Sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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TSE aceita ação e abre processo contra Lula e Alckmin por 35 atos com benefícios

O corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva deu cinco dias para a defesa responder à ação do Novo e depois decide se arquiva o caso ou abre a fase de provas.

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Resumo rápido

  • Corregedor do TSE aceitou a ação do Novo contra Lula e Alckmin; a defesa tem cinco dias para responder
  • O partido aponta 35 atos do governo entre janeiro e outubro de 2026 e estima impacto de R$ 73 bilhões
  • Aceitar a ação não é decisão sobre o mérito: a Justiça Eleitoral ainda vai analisar as acusações

O corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, aceitou nesta quinta-feira (5) a ação do partido Novo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice, Geraldo Alckmin (PSB). Os dois serão notificados e terão cinco dias para apresentar defesa.

O TSE abriu processo contra Lula?

Em termos práticos, sim: o pedido do Novo passa a tramitar. Mas a decisão desta quinta apenas reconhece que a petição cumpre os requisitos legais para ser analisada. Não houve julgamento sobre o mérito, e as informações divulgadas até agora não indicam que a Justiça Eleitoral tenha concluído que houve irregularidade.

O caso é uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE). Segundo o Estadão, trata-se do primeiro passo para apurar se as acusações procedem.

Leia também: Dino marca conciliação sobre o fim da 6×1 no STF para terça (10), às 14h · Fim da escala 6×1 pode ser adiado? O que a ação da CNC no STF muda no 16 de dezembro

O que o Novo aponta contra a chapa?

O partido sustenta que o governo federal editou 35 atos normativos, entre medidas provisórias e decretos, no período de 1º de janeiro a 16 de outubro de 2026. Segundo a sigla, as medidas criaram ou ampliaram benefícios e, na avaliação do partido, favoreceram eleitoralmente a chapa presidencial.

De acordo com o Estadão, a lista inclui o reajuste de 15% no Bolsa Família, o Desenrola 3.0 (novo programa de renegociação de dívidas) e a medida provisória que proibiu as apostas online. O jornal informa que 12 dos 35 atos foram anunciados já durante o período eleitoral.

Sobre o custo, o Novo estima R$ 73 bilhões em impacto fiscal, mais cerca de R$ 99,7 bilhões em créditos extraordinários, segundo a petição citada pelo Estadão. Pelo levantamento do partido, a quantidade de atos equivale à soma das medidas semelhantes dos três anos anteriores: 17 em 2023, quatro em 2024 e 14 em 2025, conforme o g1.

A sigla também chama atenção para o prazo de algumas medidas. Os apostadores puderam sacar o dinheiro mantido em sites de apostas até 5 de outubro, dia seguinte ao primeiro turno. A subvenção ao diesel terminou em 26 de outubro, logo após o segundo turno.

Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília
Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília (foto de arquivo, 04/10/2026) Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O que diz a decisão do corregedor?

No despacho, Cueva escreveu que “a ação reúne condições para o seu regular processamento”, conforme o Estadão. O ministro considerou o pedido dentro do prazo, já que foi apresentado antes da diplomação, e afirmou que a petição identifica os atos contestados e os custos atribuídos a cada um, o que permite à defesa se manifestar.

As reportagens divergem sobre o tipo de abuso apontado. O g1 e a BandNews falam em abuso de poder político. O Estadão menciona abuso de poder econômico, embora descreva as mesmas acusações sobre atos de governo.

Procurado pelo Estadão, o Palácio do Planalto não se manifestou até a publicação da reportagem. Não há, nas informações divulgadas, a posição da defesa de Lula e Alckmin sobre o mérito.

Há outras ações no TSE?

Segundo o g1, a corregedoria-geral já recebeu outras 12 ações questionando a chapa Lula-Alckmin. O Estadão, por sua vez, contabiliza pelo menos 18 ações em andamento propostas pelas campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL) uma contra a outra. Os recortes são diferentes, e por isso os números não são diretamente comparáveis.

Cueva também aceitou uma ação de Flávio Bolsonaro, candidato derrotado na eleição presidencial, por suposto abuso de poder político. Ele questiona o uso da estrutura pública de comunicação em benefício da candidatura de Lula à reeleição.

O que acontece agora?

Terminado o prazo de cinco dias, Cueva decide se encerra o processo ou se a investigação continua. Se seguir adiante, o TSE poderá ouvir testemunhas e coletar provas.

Segundo o g1, as AIJEs tratam de suspeitas de abuso de poder político, econômico ou de autoridade, e o resultado pode ser cassação e inelegibilidade. O trâmite costuma ser longo, porque a etapa de produção de provas é extensa.

Fontes consultadas

G1 — TSE admite ação do Novo contra Lula e Alckmin por abuso de poder político Estadão — TSE admite denúncia do Novo e instauração ação contra chapa Lula e Alckmin BandNews — TSE abre ação contra Lula e Alckmin por suspeita de abuso de poder político

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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