Segunda-feira, 19 de outubro de 2026
--° São Paulo
Eleições 2026

Quem é André Janones, o deputado que comanda o canal Exército do Lula

Reeleito em Minas com 67% menos votos, o ex-cobrador de ônibus administra o canal de WhatsApp com mais de 4 milhões de seguidores que levou a três decisões do TSE

Siga o Trendou:XFacebookTelegramYouTube

Resumo rápido

  • André Janones (Rede-MG), 42 anos, administra o canal Exército do Lula, com mais de 4 milhões de seguidores.
  • Ele fez acordo com a PGR em 2025 no caso da rachadinha e teve o mandato suspenso por 3 meses pelo Conselho de Ética.
  • O TSE suspendeu e liberou o canal em outubro; uma ação por abuso de poder segue com o corregedor.

O deputado federal André Janones (Rede-MG), de 42 anos, voltou ao centro da disputa presidencial como administrador do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que passou de 4 milhões de seguidores e virou alvo de três decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em quatro dias. A seis dias do 2º turno, marcado para 25 de outubro, o canal está registrado pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e é tema de uma ação que apura suposto abuso de poder.

A trajetória dele mistura internet, greve de caminhoneiros, auxílio emergencial e processos na Câmara.

De onde vem André Janones

André Luis Gaspar Janones nasceu em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, em 5 de maio de 1984. Antes da política, trabalhou como cobrador de ônibus e como servidor do Tribunal de Justiça de Minas Gerais; depois se formou em direito e abriu um escritório de advocacia, segundo perfil publicado pelo Poder360.

A primeira eleição foi uma derrota: em 2016, disputou a prefeitura da cidade natal e não venceu.

Como ele ficou conhecido

O nome ganhou alcance nacional em 2018, quando Janones publicou vídeos em apoio à paralisação dos caminhoneiros. No mesmo ano, foi eleito deputado federal com 178.660 votos, o terceiro mais votado de Minas.

Na pandemia, em 2020, fez transmissões ao vivo em defesa do auxílio emergencial de R$ 600 e apresentou projeto para estender o pagamento até dezembro daquele ano.

Em 2022, lançou pré-candidatura à Presidência pelo Avante, mas desistiu e passou a apoiar Lula. Na época, disse ter recebido do petista a garantia de que o auxílio de R$ 600 seria mantido. Reeleito deputado com 238.967 votos, o segundo mais votado do estado, atuou na estratégia digital da campanha e integrou o grupo de comunicação da transição de governo. No ano seguinte, lançou o livro “Janonismo cultural”, sobre o uso das redes na política.

O acordo da “rachadinha” e a suspensão no Conselho de Ética

Em março de 2025, Janones fechou com a Procuradoria-Geral da República um acordo de não persecução penal no inquérito que investigava a devolução de salários de assessores, a chamada “rachadinha”. Pelo acordo, ele se comprometeu a pagar R$ 157,8 mil: R$ 131,5 mil de ressarcimento à Câmara e R$ 26,3 mil de prestação pecuniária. O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, homologou o acordo em 19 de março de 2025, segundo a Jovem Pan.

De acordo com a PGR, o deputado admitiu ter pedido a um assessor, em 2019, um cartão de crédito adicional, cujas faturas eram pagas pelo funcionário. A assessoria de Janones afirmou à CNN Brasil que ele nunca admitiu ter praticado “rachadinha”. O acordo encerra o caso na esfera penal se as condições forem cumpridas, sem condenação.

André Janones fala ao microfone em debate da Bienal da UNE
Janones, então no Avante, fala em debate sobre comunicação na Bienal da UNE, no Rio de Janeiro (foto de arquivo, 02/2023) Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Em julho de 2025, o Conselho de Ética da Câmara votou pela suspensão do mandato dele por três meses, por ofensas a outros parlamentares em sessões do plenário. O PL e deputados de oposição também apresentaram pedidos de cassação; o que tratava da “rachadinha” foi arquivado pelo conselho, segundo o Poder360.

Quantos votos Janones teve em 2026

No 1º turno de 4 de outubro, Janones foi reeleito pela federação PSOL-Rede, mas com bem menos apoio: 78.780 votos, segundo os números finais do TSE. É uma queda de cerca de 160 mil votos, ou 67%, em relação a 2022. O site NC News registrou que ele ficou em 38º lugar entre os mais votados de Minas.

O que é o canal “Exército do Lula”

O canal reúne apoiadores de Lula no WhatsApp e usa vocabulário militar, com “missões” e chamadas à “tropa” para compartilhar vídeos, comentar e subir hashtags. Em 13 de outubro, tinha mais de 4 milhões de seguidores, segundo a Agência Brasil; no sábado (17), eram 4,91 milhões, segundo o Poder360.

Janones diz que o objetivo é ensinar o eleitor a usar o algoritmo das redes e nega publicar notícias falsas no canal. Do outro lado, apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) mantêm a “Tropa do Flávio”, canal ligado à campanha do senador e que não tem relação com o deputado.

Por que o TSE mandou suspender o canal

A disputa jurídica teve idas e vindas:

  • Sábado (10): o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu o canal a pedido da campanha de Flávio, que apontou divulgação de informações falsas sobre o candidato.
  • Domingo (11): o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a suspensão. Para ele, a medida não cabia em processo administrativo, porque o caso já estava numa ação judicial sob sua relatoria.
  • Terça (13): Nunes Marques voltou a suspender o canal, desta vez pela falta de registro na Justiça Eleitoral. No mesmo dia, a coligação de Lula registrou o endereço do canal, mas afirmou que não passou a administrá-lo.

Um laudo técnico pedido pelo próprio TSE não encontrou desinformação nas mensagens analisadas, de 2 a 11 de outubro. O Poder360 registrou que a análise teve limites, porque parte das mensagens tinha sido apagada. Depois de se reunir com Lula no Palácio do Planalto, Janones disse a jornalistas que todas as decisões judiciais serão cumpridas.

O que muda com as novas regras do TSE

Na sexta (16), o plenário do TSE aprovou por unanimidade critérios para dizer quando um canal de mensagens está ligado a uma campanha e precisa ser registrado. Basta um sinal, entre eles uso de dinheiro ou equipe da campanha, divulgação do link em perfis oficiais ou orientação da campanha sobre o conteúdo e a frequência das postagens.

Pela nova redação da Resolução 23.610, canal criado por um apoiador de forma espontânea não entra na regra, nem a menção isolada a ele por um candidato em entrevista ou debate. Gestores e campanhas respondem pelo conteúdo, e canais com violações repetidas podem ser tirados do ar.

O que vem agora

A ação de investigação judicial eleitoral que apura suposto abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação segue com o corregedor Cueva, onde as defesas de Lula e de Janones apresentaram recurso. Até a votação de domingo (25), o canal pode publicar, mas deve identificar quem responde pela propaganda eleitoral.

Fontes consultadas

Poder360 — De caminhoneiros ao Exército do Lula: a estratégia digital de Janones Agência Brasil — Campanha registra canal Exército do Lula na Justiça Eleitoral TSE — TSE define critérios para caracterizar canais de mensagens que devem ou não ser registrados pelas campanhas CNN Brasil — Janones fecha acordo com PGR para devolver R$ 157,8 mil por rachadinhas Jovem Pan — Luiz Fux aprova acordo entre PGR e André Janones em caso de rachadinha NC News — André Janones é reeleito deputado federal por MG, mas perde 160 mil votos em relação a 2022

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

Mais lidas agora

  1. 1Suspeita de bomba em carro de Flávio na Band é descartada; química enganou cães, diz GATE
  2. 2Petróleo Brent fecha a US$ 109,86, maior valor desde 19 de maio
  3. 3PEC da Segurança fica sem data no Senado; Planalto quer esperar o 2º turno
  4. 4Com goleiro expulso aos 14 minutos, Inter perde por 2 a 0 para o Mirassol
  5. 5GP dos EUA de F1 será no domingo (25), às 17h, no sportv3 e no Globoplay

Escolha sua cidade

Sem escolha, mostramos o tempo da cidade aproximada pela sua conexão. A escolha fica salva só neste aparelho.

▶ Trendou no YouTube