A BYD quer começar a fabricar carros de ponta a ponta no Brasil até dezembro. O primeiro será o Atto 2, híbrido plug-in que hoje custa entre R$ 149.990 e R$ 166.660, e o plano foi apresentado nesta quinta-feira (29) em entrevista coletiva na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), em Salvador, quando a fábrica de Camaçari completa um ano de operação completa.
Na mesma ocasião, a montadora chinesa disse ter interesse em comprar o antigo terminal portuário usado pela Ford na Baía de Aratu, desativado desde que a americana deixou a Bahia, em 2021. Não há contrato, valor nem prazo para o negócio.
O que muda na fábrica de Camaçari
Até agora, os carros vendidos como produzidos na Bahia chegavam da China já pré-montados. Em Camaçari, a linha instalava itens como motor e pneus. A partir do fim do ano, a ideia é que três etapas pesadas passem a ser feitas no país:
Leia também: Concurso da PM da Bahia deve ter edital até dezembro, com 2.700 vagas · Pelo menos 23 países restringem compras de aves do Brasil após Newcastle em SC
- Estamparia: chapas de aço são prensadas para formar as peças da carroceria;
- Soldagem: as peças são unidas para montar a estrutura do carro;
- Pintura: inclui a proteção contra corrosão e o acabamento.
Depois vem a montagem final, com portas, vidros, motor, tanque e pneus. Segundo o vice-presidente da fábrica, Alexandre Baldy, os três novos complexos estão em fase de testes, que devem terminar em meados de novembro. A expectativa dele é “começar a produção local entre novembro e dezembro”, de acordo com o g1 Bahia.
Qual é o carro e quanto custa
O Atto 2 escolhido para inaugurar a fase nacional é um híbrido plug-in: combina motor elétrico com um motor a combustão que aceita gasolina ou etanol. A faixa de preço informada é de R$ 149.990 a R$ 166.660.
Hoje, a planta monta cerca de 700 veículos por dia, de quatro modelos:
- Dolphin Mini;
- Song Pro;
- Atto 2;
- King.
Por que a BYD quer o Porto da Ford
O alvo é o Terminal Portuário Privativo Miguel de Oliveira, conhecido como Porto da Ford. Ele fica em Candeias, no Canal de Cotegipe, a cerca de 35 km de Camaçari, e foi construído para escoar os carros da antiga fábrica da Ford. Hoje pertence ao governo da Bahia.
Baldy relacionou o interesse ao plano de exportar para as Américas do Sul, Central e do Norte. A empresa quer ser, nas palavras dele, “uma empresa regional contígua” entre essas regiões, segundo o Olhar Digital.
Exportar dentro do Mercosul tem uma exigência: acordos do bloco pedem ao menos 35% de componentes locais. Montar o carro no Brasil ajuda, mas não garante sozinho esse índice, porque ele depende da origem das peças.
Quantos empregos a fábrica gera
A BYD informa ter investido R$ 11 bilhões no complexo, que tem cerca de 1 milhão de metros quadrados construídos e é o maior polo da marca fora da China. A empresa diz que pretende dobrar a área nos próximos anos, sem cronograma definido.
- Hoje: 9 mil empregos diretos;
- Meta para 2026: 10 mil;
- Depois de todos os investimentos: 20 mil.
Levantamento do Observatório da Indústria da Fieb, feito com dados da Rais e do Caged, aponta salário médio de R$ 3,9 mil na fábrica, 24% acima da média da indústria baiana. A BYD tem parceria com o observatório para medir esses resultados.
O avanço chinês no mercado brasileiro
O anúncio ocorre num momento em que os carros vindos da China ganham espaço. De janeiro a agosto de 2026, o Brasil importou 406,7 mil veículos, alta de 29,8% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Anfavea. Desse total, 221 mil vieram da China, um salto de 109,9%.
A concorrência reclama das condições. No início de outubro, o presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, disse que a indústria ocidental subestimou a velocidade da eletrificação e que faltam regras e previsibilidade para formar fornecedores no país. Segundo ele, itens como aço, plásticos e pneus nacionais podem sair mais caros que os chineses.
Próximos passos
A próxima etapa é o fim dos testes de estamparia, soldagem e pintura, previsto para meados de novembro. Se o cronograma se mantiver, as primeiras unidades do Atto 2 feitas integralmente em Camaçari saem da linha até dezembro. A compra do porto ainda depende de negociação com o governo baiano.



