Domingo, 1 de novembro de 2026
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França registra mais de 560 prisões em protestos no terceiro fim de semana

Governo estima 320 mil manifestantes neste sábado (31), menos que nas duas semanas anteriores. Estudantes convocam novos bloqueios a partir de terça-feira (3).

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Resumo rápido

  • Mais de 560 prisões na França até a noite de sábado (31), segundo a Jovem Pan; balanço parcial do governo falava em 296
  • Governo estima 320 mil manifestantes, contra 410 mil em 24/10 e 550 mil em 17/10
  • Estudantes convocam bloqueios a partir de terça (3) e adesão à greve de quinta (5)

A França registrou mais de 560 prisões até a noite deste sábado (31), no terceiro fim de semana seguido de atos contra o custo de vida e as condições da educação, segundo a Jovem Pan. O governo estima que cerca de 320 mil pessoas foram às ruas, abaixo dos 410 mil de 24 de outubro e dos 550 mil de 17 de outubro.

Na descrição da Jovem Pan, as manifestações foram em sua maioria pacíficas, com confrontos isolados em Paris e em outras cidades. Perto de Porte de Charenton, onde a marcha terminou, manifestantes lançaram garrafas de vidro e fogos de artifício contra os policiais. A polícia reagiu com gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral.

Por que os números de presos diferem

Os veículos não publicaram o mesmo balanço. A Gazeta do Povo cita um levantamento provisório do Ministério do Interior, divulgado até as 18h no horário local (13h em Brasília): pelo menos 296 presos e dez agentes feridos. Segundo o jornal, não foram divulgados dados sobre manifestantes feridos.

Leia também: ONG diz que bombardeio venezuelano contra o ELN deixou ao menos 9 mortos · FBI diz que hackers da Coreia do Norte roubaram US$ 6,3 bilhões da Binance

A Jovem Pan fala em mais de 560 prisões “até a noite”, sem informar o horário exato do balanço. As fontes não explicam a diferença entre os dois números.

Na comparação com o sábado anterior, as prisões caíram. Em 24 de outubro, já havia mil presos às 20h, e o fim de semana inteiro somou cerca de 2,4 mil, segundo a Agência EFE, citada pela Gazeta do Povo.

Como foi o policiamento na noite de Halloween

O governo mobilizou cerca de 70 mil policiais. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, havia alertado para um risco “muito elevado” de distúrbios, sobretudo na noite de Halloween. Em Paris, o acesso a áreas como a Place de la République e Les Halles ficou restrito das 23h às 6h, no sábado e no domingo.

De acordo com a Gazeta do Povo, circulavam nas redes sociais convocações para atos sem autorização e para ações violentas na data. Ao longo da semana, o governo do presidente Emmanuel Macron acusou a esquerda radical de incentivar os protestos e a violência.

O que os estudantes querem

O movimento começou em setembro, na região de Paris, com alunos do ensino médio insatisfeitos com a situação das escolas, a falta de professores e o sistema de acesso à universidade. Sindicatos e outros grupos críticos ao governo depois aderiram. Em outubro, o protesto passou a registrar incêndios em escolas, ataques a policiais, depredações e saques a lojas.

O governo propôs limitar a 28 o número de alunos por turma no segundo ano do ensino médio, em metade das escolas menos favorecidas, a partir de setembro de 2027. A regra seria ampliada a todas as escolas em 2028. Também está prevista a contratação de professores e haverá mudanças no Parcoursup, plataforma de admissão ao ensino superior que será substituída em 2028.

A União Nacional dos Estudantes da França (Unef) calcula que atender a todas as demandas custaria cerca de 10 bilhões de euros, incluindo 250 mil vagas no ensino superior, mais professores e reforma das escolas. É uma estimativa da entidade, não do governo.

O que vem na terça e na quinta

Organizações estudantis convocaram novos bloqueios em universidades e escolas a partir de terça-feira (3), depois do fim das férias de outono. Na quinta-feira (5), pedem que os estudantes se juntem à greve convocada pelos sindicatos. “Vemos que este governo organiza o caos”, afirmou a porta-voz da União Estudantil, Sabrine Kharbach.

Uma pesquisa da Odoxa-Backbone Consulting para o jornal Le Figaro, citada pela Gazeta do Povo, indica que 64% dos franceses querem o fim das mobilizações estudantis. Levantamentos anteriores mostravam que mais de seis em cada dez apoiavam os secundaristas.

As aulas recomeçam na segunda-feira (2). A adesão aos bloqueios nos dias seguintes servirá de termômetro para a força do movimento depois das férias e dos anúncios do governo.

Fontes consultadas

Gazeta do Povo — Protestos na França deixam cerca de 300 presos Jovem Pan — França registra mais de 560 prisões em protestos e confrontos com a polícia

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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