Os Estados Unidos suspenderam, a partir de sexta-feira (2), os serviços consulares na embaixada e nos consulados americanos no Brasil, por motivos de segurança. A decisão veio dois dias antes do primeiro turno, marcado para este domingo (4), e levou a campanha do presidente Lula (PT) a recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Austrália também fechou, no mesmo dia, sua embaixada em Brasília, igualmente alegando segurança.
O que os governos disseram
O comunicado de Washington é curto e não explica os motivos. Orienta cidadãos americanos que precisem de ajuda de emergência a não ir às sedes diplomáticas e a procurar o oficial de plantão responsável pelo atendimento ao público.
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O aviso australiano foi além: recomenda que os australianos evitem a embaixada, os consulados e outras instalações diplomáticas dos EUA no país e menciona a possibilidade de atos políticos, manifestações e reforço de segurança antes, durante e depois da eleição. Não há previsão de retomada do atendimento presencial americano, segundo a Jurinews.
Ameaça de bomba e investigação da PF
De acordo com a Folha de S.Paulo, citada pelo jornal El País, o fechamento foi decidido após uma ameaça de bomba recebida por rede social. Fontes diplomáticas americanas disseram ao jornal que a polícia localizou o autor da mensagem e não encontrou nada que confirme um plano contra interesses dos EUA no Brasil.
A Polícia Federal informou, em nota, que abriu operação para apurar possíveis ameaças às representações diplomáticas americanas. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, em São Paulo e em Águas Lindas, cidade próxima a Brasília.
A investigação corre sob sigilo e tem cooperação de forças estrangeiras. Até agora, só foram apreendidos equipamentos de comunicação e mídias, e não surgiram elementos que confirmem os riscos apontados inicialmente.
O pedido da campanha de Lula ao TSE
Na sexta-feira, a campanha de Lula pediu ao TSE que inclua a suspensão dos serviços consulares em uma investigação sobre suposta interferência externa nas eleições. A petição afirma que, segundo reportagens, a medida teria sido ordenada diretamente pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. O comunicado dos EUA cita apenas motivos de segurança.
Os advogados sustentam que há alinhamento entre Rubio e as propostas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa. Citam reportagem sobre a intenção do senador de promover uma reforma diplomática no Itamaraty inspirada no governo de Donald Trump.
O documento também faz referência a uma carta dos senadores democratas americanos Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch, que alertam o governo dos EUA contra qualquer interferência no processo eleitoral brasileiro. Para os advogados, o episódio é um desdobramento gravíssimo de uma articulação que, na avaliação deles, seria conduzida pelos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro.
Desconfiança anterior
Segundo o El País, o episódio aumentou a desconfiança do governo brasileiro, que teme há tempos uma interferência mais clara da gestão Trump na eleição.
Na quinta-feira (1º), a Advocacia-Geral da União pediu a investigação de um suposto financiamento dos EUA a organizações que atuariam contra o Supremo Tribunal Federal. O jornal britânico The Guardian afirmou que o Departamento de Estado destinou US$ 1 milhão a grupos que buscavam deslegitimar a corte.
Na mesma semana, a agência Reuters teve acesso a um relatório de reuniões nas quais servidores brasileiros alertaram colegas da França e da Alemanha sobre risco de interferência dos EUA e da Rússia na eleição. Segundo o documento, integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) confirmaram a existência dessa interferência.
O primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas ocorre neste domingo (4).



