Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
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Minas Gerais

Mexilhão-dourado é achado no Rio São Francisco, a mil km do registro anterior

Pesquisadores da Unimontes coletaram 113 exemplares do molusco invasor em São Francisco e São Romão; Três Marias ainda não tem registro.

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Resumo rápido

  • Unimontes identificou o mexilhão-dourado no Norte de Minas, a cerca de 1.000 km do registro anterior, em Sobradinho
  • Foram coletados 113 exemplares em 16 estações; Três Marias, Pirapora e Ibiaí não tiveram registro
  • Pesquisadores apontam como hipótese o transporte por pequenas embarcações; a causa não foi comprovada

Uma equipe da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) encontrou o mexilhão-dourado no Rio São Francisco, no Norte de Minas Gerais. O ponto fica a cerca de mil quilômetros do registro anterior mais próximo na bacia, feito entre 2016 e 2017 na região da barragem de Sobradinho, entre a Bahia e Pernambuco.

O resultado foi publicado na revista científica CheckList e tem como base trabalho de campo feito entre julho de 2024 e abril de 2025. Os pesquisadores coletaram 113 exemplares do molusco em São Francisco e São Romão.

Onde o mexilhão apareceu

Foram cinco expedições e 16 estações de coleta em quatro municípios às margens do rio: São Francisco, São Romão, Ibiaí e Pirapora. A espécie esteve em todas as estações de São Francisco e em uma de São Romão.

Leia também: Corpo de jovem desaparecida em 9 de outubro é achado em Jaboticatubas (MG)

Em Ibiaí, em Pirapora e no reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias, não houve registro. O estudo foi conduzido pelos professores Magno Augusto Zazá Borges e Maurício Lopes de Faria, da Unimontes, e a pesquisa começou dentro do Projeto Opará, que monitora a qualidade da água entre Pirapora e Januária com apoio de um barco-laboratório.

Como o molusco chegou até lá?

A causa não está comprovada. Uma das hipóteses investigadas é que pequenas embarcações tenham levado o molusco rio acima, o que permitiria à espécie vencer grandes distâncias. Segundo os pesquisadores, isso segue como hipótese.

Faria afirmou que a ausência da espécie em Ibiaí, Pirapora e Três Marias contraria a ideia de que ela tenha descido naturalmente a partir de Furnas, seguindo o curso do rio.

O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) é originário da Ásia. Segundo uma publicação científica citada pela CNN Brasil, ele chegou à América do Sul em 1991, na água de lastro de cargueiros, e entrou no Brasil no fim dos anos 1990 pela hidrovia Paraná-Paraguai. De acordo com o mesmo trabalho, a espécie se espalhou por rios e reservatórios do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e de partes do Nordeste, e não há casos documentados na Região Norte do país.

Qual o risco para usinas e para quem usa a água?

O molusco se fixa em superfícies duras e forma colônias densas. Essas colônias podem entupir tubulações de captação, sistemas de irrigação e estruturas de usinas, além de elevar custos de manutenção e danificar equipamentos de pescadores.

A publicação citada pela CNN Brasil estima em US$ 9,97 milhões por ano o gasto do setor elétrico brasileiro com prevenção e controle da espécie. A mesma fonte considera improvável erradicá-la com os métodos atuais.

No ambiente natural, o mexilhão disputa alimento e espaço com espécies nativas. Segundo os pesquisadores da Unimontes, a capacidade de reprodução e de dispersão dificulta o controle.

O que pode ser feito

Os pesquisadores sugerem três frentes:

  • ampliar o monitoramento de rios e reservatórios;
  • inspecionar e limpar embarcações que circulam entre bacias diferentes;
  • orientar pescadores e operadores de turismo náutico.

A publicação citada pela CNN Brasil acrescenta a desinfecção de barcos e equipamentos de pesca com água sanitária antes de entrar em novos corpos d’água. Para piscicultores, indica exigir laudos que comprovem a ausência de larvas em cargas de alevinos.

Para a equipe da Unimontes, a ausência do molusco em Três Marias abre espaço para agir antes que ele chegue a outras áreas da bacia. Os exemplares estão no Centro de Coleções Biológicas do Norte de Minas Gerais, ligado à universidade, e os estudos seguem em uma iniciativa de monitoramento ambiental apoiada pela Fapemig, a fundação de amparo à pesquisa de Minas Gerais.

Fontes consultadas

O TEMPO — Mexilhão-dourado é encontrado no Rio São Francisco, no Norte de Minas, a mil quilômetros de registro anterior WebTerra — Mexilhão-dourado é encontrado no Rio São Francisco, no Norte de Minas, a mil quilômetros de registro anterior CNN Brasil — Mexilhão dourado: a história do invasor invisível da China que se espalhou pelo Brasil e hoje custa quase US$ 10 milhões por ano às hidrelétricas

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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