Sexta-feira, 30 de outubro de 2026
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BYD promete Atto 2 feito do zero na Bahia até dezembro e quer o antigo porto da Ford

Fábrica de Camaçari, que faz um ano, testa estamparia, soldagem e pintura; montadora chinesa estuda comprar terminal em Candeias para exportar

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Resumo rápido

  • A BYD prevê fabricar o Atto 2 integralmente em Camaçari (BA) a partir de novembro ou dezembro.
  • A montadora quer comprar o Porto da Ford, em Candeias, hoje do governo baiano, para exportar.
  • A fábrica monta 700 carros por dia, emprega 9 mil e mira 20 mil vagas no futuro.

A BYD quer começar a fabricar carros de ponta a ponta no Brasil até dezembro. O primeiro será o Atto 2, híbrido plug-in que hoje custa entre R$ 149.990 e R$ 166.660, e o plano foi apresentado nesta quinta-feira (29) em entrevista coletiva na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), em Salvador, quando a fábrica de Camaçari completa um ano de operação completa.

Na mesma ocasião, a montadora chinesa disse ter interesse em comprar o antigo terminal portuário usado pela Ford na Baía de Aratu, desativado desde que a americana deixou a Bahia, em 2021. Não há contrato, valor nem prazo para o negócio.

O que muda na fábrica de Camaçari

Até agora, os carros vendidos como produzidos na Bahia chegavam da China já pré-montados. Em Camaçari, a linha instalava itens como motor e pneus. A partir do fim do ano, a ideia é que três etapas pesadas passem a ser feitas no país:

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  • Estamparia: chapas de aço são prensadas para formar as peças da carroceria;
  • Soldagem: as peças são unidas para montar a estrutura do carro;
  • Pintura: inclui a proteção contra corrosão e o acabamento.

Depois vem a montagem final, com portas, vidros, motor, tanque e pneus. Segundo o vice-presidente da fábrica, Alexandre Baldy, os três novos complexos estão em fase de testes, que devem terminar em meados de novembro. A expectativa dele é “começar a produção local entre novembro e dezembro”, de acordo com o g1 Bahia.

Qual é o carro e quanto custa

O Atto 2 escolhido para inaugurar a fase nacional é um híbrido plug-in: combina motor elétrico com um motor a combustão que aceita gasolina ou etanol. A faixa de preço informada é de R$ 149.990 a R$ 166.660.

Hoje, a planta monta cerca de 700 veículos por dia, de quatro modelos:

  • Dolphin Mini;
  • Song Pro;
  • Atto 2;
  • King.

Por que a BYD quer o Porto da Ford

O alvo é o Terminal Portuário Privativo Miguel de Oliveira, conhecido como Porto da Ford. Ele fica em Candeias, no Canal de Cotegipe, a cerca de 35 km de Camaçari, e foi construído para escoar os carros da antiga fábrica da Ford. Hoje pertence ao governo da Bahia.

Baldy relacionou o interesse ao plano de exportar para as Américas do Sul, Central e do Norte. A empresa quer ser, nas palavras dele, “uma empresa regional contígua” entre essas regiões, segundo o Olhar Digital.

Exportar dentro do Mercosul tem uma exigência: acordos do bloco pedem ao menos 35% de componentes locais. Montar o carro no Brasil ajuda, mas não garante sozinho esse índice, porque ele depende da origem das peças.

Quantos empregos a fábrica gera

A BYD informa ter investido R$ 11 bilhões no complexo, que tem cerca de 1 milhão de metros quadrados construídos e é o maior polo da marca fora da China. A empresa diz que pretende dobrar a área nos próximos anos, sem cronograma definido.

  • Hoje: 9 mil empregos diretos;
  • Meta para 2026: 10 mil;
  • Depois de todos os investimentos: 20 mil.

Levantamento do Observatório da Indústria da Fieb, feito com dados da Rais e do Caged, aponta salário médio de R$ 3,9 mil na fábrica, 24% acima da média da indústria baiana. A BYD tem parceria com o observatório para medir esses resultados.

O avanço chinês no mercado brasileiro

O anúncio ocorre num momento em que os carros vindos da China ganham espaço. De janeiro a agosto de 2026, o Brasil importou 406,7 mil veículos, alta de 29,8% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Anfavea. Desse total, 221 mil vieram da China, um salto de 109,9%.

A concorrência reclama das condições. No início de outubro, o presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, disse que a indústria ocidental subestimou a velocidade da eletrificação e que faltam regras e previsibilidade para formar fornecedores no país. Segundo ele, itens como aço, plásticos e pneus nacionais podem sair mais caros que os chineses.

Próximos passos

A próxima etapa é o fim dos testes de estamparia, soldagem e pintura, previsto para meados de novembro. Se o cronograma se mantiver, as primeiras unidades do Atto 2 feitas integralmente em Camaçari saem da linha até dezembro. A compra do porto ainda depende de negociação com o governo baiano.

Fontes consultadas

g1 Bahia — BYD prevê produção de carro 100% brasileiro até dezembro e mira aquisição de porto Olhar Digital — BYD avança na Bahia e quer comprar porto desativado da Ford CPG Click Petróleo e Gás — BYD quer produzir Atto 2 integralmente em Camaçari até dezembro

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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