Segunda-feira, 2 de novembro de 2026
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Ex-coronel uruguaio condenado na Itália é preso em Sant’Ana do Livramento (RS)

Pedro Antônio Narbondo Mato, o "El Burro", foi detido enquanto aguardava o conserto de um carro; no Brasil, a pena de prisão perpétua virou 30 anos de reclusão.

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Resumo rápido

  • A Polícia Federal prendeu em Sant'Ana do Livramento (RS) o ex-coronel uruguaio Pedro Antônio Narbondo Mato, condenado na Itália por crimes da Operação Condor.
  • No Brasil, a prisão perpétua aplicada na Itália foi convertida em 30 anos de reclusão, segundo a reportagem do g1.
  • Segundo o g1, é a primeira vez que a Justiça brasileira manda prender um condenado por violações cometidas na ditadura militar.

A Polícia Federal prendeu em Sant’Ana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, o ex-coronel uruguaio Pedro Antônio Narbondo Mato, conhecido como “El Burro”. Segundo reportagem do Fantástico publicada pelo g1, ele foi detido enquanto esperava o conserto do carro em uma oficina da cidade gaúcha.

Narbondo foi condenado pela Justiça da Itália à prisão perpétua por tortura e pelo assassinato de opositores políticos na Operação Condor, uma aliança clandestina entre ditaduras sul-americanas nos anos 1970 e 1980. Como a legislação brasileira não prevê prisão perpétua, a pena foi convertida em 30 anos de reclusão.

Quem é o ex-militar

De acordo com o g1, Narbondo integrou o aparelho repressivo do Uruguai e recebeu treinamento na Escola das Américas, academia militar mantida pelos Estados Unidos. Ele também atuou no centro clandestino “Automotores Orletti”, em Buenos Aires, que funcionava numa antiga oficina mecânica e serviu de local de tortura e execuções.

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O apelido “El Burro”, segundo a reportagem, vem da extrema violência com que ele tratava presos políticos nas sessões de tortura.

Entre as vítimas atribuídas a ele está Bernardo Arnone, metalúrgico uruguaio que desapareceu em Buenos Aires em 1976, aos 24 anos. Opositor do regime militar do Uruguai, Bernardo havia se exilado na Argentina. Sua irmã, Cristina Arnone, relembrou o último dia: “Ele saiu de casa às 7h30. Disse que voltaria ao meio-dia. E não voltou mais.”

Como ele chegou ao Brasil

Depois que as investigações avançaram no Uruguai, Narbondo deixou o país e obteve o reconhecimento da cidadania brasileira, por ser filho de mãe nascida no Brasil. Em depoimento à Justiça, admitiu que a manobra tinha o objetivo de impedir sua extradição.

O subprocurador Artur Gueiros afirmou na reportagem que a Constituição proíbe a extradição de brasileiros natos. Para ele, o ex-militar apostou na impunidade: “Ele contou com a esperança de que ficaria impune”.

Por que a prisão é considerada inédita

Segundo o g1, é a primeira vez que a Justiça brasileira determina a prisão de um condenado por violações de direitos humanos cometidas na ditadura militar. A decisão que mandou cumprir a pena no país foi do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A acusação ganhou força em 1999, quando familiares das vítimas recorreram à Justiça italiana. O tribunal da Itália assumiu o caso com base no princípio da jurisdição internacional, aplicado a crimes graves contra pessoas de origem italiana. Para reunir provas, Cristina Arnone e o procurador italiano Giancarlo Capaldo viajaram aos Estados Unidos e examinaram documentos sigilosos que haviam sido desclassificados.

O paradeiro de Narbondo no Brasil só foi descoberto anos depois. A esposa dele publicou nas redes sociais fotos de uma viagem ao Nordeste, e o ativista Jair Krischke, fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), identificou onde o casal morava e avisou as autoridades europeias.

O que se sabe sobre os vizinhos e o que falta saber

Narbondo viveu por mais de 20 anos de forma discreta numa rua de Sant’Ana do Livramento. Um vizinho disse que “ninguém vai ter uma coisa negativa para você dele”. Outro afirmou ter ficado em estado de choque ao saber dos crimes.

O trecho da reportagem disponível não informa se a defesa de Narbondo se manifestou nem onde ele cumprirá a pena.

Fontes consultadas

g1 — Ex-coronel uruguaio é preso no RS por crimes na ditadura

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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