O maestro Roberto Tibiriçá morreu aos 72 anos, na sexta-feira (2). Ele tratava um câncer havia dois anos e é apontado pela Folha de S.Paulo como um dos nomes mais importantes da música erudita brasileira contemporânea.
A morte foi divulgada pelo Theatro Municipal de São Paulo, que sedia o velório. Em nota, a instituição disse que “lamenta profundamente a morte do maestro” e se solidarizou com familiares, amigos, colegas de profissão, músicos e alunos.
Quando e onde será o velório
A cerimônia é aberta ao público, com este roteiro:
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- Sábado (3): das 18h às 22h, no Salão Nobre do Theatro Municipal
- Domingo (4): das 8h às 12h, no palco da Sala de Espetáculos
- Sepultamento: domingo, às 13h, no Cemitério São Paulo, na zona oeste da capital
Quem era Roberto Tibiriçá
Nascido em São Paulo, Tibiriçá começou no piano aos 8 anos. Estudou com Dinorah de Carvalho, Antonio Bezzan e Gilberto Tinetti e acompanhou a pianista Guiomar Novaes em seus últimos anos de vida.
Com o tempo, o interesse pela regência se impôs. Ele contava que “queria mais som” e passou a estudar por conta própria.
No início dos anos 1980, conheceu o maestro Eleazar de Carvalho no Festival de Inverno de Campos do Jordão. Os dois trabalharam juntos por 18 anos, e Tibiriçá foi seu assistente na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). Com uma carta de recomendação de Eleazar, estudou em Nova York com Lukas Foss e conheceu Zubin Mehta, então diretor da Filarmônica de Nova York. Mehta lhe disse o que um maestro deve ter em mente: “seja humilde, tenha muita paciência e pergunte sempre”.
Quatro décadas à frente de orquestras
Em 1994, Tibiriçá chegou à Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) como diretor adjunto. Um ano depois, assumiu como diretor artístico e regente titular. Segundo ele, encontrou um grupo “muito desfalcado”, em que os músicos ganhavam o equivalente a 200 dólares por mês.

Na OSB, regeu a Sinfonia nº 2 de Mahler para mais de 100 mil pessoas, na Enseada de Botafogo, no Rio, pelo projeto Aquarius. No período, também foram apresentadas as estreias brasileiras das óperas The Rape of Lucretia e Sonho de uma Noite de Verão, de Britten.
Em 2000, passou a atuar na Orquestra Petrobrás Pró-Música, depois rebatizada Petrobras Sinfônica, que enfrentava incertezas de financiamento. Durante sua passagem, a orquestra se consolidou na cena musical do Rio de Janeiro, com programação que destacava solistas brasileiros e estrangeiros. Tibiriçá disse que era criticado por reger tantos solistas, mas que o plano era atrair grandes músicos para dar mais visibilidade ao grupo.
Em quatro décadas de carreira, ele comandou ainda a Osesp, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e a Orquestra Sinfônica do Paraná. No exterior, esteve à frente da Orquestra Metropolitana de Lisboa, segundo a Folha.
Gravações e formação de jovens músicos
Desde 1974, Tibiriçá atuava como diretor artístico em gravadoras. Na RGE/Fermata, foi responsável pelo início dos registros comerciais de música clássica em gravadoras brasileiras. Entre seus projetos estiveram os últimos discos de Guiomar Novaes, dedicado à música brasileira, e de Magda Tagliaferro. Também regeu Pedro e o Lobo, de Prokofiev, com a cantora Rita Lee como narradora.
Nos anos 2000, foi diretor artístico do Instituto Baccarelli, que hoje administra o Theatro Municipal. Nesse período, contribuiu para a consolidação da Orquestra Sinfônica Heliópolis e para a formação de jovens músicos.
O velório prossegue neste domingo (4), das 8h às 12h, e o enterro está marcado para as 13h, no Cemitério São Paulo.



