A Bolsa brasileira terminou a primeira semana depois do 2º turno com a pior perda semanal em mais de seis anos. O Ibovespa caiu 18,12% entre segunda (26) e sexta-feira (30) e fechou o último pregão de outubro aos 167.921,80 pontos, segundo a Agência Brasil. O dólar à vista subiu 9,15% no mesmo período e encerrou a sexta a R$ 5,446, o maior valor de fechamento de 2026.
Foi a maior queda semanal do índice desde março de 2020, no começo da pandemia, quando a perda chegou a 18,88%. Para o dólar, foi a maior alta em uma semana desde outubro de 2008, auge da crise financeira global.
Por que a Bolsa caiu tanto depois da eleição
Analistas ouvidos pelos veículos de mercado ligam a venda em massa ao resultado do domingo (25), quando o presidente Lula (PT) foi reeleito. Boa parte dos investidores havia apostado em troca de governo e em ajuste nas contas públicas, e os preços das ações foram refeitos de uma vez, segundo o InvestNews e a CNN Brasil.
O tombo começou na abertura de segunda. A B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações quando a queda passa de 10%, e o Ibovespa fechou o dia com perda perto de 14%. Nos três primeiros pregões da semana, investidores tiraram cerca de R$ 7,6 bilhões do mercado de ações, de acordo com dados da B3 citados pela Agência Brasil.

Na sexta, a queda foi menor, de 0,75%, mas foi o quinto pregão seguido no vermelho. O índice está no menor nível em cerca de dois meses e meio.
Quanto o Ibovespa e o dólar acumulam no mês e no ano
- Ibovespa em outubro: queda de 9,88%, a pior perda mensal desde junho de 2022. O índice começou o mês em 186.340 pontos e chegou a fechar acima de 209 mil antes do 2º turno.
- Ibovespa em 2026: ainda sobe 4,22% no ano, segundo o InvestNews.
- Dólar em outubro: alta de 5,27%.
- Dólar em 2026: alta de 0,81%, praticamente estável.
- Juros futuros: o DI para janeiro de 2028 foi a 14,5% ao ano, alta de 1,64 ponto percentual na semana; a Selic está em 13,75%.
A alta dos juros futuros mostra que o mercado passou a cobrar mais para emprestar ao governo, o que encarece a dívida pública e pode chegar ao crédito de empresas e famílias.
O que pesou na sexta-feira
No último pregão de outubro, a cotação de fim de mês calculada pelo Banco Central, a Ptax, e a procura por proteção cambial antes do feriado de Finados, na segunda (2), pressionaram o dólar, de acordo com a Agência Brasil. A moeda chegou a R$ 5,463 na máxima do dia, por volta das 16h.
O exterior também não ajudou. As bolsas de Nova York caíram com dúvidas sobre o retorno dos gastos das big techs em inteligência artificial, e o ataque hacker que desviou US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da Binance derrubou o bitcoin, segundo a CNN Brasil.
No mesmo dia, o IBGE divulgou desemprego de 5,2% no trimestre até setembro, a menor taxa para o período desde 2012. O dado não foi suficiente para mudar o humor da Bolsa.

O que os bancos projetam para as próximas semanas
As casas de análise divergem sobre o tamanho do ajuste. As projeções reunidas pelo InvestNews:
- JPMorgan: previa queda de cerca de 20%, para perto de 170 mil pontos, nível que o índice já rompeu.
- BTG: vê espaço para mais 10% de ajuste em dólares ou para o índice andar de lado até o governo detalhar a política fiscal.
- Morgan Stanley: estima 130 mil pontos até meados de 2027 e admite dólar a R$ 6 se o mercado passar a ver risco de dominância fiscal, quando a dívida limita o poder do Banco Central de controlar a inflação.
- Goldman Sachs: diz que o rumo depende dos sinais das próximas semanas, como a escolha do ministro da Fazenda e o ajuste do Orçamento de 2027.
- Itaú BBA: projeta retorno de 25% ao ano em três anos, se o ambiente se estabilizar.
Para o câmbio, bancos americanos falam em dólar entre R$ 5,50 e R$ 5,60 nas próximas semanas. No cenário mais otimista, a moeda voltaria para baixo de R$ 5,30.
Ações ficaram baratas?
Pelo critério de preço sobre lucro, sim: o Ibovespa negocia entre 7,7 e 7,9 vezes o lucro projetado das empresas, abaixo da média de 10 vezes da última década, segundo o InvestNews.
O que vem na próxima semana
A B3 e os bancos fecham na segunda (2), feriado de Finados, e os negócios voltam na terça (3). No mesmo dia, os Estados Unidos fazem as eleições de meio de mandato, que definem o controle do Congresso americano. Na quarta (4), o Copom anuncia a decisão sobre a Selic. Até lá, o mercado espera conhecer o ministro da Fazenda do novo mandato e o primeiro sinal do governo sobre as contas de 2027.



