O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversaram nesta sexta-feira (30), em Atlanta, na Geórgia, e combinaram um novo encontro antes da Cúpula de Líderes do G20. A data e o local ainda não foram definidos.
A conversa foi breve e aconteceu durante o coquetel oferecido às delegações na reunião de chanceleres do G20. O g1 informou, com base em fontes do Itamaraty ouvidas pela GloboNews, que os dois acertaram o novo contato. Segundo a Folha de S.Paulo e o Valor Econômico, eles não trataram de questões específicas.
O que ficou combinado
A ideia, de acordo com a Folha, é repassar a agenda bilateral antes da cúpula. A CartaCapital informa que o evento está previsto para 14 e 15 de dezembro, em Miami, na Flórida.
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Antes da conversa, a revista havia noticiado que o Itamaraty não trabalhava, a princípio, com uma reunião bilateral formal entre os dois. Vieira participa da reunião de chanceleres, conduzida por Rubio, nesta sexta e no sábado (31). A programação brasileira prevê três sessões de trabalho: geopolítica, energia e cadeias de suprimento.
Segundo a Folha, Rubio, que é o anfitrião, destoou do clima de euforia entre os colegas, mas não criou constrangimento para Vieira, com quem tem relação profissional há anos. A coluna relata que representantes de ao menos dez delegações, entre elas China, Alemanha, França, Índia e União Europeia, cumprimentaram o ministro pela vitória de Lula.
Por que a relação está tensa
Lula (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos contra 48,21%. A diferença foi de 4,4 milhões de votos. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, confirmou o resultado na mesma noite.
Donald Trump ainda não reconheceu a vitória. Na terça-feira (27), voltou a insinuar fraude, sem apresentar provas. Nesta semana, segundo o Valor, ele afirmou: “A eleição foi muito estranha, e achei terrível”. Na quinta-feira (29), disse que falará com Lula, mas, questionado sobre quem venceu, respondeu: “não quero comentar isso agora”.
O senador Flávio Bolsonaro viajou com a família para os Estados Unidos, contrariando a proibição do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o g1. Uma consulta ao sistema da agência americana de fronteiras (CBP) indica que ele foi admitido em categoria que permite permanência até 27 de outubro de 2027. O g1 procurou a agência e não obteve resposta até a última atualização da reportagem.
O Valor, citando o jornal The New York Times, informa que o jato usado por Flávio na viagem a Miami foi obtido com a intermediação de Jason Miller, funcionário de comunicações da Casa Branca.
O que o governo brasileiro pretende fazer
De acordo com o Valor, o governo Lula avalia que a posição de Trump não compromete a legitimidade da eleição. A expectativa é manter os canais de diálogo, como ocorreu durante o tarifaço do ano passado. Uma ala do Planalto defende que Lula não comente a posição do americano e que o governo não a rebata de forma institucional.
A CartaCapital relata que integrantes do governo avaliam que Washington, que preside o G20, mostra pouco interesse nas pautas multilaterais e dá prioridade a acordos bilaterais.
A conversa não encerra o impasse sobre o reconhecimento do resultado. O próximo passo é definir data e local do encontro que vai anteceder a cúpula, prevista para 14 e 15 de dezembro.



