Sábado, 24 de outubro de 2026
--° São Paulo
Mundo

Justiça argentina arquiva investigação sobre a criptomoeda $LIBRA contra Milei e a irmã

Juiz acolheu pedido do promotor e encerrou o caso, que beneficia 11 investigados; o promotor foi denunciado em março por uma comissão do Congresso.

Siga o Trendou:XFacebookTelegramYouTube

Resumo rápido

  • O juiz Marcelo Martínez de Giorgi arquivou na sexta-feira (23) o caso $LIBRA, a pedido do promotor Eduardo Taiano.
  • A decisão beneficia 11 investigados, entre eles o presidente Javier Milei, a irmã Karina e o empresário Hayden Mark Davis.
  • Para o promotor, não há elementos para configurar crime; em março, uma comissão do Congresso denunciou o próprio Taiano.

A Justiça federal da Argentina arquivou, na sexta-feira (23), a investigação sobre a criptomoeda $LIBRA que tinha como alvos o presidente Javier Milei e a irmã dele, Karina. O juiz Marcelo Martínez de Giorgi acolheu o pedido do promotor Eduardo Taiano, que entendeu não haver elementos suficientes para caracterizar crime.

A decisão atinge 11 investigados. Além de Milei e Karina, estão na lista o empresário norte-americano Hayden Mark Davis, apontado como criador da moeda, e os lobistas Mauricio Novelli e Manuel Terrones Godoy, segundo o Metrópoles.

O que o promotor concluiu?

Taiano reconheceu que a moeda foi de fato emitida e que as operações podiam ser rastreadas pela tecnologia blockchain. Para ele, porém, o prejuízo financeiro, sozinho, não prova crime. Segundo o promotor, as negociações ocorreram no mercado de memecoins, marcado por forte volatilidade e especulação, sem garantia de rentabilidade.

Leia também: Onda gigante atinge repórter e cinegrafista ao vivo na Espanha; os dois não se feriram · Trump diz que Musk restabeleceu a Starlink na Ucrânia, mas Zelensky fala em velocidade ainda reduzida

De acordo com o Jornal de Notícias, de Portugal, a decisão sustenta que não foi identificado um artifício enganoso que tenha levado pessoas a comprar o ativo. Também não ficou estabelecida a ligação entre uma eventual manobra e as perdas após a queda do preço.

Javier Milei no Salão Branco, em imagem de arquivo
Javier Milei no Salão Branco, em imagem de arquivo (imagem ilustrativa) Foto: Cancillería Argentina, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

No caso de Milei, a decisão afirma que não houve atos funcionais nem decisões contrárias à lei ligadas à divulgação da moeda nas redes sociais. Sobre Karina, diz que não ficou provado que ela tenha pedido ou recebido dinheiro para facilitar reuniões do presidente com empresários ligados ao projeto.

O promotor citou ainda a resposta do Departamento de Justiça dos Estados Unidos a pedidos de cooperação da Justiça argentina. Segundo o órgão americano, o material reunido não bastava para comprovar, nos termos exigidos para a assistência pedida, que os investigados tivessem relação com os crimes relatados. A decisão também levou em conta o encerramento, no fim de setembro, de uma ação civil nos EUA movida por investidores contra Davis.

O que ficou em aberto?

A apuração durou cerca de um ano e meio e terminou sem que o promotor chamasse os envolvidos para depor, de acordo com o jornal argentino Clarín. Em julho, o juiz já tinha retirado do processo os cinco investidores que apresentaram a denúncia.

Perícias feitas em novembro de 2025 e reveladas pela imprensa argentina em março recuperaram, no celular de um dos envolvidos, a minuta de um contrato de cerca de US$ 5 milhões entre Milei e Davis, segundo o Jornal de Notícias. Perícias divulgadas nos últimos dias mostraram conversas frequentes entre Milei e Novelli durante o lançamento da moeda, segundo o mesmo jornal.

O presidente argentino Javier Milei, em imagem de arquivo
O presidente argentino Javier Milei, em imagem de arquivo (imagem ilustrativa) Foto: Vox España, via Wikimedia Commons (CC0)

Em março, a comissão do Congresso que investigou o caso até novembro de 2025 denunciou o próprio Taiano por “obstrução da investigação” e “possível encobrimento”. As informações divulgadas até agora não detalham como esses pontos foram tratados na decisão desta sexta-feira.

Como o caso começou

Em 14 de fevereiro de 2025, Milei publicou no X uma mensagem sobre o “Viva la Libertad Project”, com um endereço de criptoativos para financiar empreendimentos privados argentinos. O preço da $LIBRA saiu de poucos centavos para quase US$ 5 e despencou em poucas horas, deixando prejuízos para investidores. Algumas carteiras digitais, em contrapartida, registraram lucros após compras feitas minutos antes do lançamento.

Milei apagou a publicação e negou vínculo com a criptomoeda. Na época, disse ter agido “de boa-fé” e acusou adversários políticos de tentar tirar proveito do episódio.

Não há, até o momento, informação sobre recurso contra o arquivamento.

Fontes consultadas

Metrópoles — Argentina arquiva investigação contra Milei e irmã em caso de criptomoeda Jornal de Notícias — Javier Milei e irmã absolvidos no caso da criptomoeda $LIBRA Folha de S.Paulo — Argentina arquiva investigação contra Milei e irmã por escândalo com criptomoeda R7 — Justiça da Argentina arquiva investigação criminal contra Javier Milei e a irmã no caso da criptomoeda $LIBRA

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

Mais lidas agora

  1. 1+Milionária de R$ 108 milhões: quanto rende por mês na poupança e no CDB
  2. 213º salário 2026: 1ª parcela vai até 30 de novembro e a 2ª deve cair até 18 de dezembro
  3. 3Eleição no exterior: quem vota no 2º turno, horários e como justificar
  4. 4WSL: Medina e Italo Ferreira se enfrentam em Peniche; Yago Dora pega Colapinto
  5. 5Falha crítica no PHP tira eproc do ar e faz tribunais suspenderem prazos; veja o que se sabe

Escolha sua cidade

Sem escolha, mostramos o tempo da cidade aproximada pela sua conexão. A escolha fica salva só neste aparelho.

▶ Trendou no YouTube