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Telescópio da Nasa deve reentrar em semanas e órbita inclui parte do Brasil

Após a falha de uma missão privada de resgate, o observatório de cerca de 1,5 tonelada perde altitude. A Nasa ainda não divulgou data, horário nem local da queda.

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Resumo rápido

  • Telescópio Swift, da Nasa, deve reentrar na atmosfera nas próximas semanas; data e local ainda não foram informados
  • A órbita, inclinada cerca de 20,6 graus, abrange latitudes que incluem parte do Brasil, mas não há previsão de queda no país
  • Missão privada de resgate, lançada em 3 de julho, não conseguiu elevar a órbita; a maior parte da estrutura deve se desintegrar

O telescópio espacial Neil Gehrels Swift Observatory, da Nasa, deve voltar à atmosfera terrestre nas próximas semanas. A agência ainda não informou dia, horário nem local da reentrada, e não há confirmação de que algum fragmento atinja o Brasil.

A Nasa anunciou o fim das atividades científicas do observatório em comunicado divulgado na sexta-feira (23). O equipamento foi lançado em novembro de 2004 para uma missão de dois anos e ficou em órbita por quase 22 anos.

O Brasil corre risco de receber destroços?

A trajetória do Swift tem inclinação de cerca de 20,6 graus em relação à Linha do Equador. Essa faixa de latitudes inclui parte do território brasileiro, o que torna uma reentrada sobre o país possível do ponto de vista físico. Possível, porém, não significa prevista.

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Marcos Calil, responsável pelo Setor de Observatório da Urânia Planetário, separa os dois conceitos:

“É importante separar possibilidade de previsão. O Brasil não pode ser descartado simplesmente por estar parcialmente dentro da faixa orbital do Swift, mas hoje não existe qualquer dado que permita afirmar que os destroços cairão no país.”

Segundo a Metrópoles, a maior parte do material deve se desintegrar na descida, e o risco de restos caírem em áreas habitadas é baixo. Com cerca de 1,5 tonelada, o equipamento deve ser destruído em grande parte pelo calor, de acordo com o Portal Banda B, mas componentes mais resistentes podem chegar ao solo. Ainda não se sabe quais peças seriam essas.

Por que a Nasa não sabe onde vai cair

O instante exato da reentrada depende da densidade da atmosfera, da atividade solar e do comportamento da própria espaçonave. Pequenas mudanças em qualquer um desses fatores podem alterar a hora da queda e, com ela, a região atingida.

As estimativas devem ficar mais precisas à medida que o telescópio perder altitude. Em 28 de outubro, a Nasa informou que o Swift orbitava a menos de 275 quilômetros da superfície. Nessa altura, o arrasto atmosférico impede que os instrumentos façam observações estáveis. A última observação científica foi em 20 de outubro.

O que deu errado no resgate

O Swift não tem propulsores, por isso não consegue reagir ao arrasto que o puxa para baixo. Para tentar mantê-lo em operação, a Nasa firmou uma parceria com uma empresa privada.

Em 3 de julho, a espaçonave LINK, da empresa norte-americana Katalyst Space Technologies, sediada no Arizona, foi lançada para se encontrar com o Swift. A ideia era acoplar o instrumento a três braços robóticos e elevá-lo a uma órbita mais alta. A LINK teve problemas no sistema de propulsão e nos sistemas que mantêm a orientação. No fim, conseguiu apenas se aproximar do telescópio e registrar uma imagem dele.

Qual foi a contribuição científica do Swift?

O foco do observatório eram as explosões de raios gama, consideradas as mais poderosas do cosmos. Segundo o Portal Banda B, ele detectou mais de 2 mil dessas explosões e estudou mais de 1.400 supernovas. Também observou buracos negros, asteroides e cometas.

A Nasa estima que cerca de 7 mil artigos científicos tenham usado dados do Swift. Para Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica da agência em Washington, o telescópio deixa “um extraordinário arquivo de observações em múltiplas faixas de comprimentos de onda” que deve impulsionar descobertas por décadas.

A Nasa ainda não divulgou data para a reentrada. As estimativas devem ficar mais precisas conforme o telescópio perder altitude nos próximos dias.

Correção (30/10, 07:30): uma versão anterior chamava a empresa responsável pela LINK de “Arizona Katalyst Space Technologies”; o nome é Katalyst Space Technologies, com sede no Arizona.

Fontes consultadas

O Antagonista — Vai cair no Brasil? Partes de telescópio espacial da Nasa podem atingir território brasileiro Portal Banda B — Telescópio da NASA vai cair na Terra e local da queda ainda é um mistério; Brasil está na rota? Metrópoles — Telescópio da Nasa vai cair na Terra após fracasso em missão de resgate CNN Brasil — Partes de telescópio espacial desativado da Nasa podem atingir o Brasil ao cair do espaço Gunter's Space Page — Link (SRM, Swift Rescue Mission)

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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