A Anthropic, desenvolvedora do Claude, registrou prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo a versão preliminar do prospecto de sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). A maior parte do valor, porém, é um ajuste contábil, e não dinheiro que saiu do caixa.
Os números foram analisados pela Reuters e aparecem também em reportagens do InfoMoney, do Valor Econômico e do g1. O Olhar Digital atribui a análise do documento ao The Wall Street Journal. A empresa não respondeu aos pedidos de comentário.
De onde vem a perda de US$ 80,7 bilhões?
Segundo o documento, cerca de US$ 72 bilhões têm origem num encargo contábil. Ele reflete a alta no valor estimado de títulos conversíveis em ações, instrumentos que a companhia emitiu para captar recursos e que poderão virar participação societária no futuro.
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Em outras palavras, esses US$ 72 bilhões não são custos em dinheiro ligados à operação.
Em reais, o prejuízo equivale a cerca de R$ 435,8 bilhões, na conversão feita pelo Olhar Digital, que também informa que a receita da empresa cresceu rapidamente no período.
Quanto a empresa gasta com computação?
No semestre, a Anthropic gastou quase US$ 9 bilhões com computação e infraestrutura, ante US$ 2,3 bilhões no ano anterior, de acordo com o documento citado pela Reuters.
Os compromissos futuros são bem maiores. Pela Reuters, a empresa assumiu o dever de desembolsar no mínimo US$ 518 bilhões em dez anos com nuvem, computação e infraestrutura.
O Olhar Digital apresenta outra composição: cerca de US$ 450 bilhões em contratos de nuvem para sete a dez anos, a maior parte sem possibilidade de cancelamento, e mais de US$ 160 bilhões ligados ao arrendamento de chips do Google operados com a Broadcom. Nessa conta, os custos futuros de infraestrutura passariam de US$ 600 bilhões, e negociações em andamento poderiam elevar os compromissos em até US$ 150 bilhões.
As duas estimativas não coincidem, e as reportagens não explicam a diferença.
Os números de 2025 batem?
Também há divergência no histórico. A Reuters informa que o prejuízo do ano anterior foi de US$ 13 bilhões. O Olhar Digital fala em US$ 42 bilhões para todo o ano de 2025. Pelas duas versões, a perda do primeiro semestre de 2026 é maior que a do ano anterior.
Quais riscos o prospecto aponta?
Segundo o Olhar Digital, cerca de um terço do prospecto trata de fatores de risco. Entre eles estão a dependência de Google, AWS e Microsoft, que estão se tornando concorrentes cada vez mais diretos, e a possibilidade de a empresa ser responsabilizada por danos causados por seus modelos.
O documento admite ainda que um incidente catastrófico ligado à IA poderia causar perdas que a empresa talvez não conseguisse cobrir com seguros.
O que isso muda para quem pensa em investir?
A Reuters afirma que as divulgações evidenciam o alto custo da corrida pela inteligência artificial, e que investidores analisam com mais rigor se o dinheiro aplicado em chips e centros de dados trará retorno suficiente.
O valor de mercado da empresa também está em aberto. O Olhar Digital cita a possibilidade de a oferta levar a avaliação a US$ 2 trilhões. A Reuters informou na semana passada que alguns investidores passaram a considerar uma valorização menor, em torno de US$ 1,5 trilhão.
O prospecto é uma versão preliminar, e a empresa não comentou seu conteúdo. A Anthropic, sediada em San Francisco, nos Estados Unidos, deve abrir o capital em novembro.



