O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a eleição brasileira é importante também para os americanos. A declaração foi dada a jornalistas na Casa Branca na quinta-feira (1º), segundo a Folha de S.Paulo. O primeiro turno é neste domingo (4).
Que interferência o embaixador menciona?
O embaixador Rubens Barbosa afirmou em entrevista à CNN Brasil, na noite de sexta-feira (2), que os Estados Unidos tomaram medidas que interferem de forma indireta no processo eleitoral. “Eu sempre achei que os Estados Unidos, direta ou indiretamente, iriam interferir nas eleições aqui no Brasil. É o que está acontecendo”, disse, conforme o Poder360.
Barbosa, que serviu na diplomacia brasileira nos EUA e no Reino Unido, citou dois exemplos:
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- financiamento de US$ 1 milhão do governo Trump a um programa contra o que os americanos classificam como “lawfare e censura” no Brasil;
- suspensão de serviços da Embaixada dos EUA após um alerta de segurança, seguida por medidas de Canadá e Austrália e por recomendações da representação do Reino Unido sobre um possível distúrbio no Brasil.
Para o embaixador, nada disso está acontecendo no país, e as medidas teriam sido tomadas “por inspiração americana”. O relato do Poder360 não traz manifestação do governo dos EUA sobre as declarações.

Há risco de ação direta como na Venezuela?
Barbosa rejeita a hipótese de uma ofensiva americana como a captura de Nicolás Maduro na Venezuela. “O que pode haver são ameaças de sanções, de coerção, mas nada mais grave do que isso”, disse.
A preocupação dele é um eventual segundo turno apertado. Se um candidato questionar o resultado ou a transparência da apuração, afirmou, isso poderia suscitar uma interferência mais forte do governo americano, “sobretudo se o caso for do Bolsonaro”.
O embaixador descreveu a reta final da campanha como de “clima de tranquilidade”, com candidatos circulando livremente. Sobre o cancelamento do último debate pela TV Globo, na quinta, disse tratar-se de “interferência indevida” da Justiça na “liberdade de imprensa”, mas afirmou que o episódio não prejudicou a campanha. A emissora desistiu após decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que alteraram as regras do encontro.

Por que o resultado importa para Washington?
A cientista política Guadalupe González, do Colégio do México (Colmex), relaciona o interesse americano ao projeto de Trump para a região. Em entrevista à Folha, ela disse que uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode representar um freio aos planos dos EUA, enquanto a de Flávio Bolsonaro (PL) significaria alinhamento quase completo a Washington.
Em novembro do ano passado, a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA afirmou que o país quer “restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental”. Uma vitória de Flávio viria depois de triunfos da direita na Bolívia, no Chile, na Colômbia e no Peru.
Guadalupe fez uma ressalva: “64% da população da América Latina é governada por governos de centro e centro-esquerda, enquanto 35% ou 36% são governados por governos de direita ou centro-direita”. Com mais de 214 milhões de habitantes e peso em fóruns como o Brics, o Brasil teria, segundo ela, “a maior margem de manobra” como contrapeso.
Os brasileiros vão às urnas neste domingo (4), no primeiro turno.



