Atualização (03/11, 6h30): incluímos os horários de fechamento das urnas no horário de Brasília, a pesquisa Reuters/Ipsos mais recente e as ações do Departamento de Justiça.
Os americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato, as midterms, que decidem quem controla o Congresso nos dois últimos anos do governo Donald Trump. Estão em jogo todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e o governo de 36 estados.
A Presidência não está na cédula, mas o resultado costuma ser lido como uma avaliação do presidente. Entre 1946 e 2022, o partido de quem ocupava a Casa Branca perdeu cadeiras na Câmara em 18 de 20 midterms, segundo o American Presidency Project, citado pelo InvestNews.
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Que horas fecham as urnas no horário de Brasília?
Com o fim do horário de verão americano no domingo (1º), a costa leste dos EUA está duas horas atrás de Brasília. Os horários abaixo indicam quando todas as seções de cada estado fecham, segundo o site Election Central; quem estiver na fila nesse momento ainda pode votar.
- 20h: primeiras seções, nas partes de Indiana e Kentucky que seguem o fuso do Leste.
- 21h: Geórgia, Carolina do Sul, Vermont, Virgínia e a maior parte da Flórida; Indiana e Kentucky terminam.
- 21h30: Carolina do Norte, Ohio e Virgínia Ocidental.
- 22h: Pensilvânia, Illinois, Massachusetts, Nova Jersey, Maine, Maryland, Missouri, Tennessee, entre outros, além da maior parte do Texas e de Michigan.
- 23h: Nova York, Arizona, Colorado, Minnesota, Wisconsin, Iowa e o restante de Texas e Michigan.
- 0h de quarta (4): Nevada, Montana e Utah.
- 1h: Califórnia e Washington.
- 2h: Havaí e a maior parte do Alasca; as ilhas Aleutas fecham às 3h.
O fechamento não significa resultado imediato. As emissoras só projetam vencedores com votos suficientes apurados, e disputas apertadas podem levar horas ou dias por causa da contagem de cédulas enviadas pelo correio.
Como está o Congresso hoje
Os republicanos controlam as duas Casas, mas com margem estreita, de acordo com o InvestNews:
- Câmara: 218 republicanos, 214 democratas, 1 independente alinhado aos republicanos e 2 cadeiras vagas. A maioria é de 218; os democratas precisam ganhar quatro cadeiras a mais para assumir o comando.
- Senado: 53 republicanos, 45 democratas e 2 independentes que votam com os democratas. A oposição precisa de 51 cadeiras. Em empate de 50 a 50, decide o vice-presidente JD Vance, que é republicano.
Das 35 vagas do Senado, 33 são do calendário normal e 2 são eleições especiais, em Ohio e na Flórida, para as cadeiras deixadas por Vance e por Marco Rubio, hoje secretário de Estado. Deputados têm mandato de dois anos; senadores, de seis. Os eleitos tomam posse em 3 de janeiro de 2027.
O que muda para Trump se a oposição vencer
Uma Câmara democrata passaria a comandar as comissões e poderia travar projetos do governo e abrir investigações. Um Senado de oposição poderia barrar indicações de ministros, embaixadores e juízes da Suprema Corte.
Mesmo com as duas Casas, os democratas teriam limites. Trump mantém o poder de veto, e derrubá-lo exige dois terços dos votos na Câmara e no Senado. Um processo de impeachment pode ser aberto na Câmara por maioria simples, mas a condenação no Senado depende de dois terços dos presentes, 67 votos se todos estiverem no plenário.

O que dizem as pesquisas
A economia domina a campanha. Levantamento do Pew Research Center divulgado em 8 de outubro mostrou que 84% dos eleitores registrados consideram o tema muito importante para o voto. Custo de vida, preço da gasolina e da energia e as tarifas de importação de Trump estão entre as principais preocupações.
Na última pesquisa Reuters/Ipsos antes da votação, concluída na segunda-feira (2) com 1.765 adultos e margem de erro de 2 pontos, 46% disseram que votariam nos democratas para o Congresso e 38% nos republicanos. A vantagem caiu de 11 para 8 pontos em uma semana. A aprovação de Trump ficou estável em 32%, perto do piso de 31% registrado duas semanas antes. Entre os independentes, cerca de metade vê o voto como um recado contra o presidente.
A pesquisa nacional não se traduz diretamente em número de cadeiras, que são decididas distrito a distrito e estado a estado, terreno em que os republicanos têm algumas vantagens estruturais.
A briga na Justiça antes da eleição
O Departamento de Justiça tentou anular cerca de 20 mil votos pelo correio na Califórnia, de eleitores que, segundo o órgão, provavelmente não são cidadãos americanos, e pediu para barrar a certificação no Alasca caso o senador republicano Dan Sullivan perdesse por pouco. Os tribunais rejeitaram as duas ações; no caso da Califórnia, a Suprema Corte negou o recurso do governo na segunda-feira (2). O procurador-geral Todd Blanche afirma que as medidas são legais e protegem a integridade do voto; ex-integrantes do departamento criticaram a intervenção.
Como funciona a votação
O voto não é obrigatório, e cada estado define as próprias regras. Segundo a Gazeta do Povo, 47 estados, mais a capital Washington, oferecem alguma forma de voto antecipado presencial, e há votação pelo correio. Pelo menos 20 milhões de eleitores já tinham votado antes da terça, de acordo com a Rádio Senado. Cerca de 250 milhões de americanos podem votar.
As urnas fecham em horários diferentes por causa dos fusos. Vencedores em estados do Leste podem ser conhecidos já na noite de terça no horário de Brasília, mas disputas apertadas atrasam a definição. Em 2024, o controle do Senado saiu no dia seguinte, e o da Câmara levou oito dias, lembra a Gazeta.
Quem são os brasileiros na disputa
Três brasileiros concorrem a cadeiras em Legislativos estaduais, todos pelo Partido Democrata, segundo levantamento da Gazeta do Povo:
- Felipe Sousa-Lazaballet, nascido em Duque de Caxias (RJ), disputa uma vaga na Câmara estadual da Flórida pelo Distrito 42 contra uma candidata republicana. Viveu cerca de 15 anos nos EUA sem documentos e se naturalizou em 2021.
- Priscila Sousa, nascida em Ipatinga (MG), tenta a reeleição na Câmara estadual de Massachusetts pelo 6º Distrito de Middlesex, sem adversário. Está no cargo desde janeiro de 2023.
- Rita Mendes, nascida em Conselheiro Pena (MG), também busca a reeleição em Massachusetts, pelo 11º Distrito de Plymouth, sem oponente. É advogada e deputada estadual desde 2023.
Por que a eleição importa para o Brasil
O Congresso americano tem peso sobre impostos, gastos e comércio exterior. Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA decidiu que uma lei de poderes de emergência não autorizava parte das tarifas de Trump; outras bases legais continuam valendo. O comércio de bens e serviços entre Brasil e Estados Unidos somou cerca de US$ 135,7 bilhões em 2025, segundo o escritório de comércio americano (USTR).
A votação desta terça coincide com a volta dos negócios na B3 depois do feriado de Finados, e a definição das disputas mais apertadas pode avançar pela quarta (4), dia em que o Copom anuncia a nova Selic.
Correção (03/11, 07h50): a pesquisa Reuters/Ipsos foi concluída na segunda-feira (2), e não no domingo. O texto também passou a informar a decisão da Suprema Corte sobre os votos da Califórnia.



