A Justiça federal da Argentina arquivou, na sexta-feira (23), a investigação sobre a criptomoeda $LIBRA que tinha como alvos o presidente Javier Milei e a irmã dele, Karina. O juiz Marcelo Martínez de Giorgi acolheu o pedido do promotor Eduardo Taiano, que entendeu não haver elementos suficientes para caracterizar crime.
A decisão atinge 11 investigados. Além de Milei e Karina, estão na lista o empresário norte-americano Hayden Mark Davis, apontado como criador da moeda, e os lobistas Mauricio Novelli e Manuel Terrones Godoy, segundo o Metrópoles.
O que o promotor concluiu?
Taiano reconheceu que a moeda foi de fato emitida e que as operações podiam ser rastreadas pela tecnologia blockchain. Para ele, porém, o prejuízo financeiro, sozinho, não prova crime. Segundo o promotor, as negociações ocorreram no mercado de memecoins, marcado por forte volatilidade e especulação, sem garantia de rentabilidade.
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De acordo com o Jornal de Notícias, de Portugal, a decisão sustenta que não foi identificado um artifício enganoso que tenha levado pessoas a comprar o ativo. Também não ficou estabelecida a ligação entre uma eventual manobra e as perdas após a queda do preço.

No caso de Milei, a decisão afirma que não houve atos funcionais nem decisões contrárias à lei ligadas à divulgação da moeda nas redes sociais. Sobre Karina, diz que não ficou provado que ela tenha pedido ou recebido dinheiro para facilitar reuniões do presidente com empresários ligados ao projeto.
O promotor citou ainda a resposta do Departamento de Justiça dos Estados Unidos a pedidos de cooperação da Justiça argentina. Segundo o órgão americano, o material reunido não bastava para comprovar, nos termos exigidos para a assistência pedida, que os investigados tivessem relação com os crimes relatados. A decisão também levou em conta o encerramento, no fim de setembro, de uma ação civil nos EUA movida por investidores contra Davis.
O que ficou em aberto?
A apuração durou cerca de um ano e meio e terminou sem que o promotor chamasse os envolvidos para depor, de acordo com o jornal argentino Clarín. Em julho, o juiz já tinha retirado do processo os cinco investidores que apresentaram a denúncia.
Perícias feitas em novembro de 2025 e reveladas pela imprensa argentina em março recuperaram, no celular de um dos envolvidos, a minuta de um contrato de cerca de US$ 5 milhões entre Milei e Davis, segundo o Jornal de Notícias. Perícias divulgadas nos últimos dias mostraram conversas frequentes entre Milei e Novelli durante o lançamento da moeda, segundo o mesmo jornal.

Em março, a comissão do Congresso que investigou o caso até novembro de 2025 denunciou o próprio Taiano por “obstrução da investigação” e “possível encobrimento”. As informações divulgadas até agora não detalham como esses pontos foram tratados na decisão desta sexta-feira.
Como o caso começou
Em 14 de fevereiro de 2025, Milei publicou no X uma mensagem sobre o “Viva la Libertad Project”, com um endereço de criptoativos para financiar empreendimentos privados argentinos. O preço da $LIBRA saiu de poucos centavos para quase US$ 5 e despencou em poucas horas, deixando prejuízos para investidores. Algumas carteiras digitais, em contrapartida, registraram lucros após compras feitas minutos antes do lançamento.
Milei apagou a publicação e negou vínculo com a criptomoeda. Na época, disse ter agido “de boa-fé” e acusou adversários políticos de tentar tirar proveito do episódio.
Não há, até o momento, informação sobre recurso contra o arquivamento.



