O Conselho Fiscal do Rioprevidência rejeitou, por unanimidade, as contas de 2025 do fundo que paga aposentadorias e pensões dos servidores do estado do Rio. É a primeira vez que as contas anuais da autarquia são reprovadas, segundo o próprio conselho. O motivo central: o balanço não mostrou como deveria a perda de valor das aplicações ligadas ao Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
O parecer veio a público nesta quarta-feira (7) e agora segue para as outras instâncias que analisam as demonstrações financeiras do fundo.
O que o Conselho Fiscal apontou
Para os conselheiros, o Rioprevidência deveria ter calculado e registrado as perdas esperadas com os papéis do Master, já que a chance de recuperar o dinheiro diminuiu depois da liquidação. Sem esse ajuste, o patrimônio do fundo pode aparecer maior do que o valor que de fato se consegue reaver.
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Os principais pontos do parecer:
- Rendimentos do Master no balanço: o Plano Previdenciário lançou R$ 826,17 milhões em receitas financeiras em 2025, valor que inclui rendimentos de letras financeiras do Master;
- Exposição alta: em 31 de julho de 2025, cerca de R$ 2,618 bilhões estavam aplicados no conglomerado Master, mais de 25% dos recursos analisados pelo conselho;
- Aplicações depois de alertas: parte das aplicações foi feita depois de avisos internos sobre os riscos das operações;
- Números que não batem: os resultados informados pela contabilidade e pela área de investimentos são diferentes, e a conciliação entre eles não foi suficiente para explicar a diferença.
Nas reportagens publicadas sobre o parecer, não há manifestação do Rioprevidência nem do governo do estado.
Quanto dinheiro do fundo foi para o Master
O caso já é investigado pela Polícia Federal. Na oitava fase da Operação Compliance Zero, em 26 de maio, a PF cumpriu dez mandados de busca e apreensão no Rio e no Distrito Federal, um deles na casa do ex-governador Cláudio Castro, autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF.

Segundo o relatório parcial da PF citado pelo ministro, o dinheiro saiu em duas levas:
- De outubro de 2023 a julho de 2024: R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master;
- De dezembro de 2024 a outubro de 2025: R$ 2,01 bilhões em fundos estruturados pelo mesmo grupo.
Mendonça citou um total de R$ 3,69 bilhões e afirmou que Castro teve papel “politicamente relevante” nos aportes, feitos quando o banco já enfrentava dificuldades crescentes. A PF suspeita de pagamento de vantagens indevidas a pessoas envolvidas nos investimentos, o que contrariaria a política conservadora que um regime de previdência deve seguir.
Também foram alvo da operação Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado pela PF como lobista e operador do esquema, e Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, preso numa fase anterior. O ponto de partida da investigação foram mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Master.
Na época, a Agência Brasil informou ter procurado as defesas dos investigados. Os investigados têm direito à presunção de inocência, e o caso ainda está na fase de investigação.
Quem depende do Rioprevidência
A autarquia administra o regime próprio de previdência dos servidores fluminenses e atende mais de 235 mil servidores ativos e inativos, de acordo com a Agência Brasil. As aplicações do Master foram feitas quando o fundo estava sob o governo Castro, que deixou o cargo em 2026 e está inelegível.
O que acontece agora
A reprovação do Conselho Fiscal não encerra o assunto: o parecer será enviado aos demais órgãos responsáveis por julgar as contas do fundo. Em paralelo, segue a investigação da PF no STF sobre os aportes no Master. O Trendou acompanha os próximos passos e atualiza esta matéria se o Rioprevidência se manifestar.



