O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), é hoje o nome mais cotado para comandar o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo InfoMoney e Estadão. Ainda não houve convite oficial. De acordo com o entorno do presidente, a montagem do ministério só deve começar a ser decidida depois de 16 de novembro, data em que Lula retorna de viagem à Turquia e às Filipinas.
A escolha interessa a quem acompanha juros, dívida e crescimento. O novo titular da pasta terá de conduzir as negociações do Orçamento de 2027 e apresentar medidas para conter o avanço das despesas, segundo a InfoMoney. O projeto de orçamento do Executivo traz superávit primário de R$ 18,6 bilhões, número que, conforme a publicação, vai depender da evolução de receitas e gastos e do que o Congresso aprovar.
Quem está cotado para a Fazenda?
Fonteles foi secretário da Fazenda do Piauí de 2015 a 2022 e presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). Foi reeleito governador no primeiro turno, com 70,9% dos votos válidos. Ele afirmou publicamente que ainda não discutiu o assunto com Lula. Para ir a Brasília, teria de deixar o governo estadual, sem a possibilidade de apenas se licenciar.
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O atual ministro, Dario Durigan, também é considerado. Ele ocupa a pasta desde a saída de Fernando Haddad, que deixou o ministério para concorrer ao governo de São Paulo. Para a InfoMoney, mantê-lo significaria preservar parte da equipe que cuidou da política fiscal no terceiro mandato.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) aparece na lista e ganhou espaço nas negociações comerciais com os Estados Unidos. Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, também são mencionados. Segundo a InfoMoney, nenhum dos citados foi formalmente indicado para o cargo.
Por que o nome de Fonteles preocupa parte do PT?
Segundo a coluna do Estadão, petistas avisaram Lula de que nomear o governador o obrigaria a mantê-lo por quatro anos, já que quem renuncia ao governo estadual não retorna ao posto. O texto lembra o caso de Márcio Macêdo na Secretaria-Geral da Presidência: a gestão dele foi criticada, mas Lula relutou em demiti-lo.
O economista Marcos Lisboa, ex-presidente do Insper, elogiou Fonteles em entrevista ao Estadão. Ele observou, porém, que a política econômica será definida por Lula, seja quem for o ministro.
O que a proposta de Lara Resende tem a ver com isso?
A Folha informou que uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, entrou no radar de Lula. Ele defende reduzir a Selic, hoje em 13,75% ao ano, com um novo arranjo que combine política fiscal e política monetária. Em artigo publicado no fim de setembro, argumentou que o problema das contas públicas está nos juros, e não nos gastos. A dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em setembro, segundo o Banco Central.
Segundo a Folha, a ideia causou apreensão no mercado financeiro. Aliados de Lula passaram a defender que a equipe econômica seja definida mais cedo, para dar sinais concretos ao mercado e conter a alta do dólar registrada nesta semana, após o resultado do segundo turno.
O colunista Lauro Jardim, de O Globo, publicou que a proposta poderia ser apresentada a Lula num encontro na próxima semana. Dois integrantes da equipe econômica disseram à Folha que não há encontro formalmente previsto e que o presidente pretende ouvir vários economistas. A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) elogiou o artigo no X neste domingo (1º). Lara Resende foi procurado pela Folha e não respondeu.
Quando a equipe econômica deve ser anunciada?
Lula participa da COP31, em Antália, na Turquia, e da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Cebu, nas Filipinas. Só depois de voltar, em 16 de novembro, deve começar a decidir os ministros. Até lá, segundo a InfoMoney, o mercado acompanhará a reação dos juros futuros e do câmbio.
Correção (01/11, 19h20): uma versão anterior dizia que a dívida bruta estava em 82,5% do PIB. O dado mais recente do Banco Central, de setembro, é 82,9%.



