Uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) foi apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) contra o senador eleito Gustavo Gayer (PL). Se a Justiça Eleitoral confirmar abuso grave na campanha, o caso pode terminar na cassação do diploma e na declaração de inelegibilidade. Até agora, porém, existem apenas as alegações dos autores.
A ação foi movida pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e pela coligação Goiás Pode Mais. O processo tem o número 0602956-71.2026.6.09.0000. Gayer foi eleito em 4 de outubro, ao lado de Gracinha Caiado (União), para as duas vagas de Goiás no Senado.
O que os autores questionam
A petição fala em suspeita de abuso de poder econômico e de despesas eleitorais que não teriam sido contabilizadas. De acordo com o Poder Goiás, o pedido também menciona possível abuso de poder político, a ser apurado.
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O ponto de partida são os wind banners, as bandeiras verticais usadas na propaganda. Segundo a ação, centenas delas apareceram em espaços públicos de Goiânia durante o primeiro turno. Fotos anexadas ao processo mostram peças em canteiros e áreas gramadas, algumas sem ninguém para segurá-las.
Quanto custou o material?
A prestação de contas consultada pelos autores registra R$ 48.807 em materiais gráficos contratados da Gráfica Monte Cristo. Os autores, porém, dizem que a descrição disponível não permite saber se essa quantia inclui os wind banners vistos nas ruas.
Para esclarecer o ponto, eles pedem contratos, notas fiscais e comprovantes de pagamento, além da quantidade de peças produzidas e de quem as contratou. Também querem saber se o PL participou do pagamento ou da divisão dessas despesas.
A própria petição admite que não achar de imediato uma despesa na prestação de contas, isoladamente, não prova irregularidade. A ação pede ainda que a Justiça examine a origem dos recursos, eventual financiamento por terceiros e possível uso de estrutura pública em favor da candidatura.
O que o TRE-GO decidiu até agora
O relator é o desembargador J. Paganucci Jr., vice-presidente e corregedor regional eleitoral. Ele concedeu em parte o pedido de urgência da federação. A decisão manda notificar Gayer, o comitê financeiro da campanha e o PL, e envia ofício à gráfica para que todos guardem os documentos da contratação.
Entre eles estão:
- contratos, orçamentos e pedidos;
- notas fiscais e arquivos XML dos documentos fiscais eletrônicos;
- artes da propaganda e ordens de produção;
- comprovantes de pagamento e de entrega.
A obrigação vale por um ano, a partir da decisão, e pode alcançar outros fornecedores identificados na investigação. Segundo o Poder Goiás, a liminar não reconhece culpa nem comprova as irregularidades apontadas.
Qual é a posição de Gayer?
A assessoria do parlamentar não havia se manifestado até a publicação da reportagem do Brasil 247. Os fatos descritos na ação ainda precisam passar pela análise das provas, com direito de defesa.
Segundo O Globo, Gayer, de 45 anos, responde a outros processos. Ele é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por injúria contra o presidente Lula, por uma publicação de 2024. Em 2025, foi indiciado pela Polícia Federal em investigação sobre o uso da cota parlamentar, caso em que nega irregularidades e diz ser alvo de perseguição política. Esses casos são separados da ação no TRE-GO.
A decisão do tribunal determina a notificação de Gayer, do comitê financeiro e do PL. A data de julgamento da ação não foi divulgada.



