Terça-feira, 3 de novembro de 2026
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Brasil e política

Eleição no Senado: como Alcolumbre pode ser reeleito e o que a oposição precisa para vencer

Votação é em 1º de fevereiro, secreta e exige 41 dos 81 votos; PL lança Rogério Marinho nesta quarta e Tereza Cristina também quer disputar

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Resumo rápido

  • A eleição para presidente do Senado é em 1º de fevereiro de 2027 e exige 41 votos.
  • Alcolumbre pode concorrer porque a Constituição só veda a recondução dentro da mesma legislatura.
  • PL e Novo terão mais de 30 senadores; Marinho quer que a direita mostre o voto para evitar traições.

A disputa pelo comando do Senado só será decidida em 1º de fevereiro de 2027, mas a campanha já começou. Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Casa desde 2025, quer mais dois anos no cargo. O PL deve lançar nesta quarta-feira (4) a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, e Tereza Cristina (PP-MS) também se apresenta como opção. Para vencer, é preciso o voto de 41 dos 81 senadores.

A eleição define quem controla a pauta do plenário pelos próximos dois anos, o que inclui decidir se pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) andam ou ficam parados. É por isso que a oposição trata a votação como prioridade depois da derrota na eleição presidencial.

Quando é a eleição para presidente do Senado?

A Constituição manda cada Casa do Congresso se reunir em sessões preparatórias a partir de 1º de fevereiro do primeiro ano da legislatura, para dar posse aos eleitos e escolher a Mesa Diretora. Em 2027 começa uma nova legislatura, com os senadores eleitos em outubro já empossados. O mandato do presidente é de dois anos.

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Alcolumbre pode ser reeleito?

Pode. A Constituição proíbe a recondução ao mesmo cargo na eleição imediatamente seguinte, mas o STF entende, desde o julgamento de 2020 sobre o tema, que a proibição vale dentro de uma mesma legislatura. Como fevereiro de 2027 abre uma legislatura nova, Alcolumbre pode concorrer. Foi o mesmo caminho de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), eleito em 2021 e reeleito em 2023.

Alcolumbre já presidiu o Senado de 2019 a 2021. Voltou ao posto em fevereiro de 2025, quando recebeu 73 votos no primeiro turno, segundo a Agência Senado. Na época teve apoio do próprio PL, que trocou os votos por cargos como a vice-presidência da Casa.

Como funciona a votação?

  • Quórum para vencer: maioria absoluta, ou seja, 41 votos.
  • Voto secreto: o Regimento Interno prevê votação por cédula de papel depositada em urna, com os senadores chamados pela ordem de criação dos estados.
  • Questionamentos: em 2025, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) pediu voto aberto, mas a presidência rejeitou o pedido com base no Regimento e em decisões do STF.

Por que Marinho defende mostrar o voto?

Como a urna é secreta, um senador pode prometer apoio a um candidato e votar em outro. Para evitar isso, Marinho quer que os senadores de direita tornem público em quem votaram. “Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre”, disse ele à Folha de S.Paulo, segundo a Gazeta do Povo.

A ideia tem precedente. Em 2019, uma liminar do ministro Dias Toffoli derrubou a tentativa de abrir o voto, mas parte dos senadores exibiu a cédula antes de depositá-la. Renan Calheiros (MDB-AL) desistiu no meio da sessão, e Alcolumbre venceu com 42 votos, relembra o portal Agora RN.

Davi Alcolumbre no plenário do Senado
Alcolumbre comanda sessão no plenário do Senado (foto de arquivo, 02/12/2025) Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Quantos votos cada lado diz ter?

O PL elegeu 19 senadores em outubro e terá 28 ou 29 cadeiras a partir de fevereiro, conforme a contagem de cada veículo, uma das maiores bancadas desde a redemocratização. Com os 3 do Novo, o bloco de oposição passa de 30 senadores.

As duas campanhas dizem ter 48 apoios cada, o que mostra que há nomes contados pelos dois lados. Em 2023, Marinho perdeu para Pacheco por 49 a 32, e o PL passou dois anos sem cargos na Mesa nem comissões de peso.

Quem apoia Alcolumbre?

  • Federação União Progressista: a direção do União Brasil e do PP anunciou apoio à recondução.
  • Governo Lula: o presidente também está entre os apoiadores, segundo a Gazeta do Povo.
  • Parte do PL: aliados de Alcolumbre afirmam ter apoio silencioso de senadores do partido, e uma ala da legenda prefere negociar espaço na Mesa a arriscar nova derrota.

Alcolumbre tem oferecido relatorias, comissões e estrutura de gabinete a diferentes grupos e acena com a lei da dosimetria, que pode reduzir penas dos condenados pelo 8 de Janeiro, de acordo com a Gazeta do Povo. A anistia e um eventual indulto a Jair Bolsonaro, também citados nas conversas, enfrentam obstáculos políticos e jurídicos.

E a oposição, vai unida?

Ainda não. Tereza Cristina mantém o plano de concorrer, mesmo com a decisão da federação. Em nota divulgada na terça-feira (27), ela afirmou que os eleitos da bancada podem escolher o apoio de forma independente. Marinho e a senadora discutem uma candidatura única; segundo fontes do PL ouvidas pelo site Brasil em Folhas, ele tem a preferência, e Tereza poderia presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) se ele vencer.

No PP, o senador eleito Guilherme Derrite (SP) já disse que não votará em Alcolumbre, por considerar que ele não deu andamento aos pedidos de impeachment de ministros do STF.

O que pesa contra Alcolumbre na direita?

Senadores bolsonaristas citam três pontos: os pedidos de impeachment de ministros do Supremo que não avançaram, a anistia aos condenados do 8 de Janeiro, que acabou trocada por uma redução de penas ainda não aplicada, e a decisão de pautar durante a campanha a PEC que acaba com a escala 6×1, bandeira do governo. Alcolumbre, por sua vez, defende a anistia ou o indulto a Bolsonaro como gesto de pacificação do país, e seus aliados dizem que os votos para a reeleição já estão garantidos.

Próximos passos

A bancada do PL se reúne nesta quarta-feira (4), em Brasília, convocada pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, para definir a estratégia e oficializar o nome de Marinho. A eleição da Mesa ocorre em 1º de fevereiro, primeiro dia da nova legislatura. A Câmara dos Deputados também escolhe seu novo presidente em fevereiro.

Correção (03/11, 07h50): a nota de Tereza Cristina foi divulgada na terça-feira (27), e não na quarta (28). O tamanho da bancada do PL foi ajustado porque as fontes divergem, e saiu do texto um número de senadores aliados que não foi confirmado.

Fontes consultadas

Agência Senado — Davi Alcolumbre é o novo presidente do Senado (01/02/2025) Gazeta do Povo — Rogério Marinho defende voto aberto na disputa contra Alcolumbre pela Presidência do Senado Gazeta do Povo — Alcolumbre negocia até o “impossível” para tentar reeleição no Senado Gazeta do Povo — Direita tenta barrar reeleição de Alcolumbre para retomar controle do Senado Agora RN — Marinho quer voto aberto da direita contra Alcolumbre no Senado Brasil em Folhas — Oposição articula candidatura única contra Davi Alcolumbre no Senado Planalto — Constituição Federal, art. 57 Gazeta do Povo — Tereza Cristina critica apoio de União Brasil e PP à reeleição de Alcolumbre

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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