Uma bomba explodiu na quinta-feira (8) na Unidade Técnica Local (UTL) da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em São Jerônimo da Serra, no Norte do Paraná. Ninguém ficou ferido, informaram o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Funai em nota divulgada nesta sexta-feira (9).
O que se sabe sobre o ataque
De acordo com a nota, as investigações até agora indicam que o artefato foi instalado no prédio. A explosão causou danos na entrada do edifício.
No momento da explosão, não havia servidores nem outras pessoas no local, segundo o comunicado. A unidade da Funai registrou boletim de ocorrência.
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Há uma diferença nos relatos sobre o estrago. O jornal O Globo menciona uma janela danificada, enquanto as demais publicações citam a entrada do prédio. O Globo também afirma que ainda não há informações sobre causas ou motivações do episódio.
Quem investiga
O MPI e a Funai acionaram a Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para apurar o caso e identificar os responsáveis. Nenhum suspeito foi apontado até agora.
Na nota, os dois órgãos afirmam que seguirão acompanhando o caso com as forças de segurança. E acrescentam:

“O Estado brasileiro não se intimidará diante de tentativas de coação, não aceitará qualquer tipo de violência e continuará firme no cumprimento de seu dever constitucional de garantir e proteger os direitos fundamentais dos povos indígenas.”
O que acontece na região
As publicações lembram que a região tem histórico de disputas por terra. A nota e as reportagens consultadas não ligam o ataque a esses conflitos, e a motivação não foi esclarecida.
Segundo o Bem Paraná e o Brasil de Fato, famílias do povo Xetá ocupam desde janeiro de 2026 uma área cuja demarcação está paralisada há 27 anos. O processo da Terra Indígena Herarekã Xetá começou em 1999, teve o território delimitado em 2014 e foi anulado pela Justiça em ação movida por proprietários rurais da região.
O Brasil de Fato informa que o território em retomada fica no distrito de Terra Nova, próximo a São Jerônimo da Serra, abaixo da Terra Indígena São Jerônimo, homologada em 1991. Segundo o Instituto Socioambiental, as terras são habitadas pelos povos Guarani Ñandeva, Kaingang e Xetá.
O Globo cita o governo do Paraná para dizer que 37 famílias se instalaram na Retomada Tikuen Iratxô (Menino Peixe). A área é alvo de um pedido de reintegração de posse na Justiça Federal de Londrina.
A PF e a Abin ainda não divulgaram resultados da investigação, e não há prazo para a conclusão.



