A disputa pelo comando do Senado só será decidida em 1º de fevereiro de 2027, mas a campanha já começou. Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Casa desde 2025, quer mais dois anos no cargo. O PL deve lançar nesta quarta-feira (4) a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, e Tereza Cristina (PP-MS) também se apresenta como opção. Para vencer, é preciso o voto de 41 dos 81 senadores.
A eleição define quem controla a pauta do plenário pelos próximos dois anos, o que inclui decidir se pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) andam ou ficam parados. É por isso que a oposição trata a votação como prioridade depois da derrota na eleição presidencial.
Quando é a eleição para presidente do Senado?
A Constituição manda cada Casa do Congresso se reunir em sessões preparatórias a partir de 1º de fevereiro do primeiro ano da legislatura, para dar posse aos eleitos e escolher a Mesa Diretora. Em 2027 começa uma nova legislatura, com os senadores eleitos em outubro já empossados. O mandato do presidente é de dois anos.
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Alcolumbre pode ser reeleito?
Pode. A Constituição proíbe a recondução ao mesmo cargo na eleição imediatamente seguinte, mas o STF entende, desde o julgamento de 2020 sobre o tema, que a proibição vale dentro de uma mesma legislatura. Como fevereiro de 2027 abre uma legislatura nova, Alcolumbre pode concorrer. Foi o mesmo caminho de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), eleito em 2021 e reeleito em 2023.
Alcolumbre já presidiu o Senado de 2019 a 2021. Voltou ao posto em fevereiro de 2025, quando recebeu 73 votos no primeiro turno, segundo a Agência Senado. Na época teve apoio do próprio PL, que trocou os votos por cargos como a vice-presidência da Casa.
Como funciona a votação?
- Quórum para vencer: maioria absoluta, ou seja, 41 votos.
- Voto secreto: o Regimento Interno prevê votação por cédula de papel depositada em urna, com os senadores chamados pela ordem de criação dos estados.
- Questionamentos: em 2025, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) pediu voto aberto, mas a presidência rejeitou o pedido com base no Regimento e em decisões do STF.
Por que Marinho defende mostrar o voto?
Como a urna é secreta, um senador pode prometer apoio a um candidato e votar em outro. Para evitar isso, Marinho quer que os senadores de direita tornem público em quem votaram. “Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre”, disse ele à Folha de S.Paulo, segundo a Gazeta do Povo.
A ideia tem precedente. Em 2019, uma liminar do ministro Dias Toffoli derrubou a tentativa de abrir o voto, mas parte dos senadores exibiu a cédula antes de depositá-la. Renan Calheiros (MDB-AL) desistiu no meio da sessão, e Alcolumbre venceu com 42 votos, relembra o portal Agora RN.

Quantos votos cada lado diz ter?
O PL terá 29 senadores a partir de fevereiro, depois de eleger 19 em outubro, uma das maiores bancadas desde a redemocratização. Somado aos 3 do Novo, o bloco de oposição chega a 32. Outros 15 senadores de Republicanos, PP, Podemos e PSDB foram eleitos, em grande parte, com apoio do bolsonarismo, segundo o Agora RN.
As duas campanhas dizem ter 48 apoios cada, o que mostra que há nomes contados pelos dois lados. Em 2023, Marinho perdeu para Pacheco por 49 a 32, e o PL passou dois anos sem cargos na Mesa nem comissões de peso.
Quem apoia Alcolumbre?
- Federação União Progressista: a direção do União Brasil e do PP anunciou apoio à recondução.
- Governo Lula: o presidente também está entre os apoiadores, segundo a Gazeta do Povo.
- Parte do PL: aliados de Alcolumbre afirmam ter apoio silencioso de senadores do partido, e uma ala da legenda prefere negociar espaço na Mesa a arriscar nova derrota.
Alcolumbre tem oferecido relatorias, comissões e estrutura de gabinete a diferentes grupos e acena com a lei da dosimetria, que pode reduzir penas dos condenados pelo 8 de Janeiro, de acordo com a Gazeta do Povo. A anistia e um eventual indulto a Jair Bolsonaro, também citados nas conversas, enfrentam obstáculos políticos e jurídicos.
E a oposição, vai unida?
Ainda não. Tereza Cristina mantém o plano de concorrer, mesmo com a decisão da federação. Em nota divulgada na quarta-feira (28), ela afirmou que os eleitos da bancada podem escolher o apoio de forma independente. Marinho e a senadora discutem uma candidatura única; segundo fontes do PL ouvidas pelo site Brasil em Folhas, ele tem a preferência, e Tereza poderia presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) se ele vencer.
No PP, o senador eleito Guilherme Derrite (SP) já disse que não votará em Alcolumbre, por considerar que ele não deu andamento aos pedidos de impeachment de ministros do STF.
O que pesa contra Alcolumbre na direita?
Senadores bolsonaristas citam três pontos: os pedidos de impeachment de ministros do Supremo que não avançaram, a anistia aos condenados do 8 de Janeiro, que acabou trocada por uma redução de penas ainda não aplicada, e a decisão de pautar durante a campanha a PEC que acaba com a escala 6×1, bandeira do governo. Alcolumbre, por sua vez, defende a anistia ou o indulto a Bolsonaro como gesto de pacificação do país, e seus aliados dizem que os votos para a reeleição já estão garantidos.
Próximos passos
A bancada do PL se reúne nesta quarta-feira (4), em Brasília, convocada pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, para definir a estratégia e oficializar o nome de Marinho. A eleição da Mesa ocorre em 1º de fevereiro, primeiro dia da nova legislatura. A Câmara dos Deputados também escolhe seu novo presidente em fevereiro.



