A Azul abriu uma investigação interna para entender por que um Embraer E195-E2 usou quase toda a pista do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, antes de sair do chão. O avião fazia o voo AD4797 para Belo Horizonte (MG) e decolou na tarde de domingo (11).
Segundo o Brasil 247, imagens que circularam nas redes sociais mostram a aeronave deixando o solo perto do limite da pista. De acordo com o g1, ela passou em baixa altitude sobre o EMAS, estrutura de segurança no fim da pista que ajuda a parar aviões que ultrapassem o limite.
O que se sabe sobre o voo
O avião só saiu do chão depois de passar pela marca da pista que serve de referência para o ponto de toque nos pousos feitos na direção contrária. Em condições habituais, de acordo com o g1, a aeronave já estaria no ar nesse trecho.
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O Brasil 247, que reproduz informações do Metrópoles, cita a matrícula do jato, PS-AEK, e afirma que os registros mostram o avião passando perto de edifícios do entorno do aeroporto.

Até agora, nenhuma explicação técnica foi divulgada. Também não há confirmação de falha mecânica ou operacional. As imagens, sozinhas, não permitem dizer se algum procedimento deixou de ser cumprido.
O que diz a Azul
Em nota, a companhia confirmou a apuração e afirmou que opera conforme padrões nacionais e internacionais de segurança, que chamou de seu valor primordial. A empresa não detalhou quais aspectos serão examinados.
Também não anunciou data para concluir o trabalho nem mudanças na operação por causa do episódio.
Usar a pista inteira é permitido?
Pode, desde que a operação respeite os limites de segurança e os cálculos feitos para aquele voo, segundo o g1. Ainda assim, a reportagem do g1 observa que o uso de quase todo o espaço reduz a margem para interromper a decolagem e frear numa emergência.
Antes de cada voo, a equipe de planejamento calcula a distância necessária. Entram na conta a extensão e a inclinação da pista, a altitude do aeroporto, a temperatura, o vento e o peso do avião, que soma passageiros, bagagem, carga e combustível. Por isso, não há uma distância única válida para todas as aeronaves.

Sobre o EMAS, formado por blocos que se deformam sob as rodas e absorvem energia, o Brasil 247 informa que o sistema não interfere no desempenho da decolagem. A Brasilturis observa que o relato do domingo não indica que a estrutura tenha sido acionada.
Houve caso parecido em 2024?
Sim. Em maio de 2024, outro avião da Azul decolou pouco antes do fim da pista de Congonhas. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) classificou a ocorrência como incidente, categoria que abrange eventos que afetam ou podem afetar a segurança, mesmo sem consequências graves.
Na época, o especialista em segurança de voo Roberto Peterka disse que a decolagem podia ser considerada anormal, mas não incorreta, já que usou a pista disponível. Outro especialista ouvido pelo g1 avaliou que uma situação dessas pode ser um incidente grave, porque é preciso manter espaço para frear.
A classificação de 2024 não vale automaticamente para o caso de outubro. A Azul ainda não divulgou o resultado de sua apuração.



