A Avibras, fabricante do sistema de artilharia Astros usado pelo Exército, tem novo dono. A Globe Investimentos, holding pessoal de Joesley e Wesley Batista, concluiu a compra de 100% da empresa de Jacareí (SP), anunciada na quinta-feira (15). O valor não foi divulgado.
A operação encerra um ciclo de quatro anos de crise, com recuperação judicial, demissões e uma greve que passou de três anos. Os novos controladores dizem que a prioridade é voltar a produzir em escala e vender mais para fora do país.
Quem comprou a Avibras
A compradora é a Globe Investimentos, que, segundo a empresa, não faz parte da J&F, o conglomerado dos irmãos dono da JBS e do PicPay. A Globe passou a ser a única acionista da Nova AVB, que controla integralmente a Avibras Aeroco.
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A Avibras Aeroco foi criada em 2026 para reunir as fábricas, os ativos e as tecnologias da antiga Avibras Indústria Aeroespacial. Com isso, o controle da companhia continua 100% nacional.
O Cade aprovou?
Sim. A Globe levou o negócio ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica em agosto, e a Superintendência-Geral do órgão aprovou a operação sem restrições em 14 de setembro, por não ver risco à concorrência.
Quem vai comandar a empresa
- Bruno Dantas, ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), assume a presidência executiva do conselho de administração. A missão dele é apoiar a reconstrução da capacidade de produção e abrir mercados no exterior. Dantas presidiu a Intosai, entidade que reúne órgãos de auditoria de mais de 190 países.
- Sami Hassuani é o presidente da Avibras Aeroco.
O que a Avibras fabrica
Fundada em 1961 por engenheiros saídos do ITA, a empresa tem sede em Jacareí, no Vale do Paraíba. Seu produto mais conhecido é o Astros, sistema de artilharia que o Exército usa para lançar foguetes e mísseis. O portfólio inclui ainda veículos especiais e tecnologia para o setor espacial civil. Governos estrangeiros estão entre os principais clientes.
Como a empresa chegou à crise
- Março de 2022: pedido de recuperação judicial, o terceiro da história da companhia (os anteriores foram em 1990 e 2008), com dívida declarada de cerca de R$ 600 milhões e mais de 400 demissões.
- Setembro de 2022: começa a greve dos trabalhadores por salários atrasados.
- Março de 2026: a greve termina após 1.280 dias, com a aprovação de proposta para pagar R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas a cerca de 1.400 pessoas, em 12 a 48 parcelas.
- Maio de 2026: a fábrica de Jacareí reabre e cerca de 480 funcionários voltam ao trabalho.
- Início de outubro de 2026: a empresa entrega ao Exército o primeiro lote de munições desde a reativação.
Antes da compra, Joesley Batista já havia participado de uma captação privada de R$ 300 milhões coordenada pelo Fundo Brasil Crédito na fase de retomada da empresa. Quanto ele aplicou não foi informado.
O que muda para os trabalhadores
O plano anunciado prevê retomar a produção em larga escala, honrar os compromissos já assumidos e crescer com foco em exportações. Segundo a Bloomberg, citada pelo InvestNews, a expansão para mercados externos poderia recuperar cerca de mil postos de trabalho perdidos durante a crise. A empresa não divulgou cronograma de contratações nem o valor dos investimentos.
Os Batista na defesa e em outros setores
A compra se soma a outras apostas fora do setor de carnes. Na J&F, além da JBS e do PicPay, estão a Eldorado Brasil (celulose), a LHG Mining (mineração) e a Flora (higiene e beleza). Na energia, a Âmbar acertou em outubro de 2025 a compra da participação da Eletrobras na Eletronuclear.
Próximos passos
Depois de aprovar internamente o plano de investimentos, a nova gestão pretende procurar o Ministério da Defesa para discutir as necessidades das Forças Armadas e oportunidades de exportação do Astros e dos demais produtos.



