O FBI atribuiu a hackers ligados à Coreia do Norte o roubo de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da Binance, apontada como a maior corretora do mundo. O comunicado da agência norte-americana saiu neste sábado (31). De acordo com o texto divulgado, o dinheiro deixou a plataforma em questão de minutos, na quinta-feira (29).
A agência liga o ataque ao TraderTraitor, grupo que descreve como patrocinado pelo Estado norte-coreano. A mesma organização é associada ao roubo de US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit, em fevereiro de 2025. Estadão e Jovem Pan tratam o caso atual como o maior do tipo já registrado, e a Revista Oeste escreve que ele pode ser o maior golpe financeiro da história. Analistas também relacionaram o ataque à Coreia do Norte.
O que o FBI pediu ao mercado
Segundo a agência, a investigação mostrou que os invasores vinham convertendo a maior parte dos ativos roubados em ethereum. O FBI solicitou a corretoras, empresas de análise de blockchain e outros participantes do setor que bloqueiem transações ligadas a determinados endereços, para impedir a lavagem do dinheiro.
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A previsão do órgão é que o grupo tente agora mover os recursos por finanças descentralizadas (DeFi) e por serviços de troca instantânea de criptomoedas.
A Binance vai devolver o dinheiro?
A empresa informou que mantém reservas das mesmas criptomoedas levadas no ataque, em volume suficiente para cobrir 90% do que sumiu, e prometeu reembolso total aos clientes. Os 10% restantes, de acordo com a corretora, são tokens de baixa liquidez, e reunir as quantidades necessárias pode demorar mais.
A Binance diz ter separado mais de US$ 6,34 bilhões de recursos próprios para recompor os ativos. O co-CEO Richard Teng afirmou que US$ 5 bilhões já estão disponíveis em USDC, USDT, bitcoin, ethereum e BNB.
Na quinta-feira, a companhia anunciou o congelamento de US$ 2,54 bilhões. O valor bloqueado subiu depois para US$ 3 bilhões. Segundo a Revista Oeste, emissores de stablecoins como Tether, Circle e World Liberty Financial congelaram cerca de metade dos ativos roubados.
Por onde os invasores entraram?
Uma apuração preliminar da Binance aponta como possível porta de entrada o laptop de um engenheiro de DevOps, que atua na área de infraestrutura de sistemas. Por meio desse equipamento, o invasor teria chegado a um contêiner de serviço e realizado saques sem autorização. A empresa trata a hipótese como preliminar; a causa ainda não foi confirmada de forma definitiva.
Quanto tempo leva para lavar o dinheiro?
Ari Redbord, diretor de políticas públicas da TRM Labs, empresa de inteligência em blockchain, espera que os hackers dividam os valores em partes pequenas e usem corretoras menores para escapar da detecção. Segundo ele, esse processo pode levar meses.
“É um assalto a banco, neste caso, na velocidade da internet”, disse Redbord. Ele também afirmou que é possível rastrear e monitorar os fundos em tempo real, para montar investigações, interromper operações e recuperar valores.
Os saques na Binance continuam suspensos. A empresa trabalha para colocar o sistema de volta no ar em cerca de 34 horas, prazo que indicava retomada por volta das 3h de domingo (1º), no horário de Brasília. O ataque também derrubou os preços das criptomoedas.



