o grupo entrou com um primeiro pedido, com passivo de R$ 517,7 milhões. Esse processo foi encerrado em maio de 2025.
Quanto o grupo deve e a quem?
Segundo o Canaltech, cerca de 97% dos R$ 239,5 milhões submetidos à recuperação são dívidas com bancos e fundos de crédito. Outros R$ 130,7 milhões não entram no processo, o que elevaria o passivo total para perto de R$ 370 milhões. As dívidas trabalhistas somam cerca de R$ 2,7 milhões.
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De acordo com a Exame, o grupo negociava uma nova reestruturação com os credores e tentava manter parte das dívidas fora do processo. Um grande banco teria mais de R$ 100 milhões a receber. Instituições financeiras também teriam dificuldade para encontrar e recuperar veículos oferecidos como garantia de empréstimos.
O que aconteceu com as lojas da JAC?
A marca chegou ao Brasil em 2011 e abriu 50 concessionárias em um único dia. Hoje, segundo o Canaltech, mantém três pontos físicos, em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além de 142 oficinas credenciadas.
Depois de uma reportagem da Autoesporte em agosto sobre a saída de modelos de linha, a Motor1 visitou duas unidades da marca em São Paulo. A loja da avenida Gastão Vidigal estava quase vazia, com um funcionário e três exemplares do pequeno elétrico E-JS1. A operação comercial havia sido levada para a sede, no bairro do Limão, zona norte da capital.
Nicolas Habib, filho de Sergio e diretor financeiro do grupo, disse à Motor1 que as vendas passariam a ser feitas pela internet e por telefone. Segundo ele, cerca de 150 oficinas credenciadas cuidariam da manutenção e do pós-venda. O número difere das 142 oficinas citadas pelo Canaltech.
Por que as vendas caíram?
- 2024: 2.022 emplacamentos
- 2025: 988 emplacamentos, queda de 51,1%
- Janeiro a setembro de 2026: 373 unidades, segundo o Canaltech
Segundo a Fenabrave, o mercado total cresceu 2,58% em 2025, enquanto a JAC encolheu. Na primeira recuperação, o grupo atribuiu a crise ao fim da parceria de 28 anos com a Citroën, à retração do mercado e às regras do Inovar-Auto, que elevaram impostos sobre veículos importados.
Na fase mais recente, a marca apostou em elétricos acessíveis, mas perdeu espaço para rivais chinesas mais baratas e modernas. O E-JS1 teve 119 emplacamentos no primeiro semestre de 2026, contra 42.946 do BYD Dolphin Mini no mesmo período. Os modelos E-JS4 e E-J7 saíram de linha, e a JAC passou a priorizar a picape Hunter a diesel.
Nicolas Habib afirmou que a volta do Imposto de Importação de 35% sobre elétricos inviabilizou os preços planejados para o E-JS3, que acabou cancelado. Não há posicionamento do governo sobre essa explicação nos relatos publicados.
O que muda para quem tem um JAC?
Em recuperação judicial, a empresa segue operando enquanto negocia com os credores um plano de pagamento. Não há informação publicada sobre efeitos do pedido na garantia, na oferta de peças ou nas revisões dos veículos.
O SUV de sete lugares JS8 Pro foi prometido pela empresa para meados de novembro. Depois do pedido, o Grupo SHC não deu novos detalhes nem datas para o modelo, e não está confirmado se o lançamento será mantido.



