Hackers desviaram cerca de US$ 6,3 bilhões (aproximadamente R$ 34 bilhões) em criptomoedas da Binance, a maior corretora do mundo, em cerca de 20 minutos. O roubo começou no fim da noite de quinta-feira (29). A empresa diz que o dinheiro dos clientes, inclusive dos brasileiros, não foi afetado, e os saques seguem suspensos.
Nesta sexta-feira (30), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi questionado na Casa Branca sobre a suspeita de envolvimento de hackers norte-coreanos. Ele respondeu: “Estamos investigando”. A autoria, porém, não foi confirmada.
Como o ataque aconteceu
A notícia se espalhou por volta das 22h50 de quinta-feira, no horário de Brasília, e o mercado de criptomoedas caiu. Segundo a Binance, a investigação inicial indica que tudo pode ter começado com a invasão do notebook de um engenheiro da empresa. Isso teria permitido o acesso a um sistema e saques não autorizados.
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Em comunicado desta sexta, a empresa afirmou ter encontrado “pontos adicionais de violação”. O co-CEO Richard Teng descreveu um ataque complexo, que manipulou o sistema responsável por aprovar transações. Os invasores também usaram software para apagar rastros.
O alvo foram as hot wallets, carteiras conectadas à internet. Elas movimentam valores com mais rapidez, mas ficam mais expostas a ataques do que as cold wallets, que permanecem offline.
O dinheiro dos brasileiros está seguro?
A BBrasil SPSAV Ltda., empresa do grupo Binance que atende usuários no Brasil, afirmou em comunicado que os fundos dos clientes permanecem seguros. Segundo a companhia, os ativos seguem as regras de segregação do Banco Central e estão em cold wallets, que não foram atingidas.
A Binance diz ter reservado mais de US$ 6,34 bilhões (cerca de R$ 34,3 bilhões) para cobrir o incidente. Desse total, US$ 5 bilhões estão nos mesmos tokens afetados. Eventuais perdas ligadas ao episódio serão pagas com recursos próprios, incluindo o fundo SAFU, e não há, segundo a empresa, evidência de vazamento de chaves privadas.
“Nunca usamos recursos dos clientes, portanto eles não são afetados”, escreveu Teng no X.
Os saques vão voltar quando?
A Binance chama a suspensão de medida preventiva, enquanto faz uma verificação de segurança. No comunicado para o Brasil, a empresa falou em suspensão por tempo indeterminado. Na manhã desta sexta, porém, disse esperar a retomada dos saques em até 48 horas.
Depósitos e os demais serviços, segundo a corretora, funcionam normalmente. No mercado, o Bitcoin chegou a US$ 76.368 (cerca de R$ 413 mil), a menor cotação em seis semanas. O Ether caiu mais de 3%, para US$ 2.178.
Quanto já foi recuperado e quem é suspeito?
Com ajuda de parceiros, a Binance informou ter localizado cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,2 bilhões) do total desviado. A Tether congelou cerca de US$ 1,57 bilhão, e a Circle, mais de US$ 800 milhões. Mais cedo, a corretora havia falado em US$ 2,54 bilhões congelados. O destino dos US$ 3,3 bilhões restantes não foi esclarecido.
As empresas de análise de blockchain TRM Labs e Chainalysis apontam o grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte. A TRM diz ter alto grau de confiança na atribuição, com base em semelhanças com ataques anteriores. A Binance afirma que ainda não identificou os autores. A Coreia do Norte costuma negar esse tipo de acusação, e seus representantes na Suíça e na China não responderam à Reuters.
Em fevereiro de 2025, a corretora Bybit perdeu cerca de US$ 1,5 bilhão em um ataque que o FBI atribuiu à Coreia do Norte e ao mesmo grupo. O FBI disse estar em contato com parceiros públicos e privados sobre o caso da Binance. A Reuters informa que a empresa também atua em conjunto com o Serviço Secreto americano.
O próximo passo é a retomada dos saques, que a Binance disse esperar em até 48 horas a partir da manhã desta sexta.



