O paraibano Joelison Fernandes da Silva, conhecido como Ninão, voltou a andar com duas próteses feitas sob medida. Aos 41 anos e com 2,37 m, ele é considerado o homem mais alto do Brasil. O Fantástico, da TV Globo, acompanhou os primeiros passos dele com os equipamentos.
Ninão perdeu as duas pernas por causa de infecções graves no osso. A primeira amputação foi em 2021, e a segunda, em 2024. Os novos equipamentos saíram de uma clínica de Sorocaba, no interior paulista, depois de uma campanha que ele lançou nas redes sociais.
Por que ele perdeu as pernas?
Ninão tem gigantismo, condição causada por excesso do hormônio do crescimento no organismo. Ele começou a crescer rápido aos 8 anos. Aos 14, já media 1,96 m, quando recebeu o diagnóstico.
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Segundo o G1, na maioria dos casos esse excesso está ligado a um tumor benigno, que precisa ser retirado. Ninão adiou a cirurgia na adolescência por medo. Aos 21 anos, já tinha 2,29 m, e ainda cresceu 8 cm depois de operar.
O hormônio em excesso também pode causar resistência à insulina. Ninão ficou diabético e teve uma infecção grave em um dos ossos da perna. Em 2022, já dava alguns passos com uma prótese recebida de uma clínica de João Pessoa. Em 2024, a infecção atingiu a outra perna.
Como são as próteses?
A equipe de Sorocaba tirou as medidas com moldes de gesso feitos a partir do corpo dele. Cada prótese pesa cerca de 6 kg, e os pés medem 38 cm, o equivalente ao calçado número 60.
- Peso de cada prótese: cerca de 6 kg
- Comprimento dos pés: 38 cm, numeração 60
- Encaixe: molde de acrílico transparente, que será trocado por fibra de carbono
- Capa de borracha com dedos separados, para usar sandálias e chinelos
A estrutura foi reforçada para suportar o peso de cerca de 185 kg. Os testes de resistência ocorreram na Rússia, numa empresa que também trabalha com próteses. Segundo o representante Dmitry Nizamov, os pés foram testados para aguentar até 700 kg. O Terra, citando a fabricante russa, diz que esse limite vale para as duas pernas somadas, e não para cada pé.
Ninão já consegue andar?
Ao experimentar as próteses, Ninão disse que o encaixe estava confortável. Com ajuda dos profissionais, ele treinou equilíbrio e caminhada entre barras paralelas, além de exercícios com pesos, obstáculos e bola. Chegou a tentar embaixadinhas apoiado nas barras.
A fisioterapeuta Bárbara avaliou que ele tinha força suficiente para ficar estável. Segundo ela, o principal objetivo do paciente é voltar às atividades que fazia antes. Ninão resumiu a sensação de ficar de pé numa palavra: “liberdade”, segundo o Diário do Centro do Mundo.
A mãe, Divanilda Fernandes da Silva, acompanhou os passos. “Eu já vi ele andando, já é uma felicidade que não cabe no peito”, disse. Ela também falou sobre a rotina do filho: “Ninão anda de moto, Ninão faz tudo que gente com duas pernas não faz”.
O que vem agora?
Ninão quer voltar aos esportes adaptados. Entre 2022 e 2024, ele integrou a Seleção Brasileira da modalidade. O retorno depende da recuperação da mobilidade, que segue em reabilitação. Na parte dos equipamentos, a próxima etapa é trocar o encaixe de acrílico pelo de fibra de carbono.



